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2 de abril 2016 - às 16:57

LUANDA: “ISTO CONTINUA A CHEIRAR MAL”….

No antigo plano de limpeza foram criados 25 pontos de transferências e brigadas de limpeza, bem como foram distribuídos kits de recolha à população. Aonde anda este plano é mesmo o que eu queria saber… E mais.Vale recordar que, segundo o programa, as brigadas de limpeza deviam atingir níveis de organização de cooperativas para beneficiarem, para além do kit de limpeza, de motociclos para transporte de lixo.

 

Anda toda a gente atrapalhada com os novos planos de limpeza à cidade.O  elenco governativo tenta tirar Luanda da lista das capitais do mundo mais sujas e, ao que parece,poderá vencer a batalha, onde agora entram as forças armadas.Pelo que se saiba, existiu um plano que devia custar mais de quarenta milhões de dólares, gizado em 2013 pelo ex- governador Graciano Domingos. O projecto não teve graça nenhuma.Pelo contrário, caíu em desgraça, as empresas de limpeza e saneamento, pelos vistos, afundaram-se nas dívidas mal-pagas pelo Estado e os trabalhadores continuam muito zangados.

Fazem-se planos mil para que a cara da cidade não fique trancada nos esgotos mal-cheirosos e montanhas de lixo de ratos, moscas, mosquitos e doenças, mas a verdade é que Luanda e os seus habitantes duvidam das capacidades e competência dos seus governantes em mudar o seu visual.

Daí a entrada em cena das forças armadas, dignas vencedoras de todas as batalhas da vida e, agora sim, esqueceu-se literalmente do plano de limpeza de 2013.

Tratou-se de um conjunto de iniciativas de impacto económico e social imediato, orçamentado pelo Ministério da Economia que fez o favor de projectar um dito programa Luanda Limpa, orçado em 25,6 milhões USD, e outro  de equipamentos sociais, avaliado em 18,7 milhões USD.

Perguntar aonde foram parar todos estes cifrões pode ser considerado um crime que hoje resulta num cortejo de mortes e doenças numa cidade em que todos os dias e graças ao lixo acumulado deste 2013, surge fotografada na imprensa a preto e branco.Não há governador que aguente tanta incompetência das empresas criadas por si e pelos outros para combater o lixo. 

Ora bem, fez bem o Presidente da República criar uma comissão pesada para resolver o assunto, metendo o próprio Governo Provincial de Luanda em sentido. Chamou como coordenador da dita um polícia, integrou um militar e um bombeiro. O governador de Luanda, ao que parece, terá muito pouco trabalho, mas aqui e ali vai ter mesmo de intervir como tropa de choque.

Há dois  anos, revelou-se que, no quadro do Luanda Limpa, o Estado pagava aos operadores um valor a definir pela área limpa e pela quantidade de lixo recolhida, e não propriamente pelo sistema de pesagem. Ora bem, não se sabe ao certo quantas toneladas de lixo Luanda produzia, mas sabe-se que, hoje, suja-se mais do que se limpa, e… não há dinheiro suficiente para se resolver a maka. É dado adquirido que não há “massa” até para  comprar medicamentos, sustentar os hospitais públicos, enfim, salvar vidas. Só assim é que compreendo a entrada das forças armadas nesse cenário de guerra mal-cheiroso.

No antigo plano de limpeza foram criados 25 pontos de transferências e brigadas de limpeza, bem como foram distribuídos kits de recolha à população. Aonde anda este plano é mesmo o que eu queria saber… E mais.Vale recordar que, segundo o programa, as brigadas de limpeza deviam atingir níveis de organização de cooperativas para beneficiarem, para além do kit de limpeza, de motociclos para transporte de lixo. Bom, isso foi de risos… 600 motociclos, sem descurar luvas, máscaras, fatos, ferramentas de recolha e sacos apropriados foram previstos para que Luanda mostrasse um outro rosto. Previa-se, também, a criação de 100 balneários públicos,  11 cozinhas comunitárias e a construção de 14 quadras polidesportivas (duas para cada município). Alguém viu isto?.

