CULTURA

 
2 de maio 2016 - às 07:17

LUAIA GOMES, ESCRITORA NÃO SOU ESTRELA QUERO CONTRIBUIR PARA A LITERATURA ANGOLANA

Estreou-se no mercado literário com “Todos nós fomos distante” e promete dar que falar no mundo das letras. Jovem, ou, se quisermos considera-la, ainda adolescente, Luaia Gomes Pereira fala à revista Figuras&Negócios sobre os seus projectos de vida.

 

Figuras&Negócios (F&N) - Todos nós fomos distante é o título da sua primeira obra. O que é que o público leitor pode encontrar nesta sua estreia no mercado literário angolano?

Luaia Gomes Pereira (LGP): O leitor vai encontrar reflexões de diferentes personalidades a viver em épocas distintas no nosso país.  É uma narrativa sobre a época da pré independência, sobre o presente em que vivemos e um futuro que começa em 2065. Tais reflexões espalham perspectivas e anseios do ser  angolano como cidadão. Parafraseando Pepetela: são as dúvidas, os sonhos, as amarguras, as desilusões e as vitórias do nosso povo.

F&N - O que traz em termos de mensagem e género para o público leitor? 

LGP - Como género literário, é um romance. A mensagem sublinhada no livro é muito relativa. Para mim, depende do leitor e de como ele vai interpretar o trabalho. Há, no entanto,  mensagens muito claras, como o nacionalismo, a vontade de ser e de fazer pelo país e as expectativas da juventude.

F&N - O que a levou a enveredar pelo mundo da literatura? 

LGP - Foi o gosto pela leitura. O hábito de ler geralmente desperta uma curiosidade no leitor. Foi o que aconteceu no meu caso. Enveredei pelo mundo da literatura pela necessidade de querer ter certas questões respondidas. A sua maioria não foi, mas descobri com a literatura que nem todas questões precisam de uma resposta. 

F&N - É apenas uma aventura ou, a partir daqui, vamos testemunhar o nascimento de mais uma estrela no mundo das letras em Angola?

LGP - Todas as pessoas que decidem mostrar o seu trabalho à sociedade,  à partida, deviam ser consideradas estrelas. No entanto, do ponto de vista singular, não sou uma estrela e não sei se algum dia serei. Sou sim uma jovem com forte desejo para contribuir pelo enriquecimento da literatura angolana e por isso não foi apenas uma aventura mas sim um passo dado.

F&N - Onde a Luaia foi buscar a inspiração para a produção desta obra?

LGP - Parece muito cliché responder que é a vida que oferece inspiração mas nada existiria no mundo se não fosse a vida. Depois dela surgem outros factores, tais como   a maneira como as pessoas se relacionam e vivem num espaço específico,  que fazem com que se observa de forma mais atenta aos detalhes.  A inspiração vem também de outros escritores, de músicas, de poemas. Muitas vezes vem do trabalho e da persistência.  

F&N - Como estreante no mundo das letras, quem é ou o que tem servido como fonte de inspiração?

LGP - Escritores angolanos como Pepetela, Ondjaki, Ana Paula Tavares, Alda Lara. Músico como a Aline Frazão, o Gari Sinedima... A lista é enorme. Os lugares também inspiram bastante. Toda a cidade carrega consigo uma característica única que  muitas vezes não é percebida pelos olhos mais distraídos, por isso acho muito importante explorar e observar. Explorar o nosso próprio lugar pode trazer à tona muita informação.

F&N - Sente-se preparada para altos vôos no mercado literário?

 LGP - Prefiro não ter muitas expectativas em relação a minha posição no mercado literário. Tenho sim expectativas para mim e para o meu desenvolvimento pessoal. Quero que seja um processo de redescobrimento, transformação e evolução.  No entanto,  reconheço que os momentos são efémeros e não constantes.

F&N - Que análise faz do estado actual da literatura angolana?

LGP -  Faço parte do estado actual da literatura angolana e fazer uma análise, nesse momento, pode ser pouco parcial. A meu ver, a literatura tem observado um momento de transição, em que escritores mais jovens têm encontrado cada vez mais espaço para produzir e movimentos como o Lev’Arte estão a dinamizar a literatura gradualmente. Outro ponto é que, felizmente, a literatura angolana já é consumida além fronteiras. Claro que num oceano de escritores, são muito poucos os que têm as suas obras traduzidas mas já é um passo importante.

F&N - Acha que produzido em Angola satisfaz a demanda?

LGP -  A demanda e a oferta fazem parte de um mesmo processo, bilateral. A satisfação da demanda far-se-á sentir se a demanda for sólida e, por sua vez, se a oferta for apelativa. Por outra, o surgimento de escritoras e escritores talentosos que optam pela auto publicação, influencia na forma como o trabalho atinge o público.   

F&N - O que fazer para se levar o livro mais próximo dos leitores?

LGP - É necessário motivar e apresentar aos leitores obras de qualidade. Isso deve ser feito na vida académica do indivíduo desde o momento que consiga ler e escrever. Incluir clássicos da língua portuguesa no currículo escolar para desenvolver a curiosidade é primordial para a criação de uma relação mais próxima entre o livro e o leitor angolano. 

 F&N - Quem é a Luaia Gomes Pereira?

LGP - Respondendo na primeira pessoa, sou uma jovem que acredita que são os momentos que fazem a vida. 

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