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8 de January 2022 - às 15:30

LULA DA SILVA, EX PRESIDENTE DO BRASIL "O ACTUAL PRESIDENTE DA REPÚBLICA É UM GENOCIDA"

Se as eleições fossem realizadas este ano, Lula da Silva ganharia num piscar de olhos. Desde que saíu da cadeia, o ex-Presidente da República Federativa do Brasil tem cilindrado o actual Chefe de Estado e principal adversário com larga margem percentual .Na última semana de novembro, a maior parte das empresas de sondagem sinalizavam que o ex-Presidente, cuja habilidade política e experiência governativa é apreciada ou pelo menos respeitada dentro e fora de portas, tinha 40 por cento de aceitação popular; ao contrário de Bolsonaro que vê aumentar as suas procupações quanto ao futuro cada vez mais distante da cadeira presidencial, em 2022. Lula da Silva em digressão pela Europa ainda não se assumiu oficialmente como candidato à Presidente da República Federativa do Brasil nas eleições presidenciais em 2022.
Neste périplo ao Velho Continente, Lula foi considerado o político brasileiro mais aplaudido no mundo, tendo inclusive Barak Obama, ex-Presidente dos EUA, o chamado de "estratégico político na nossa história”. Lula concedeu entrevistas aos diferentes meios de comunicação onde falou da sua prisão no âmbito da Operação "Lava Jacto", sobre as manobras delatórias contra si engendradas, como disse, pelos fascistas da direita brasileira, sobre Bolsonaro e a Covid 19 no Brasil… Enfim, abordou quase tudo acerca da sua governação de quinze anos, durante os quais o seu governo tirou milhares de brasileiros da situação de indigência e de pobreza.
O que disse aos diferentes órgãos Lula da Silva, nós compilamos para os nossos leitores:

 

 "JAIR BOLSONARO REPRESENTA O FASCISMO"  

Pergunta (P.) - O senhor disse anteriormente que já não se candidataria e hoje diz que não disse isto.Mas afinal o que se passa para o senhor se candidatar a Presidente do Brasil?

Lula da Silva( L.S.) - Eu disse em 2016 que não ia me candidatar porque pensava em deixar o lugar para os mais novos. Com 75 anos, pensava que estou velho, mas o Biden,nos EUA, se candidatou a Presidente e ganhou com 78 anos...

Eu não me decidi ainda candidatar-me às Presidenciais. Nós em 2021 estamos a brigar para que o nosso povo consiga se vacinar, que nós temos de conseguir auxílio emergencial para o povo sobreviver e conseguir crédito para que as pequenas e médias empresas continuem com os empregos. Somente a partir de 2022 estrei pronto para participar nas eleições presidenciais. E se o PT quiser, se outros partidos aliados quiserem, eu estou fortemente interessado para me candidatar, para fazer crescer o Brasil e no âmbito internacional torná-lo forte como fizemos na minha governação anterior.

P. - O senhor disse que fará campanha internacional para que o povo brasileiro consiga as vacinas.Como assim se o senhor não está no governo, não está no poder político e economico?

LS. - Eu decidi não só fazer campanha internacional como denunciar e apelar no Congresso Nacional, no Senado, na Câmara, e para que ajudem o povo brasileiro a comprar as vacinas a colocá-las à disposição no mercado.

O Brasil foi muito irresponsável, deixou de comprar 70 milhões de vacinas no início. O Presidente da República não autorizou. Ele é um negacionista,ele não acredita na Coronavírus; a única coisa que ele acredita é vender remédio que não presta para combater o Coronavírus. Então, morreram muitas pessoas porque o governo não foi humanista, responsável. Metade dos brasileiros morreram por irresponsabilidade do governo brasileiro.

P. - O senhor disse que iria contactar internacionalmente para a aquisição de mais vacinas para o povo brasileiro. Acha possível isto? O senhor não está no governo ... Se o senhor estivesse no governo, como será a gestão da crise?