A rede de balneários públicos que devia ser instalada, em todos os municípios, incluia fossa séptica e poço roto, com um custo de 70 mil USD por balneário, num total de 7 milhões USD, revelava o plano citado pela “Expansão”. Isto continua a cheirar mal!

André  K. S. Bombarda - Luanda

 

TIRADAS DA IMPRENSA

 

“A entrevista de Delcídio Amaral segue-se ao depoimento explosivo que ele deu aos investigadores da "Operação Lava Jato", que apuram o desvio de pelo menos 10 mil milhões de euros da petrolífera brasileira, descobertos em Março de 2014, e que esta semana o Supremo Tribunal Federal tornou público”- Ídem, ídem

 

"O Lula negociou directamente com as bancadas (dos partidos aliados) as indicações para as directorias da Petrobrás e tinha pleno conhecimento do uso que os partidos faziam das directorias, principalmente no que diz respeito ao financiamento de campanhas"- Ídem

 

"OS Iranianos garantem que os misses testados são incapazes de transportam armas nucleares, e até agora ninguém apresentou provas que demonstrem o contrário" - Mikahil Ulianov, director do departamento para Controlo de Armamentos do Ministerio das Relações exteriores da Rússia, in Jornal de Angola.

 

"Façamos a tentativa de por os olhos nos vizinhos burundeses, em nome do estreitamento da cooperação de amizade entre esta e aquela República, enalteceu em Fevereiro"- Sebastião Martins, Doutorando em Ciencia Politica, in jornal O Pais.

 

BOCAS SOLTAS

 

Uma comissão  para acabar com o lixo, cujos estragos ambientais são visíveis em quase todos os pontos da cidade capital do país e arredores, foi criada recentemente pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos. A oportunidade da medida presidencial é de carácter e implementação urgentes,uma vez que doenças como a febre amarela, diarreia e paludismo  têm provocado várias dezenas de mortes. A comissão ora criada,coordenada pelo ministro do Interior, Ângelo da Veiga Tavares, integra o segundo comandante do Exército, Gouveia de Sá Miranda, os administradores municipais e distritais e os presidentes das centralidades do Kilamba e do Sequele. A presença das Forças Armadas reforça a ideia de que o problema do lixo está a ser tratado,em certa medida, como uma calamidade sanitária e os populares da periferia certamente poderão sentir o impacto da intervenção presidencial. Os “convidados” anónimos deste espaço têm o endereço registado: moram nos musseques, exactamente ali onde o lixo “mata mais”…

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“Penso que com a intervenção das Forças Armadas, que deve ser a instituição com mais capacidade para fazer face aos desafios emergenciais do país (note-se, sem darem muitas “bandeiras”) pode resolver o problema deste grande inimigo da saúde pública”

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“Devo mesmo felicitar o Presidente por ter tomado essa iniciativa, mas os responsáveis encarregues de levar adiante outros projectos de limpeza e saneamento da cidade deviam levar uma “pastilha”mais amarga.Porquê?Porque, vendo bem, a sua incompetência ficou à vista pelo topo e se não perceberam bem, foi-lhes passado um certificado de incompetência”

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“Confio nas Forças Armadas porque elas,também nesse combate, sairão vencedoras. A sua entrada no campo da luta contra o lixo peca por tardia, mas… lá está! Nesse país para se dar um passo desse tamanho,tem que se esperar pelo topo do comando da governação do país. Ainda assim, é como quem diria: “mais vale tarde que nunca”.

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“Bom,já agora… gostaria de saber que papel vai jogar o povo.Vai continuar a pagar pela incompetência das empresas de recolha, mesmo sabendo que muitos dos seus filhos militares não sejam recompensados pela entrada na campanha massiva de recolha e tratamento dos resíduos sólidos? Mas, tudo bem. Dirão que as Forças Armadas foram ,de novo, chamadas a dar o exemplo.Mas eu não vejo bem assim!”. 

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