LS. - Podia sim.Quando surgiu a gestão da gripe do H1N1, nós vacinamos 83 milhões de pessoas em apenas três meses.O Presidente da República não pode saber de tudo, como disse... O papel do Presidente da República é de um maestro, de coordenar a sua equipa. Se o Presidente da República tivesse criado um comitê de crise coordenado pelo ministro da Saúde, reunido os especialistas, cientistas, criado um protocolo, mobilizado os secretários de saúde dos estados, não teríamos tantas vítimas que temos hoje. E é por isso que acuso que o Presidente da República é um genocida pela quantidade de mortes que tivemos no Brasil.

P.-O Presidente que o senhor acusa chama-se Jair Bolsonaro,uma personalidade pouco instável, inclusive internacionalmente. Mas as pessoas acusam também o seu partido, o PT, de falhas que um candidato da extrema direita fosse votado.Concorda?

LS. - Não, não concordo. Os que votaram por Bolsonaro foram aqueles que me acusaram falsamente e que me meteram na cadeia quinhentos e oitenta dias. O Bolsonaro é uma mentira, uma falsidade. O Bolsonaro não participou na eleição, nos debates…. Ele diz diariariamente quatro mentiras e imaginem o quanto mentiu até hoje. Na verdade, o povo se equivocou ao votar pelo Bolsonaro, mas esse é o resultado da democracia, do processo eleitoral. A polarização no Brasil mudou. A polarização é contra o autoritarismo e pela democracia. Eu represento a democracia, estou num partido de cultura democrática e o Bolsonaro representa o fascismo.

No Brasil, o povo vai votar direito, pela democracia ou pelo autoritarismo e o fascismo. Então, se ganharmos as eleições, teremos de unificar o povo pela governança de todos.Isto é possível,já o fiz na minha governação durante catorze anos. Nós vamos construir um Brasil onde a população se sinta contente e o seu país cresça. O povo vai decidir: quem representa a democracia ou quem representa o fascismo e eu estou ciente que se me votarem,vou criar a governança que criei anteriormente, pelo povo. Eu já governei oito anos o Brasil e nós vamos tentar, se ganhar,construir uma governança em que todos se identifiquem na unidade, vivam bem e o País prospere.

P. - O senhor está em campanha eleitoral?

L.S. - É possível. Eu tenho de provar que estou bom,com saúde e sei como construir o Brasil altamente desenvolvido. Nós tiramos o Brasil do mapa da fome, segundo a ONU, e lamentavelmente a fome veio a integrar o maior problema social que nos preocupa.

P. - A Comunidade internacional, sobretudo nos países europeus, está preocupada com a situação no Brasil.O senhor quer lançar uma mensagem aos países?

L.S. - Claro. A comunidade internacional, os governos e sindicatos conhecem-nos e sabem bem quando governávamos. Nós tivemos uma relação exuberante com os partidos, governos e ONGs. Eu quando fui Presidente do Brasil conversava com todo mundo, desde Schröeder, Chirac, enfim...

O Brasil tem simpatia da Europa e precisamos de criar o pacto União Europeia e Brasil (...). A relação da América Latina com o Brasil é importante para que todos os países possam compreender que nós que acabamos a guerra fria precisamos de construir o jeito de melhorar a vida da humanidade e eu acho que a Europa com o seu estado de bem estar social pode contribuir para que façamos políticas para ajudar desenvolver os países mais pobres do mundo,inclusive ajudar com a vacina contra a coronavírus para que ela se torne um bem da humanidade e que todas as pessoas apanhem a vacina.

P.- O senhor foi condenado numa farsa judicial. Como acorda na cadeia um senhor influente do mundo, como pelo menos todos o consideravam?

L.S. - Eu tinha a consciência... Quando iniciou a "Lava Jacto", encontrarem um pretexto para que o Lula acabasse na política. Antes de falar como acordei, recordo que quando fui prestar depoimentos ao Sérgio Moro, disse-lhe “vocês estão condenados a condenar-me; vocês deixaram passar mentiras sobre mim ”.Pois bem. Eu estava no sindicato e tinha muita decisão para tomar e tomei a decisão de ir à polícia federal em Curitiba para provar como eles eram mentirosos. Puseram-me na cadeia e nem apresentaram a acusação .

P. - Quais foram os seus prejuízos quando o senhor esteve na cadeia?

L.S. - Antes pelo contrário, surgiu solidariedade de toda gente que vinha para a cadeia e no exterior protestavam contra a minha prisão.

P. - O Brasil precisa de tanta empresa estatal?

L.S. - Eu sou contra o governo empresarial, mas sou favorável a um conselho que seja indutor do processo de desenvolvimento. Eu dizia “vou governar para todos”, mas precisei de saber que o povo pobre vai subir na escala social. E por isso a ONU declarou em 2011 o Brasil livre da fome. E por isso o Brasil tornou-se respeitado nos EUA, pela China, pela Alemanha e também respeitado na Etiópia, em Moçambique …

Eu fui um Presidente do Brasil que participou nas reuniões do G20 para salvar a economia. É por isso que pergunto porquê que os líderes se reúnem agora para discutir sobre a Covid 19? Porquê que não transformam a vacina pelo bem da humanidade e que qualquer cidadão de todos os países tome a vacina? Está a faltar um líder hoje .

P. - Sabe-se já que o senhor é candidato às eleições. O senhor posiciona-se no centro?

L.S. - No momento certo eu vou decidir se participo como candidato, como disse anteriormente. As pesquisas dão-me vitória nas eleições, eu estou posicionado à frente de Bolsonaro, mas não sei quantos candidatos são, quantos da direita ou da esquerda. Só sei que estou de saúde boa e que estou com muita vontade de recuperar a esperança do nosso povo, de recuperar a economia do Brasil, de recuperar a qualidade de vida em que governei e a Dilma também; de recuperar a posição do Brasil no mundo,onde estávamos em sexto lugar e agora o Brasil luta pelo décimo segundo da economia pelo fracasso do actual governo.

Depois do golpe dado à Presidente Dilma, as coisas no Brasil só pioraram, sobretudo após o início da pandemia. Temos quinhentos mil mortos pela não vacinação das pessoas e é por isso que estamos a chamar o nosso presidente de genocida pelas mortes e pela ineficácia da sua governação.
P. - Definitivamente deixa falar o tabuleiro das eleições, mas o senhor sabe que ao se candidatar vai enfrentar Bolsonaro que usa e abusa das instituições para o voto a ele.Conseguirá o cidadão Lula da Silva motivar o eleitor,não obstante enfrentar a ultra direita nacional com ramificações internacionais ?
L.S. - Quando um homem tem uma causa, não tem luta para ele enfrentar e vencer e eu tenho uma causa, que é devolver ao Brasil a soberania, que é devolver ao povo os cuidados da saúde, educação, de cuidar da fome, da água… porque eu fiz isso quando era Presidente. E eu estou ciente desta causa de fazer o Brasil forte e soberano, de fazer o Brasil com a política soberana; eu não tenho problemas de enfrentar qualquer um que seja ultra - direita ou direita. O problema é o Bolsonaro não ser só um candidato, mas é a máquina de contar mentiras e eu preciso de enfrentá-lo porque tenho a certeza de derrotá-lo.
Ele está a tentar nas eleições o modelo Trump para justificar que se o seu adversário ganhar é por roubo e fraude. Mas eu estou ciente de derrotar o Bolsonaro e recuperar o Brasil.É possível que na América Latina possamos construir um bloco económico para fazer frente ao bloco que simboliza a parceria dos EUA e o Canadá,fazermos frente ao bloco que simboliza a junção na Europa, os países europeus, e é possível enfrentar o bloco económico liderado pela China e nos virarmos protagonistas internacionais do mundo.Por isso, eu estou à disposição de, quando chegar o tempo certo,anunciar a minha candidatura e é possível derrotar Bolsonaro, tratar da revitalização do Brasil, reforçar o Mercosul e a Unasul e tratar a sua relação com os países africanos,com os BRICs.

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