MUNDO REAL

 
6 de março 2017 - às 11:54

LIBERDADE: UM GANHO INCALCULÁVEL

Uma vez que a livre circulação já é uma realidade agora é preciso garantir serviços de qualidade nomeadamente melhorar a rede de transportes públicos, restaurantes ao longo das vias e nas principais cidades, pessoal do ramo hoteleiro bem capacitado e capaz de dar um atendimento satisfatório aos visitantes e preços justos.

 

Este mês tive a possibilidade de viajar pelo país de estrada, uma viagem linda em que pude apreciar a bela paisagem no caminho Luanda/Sumbe/Benguela e a vida daquelas pessoas que vivem na “Angola profunda”, longe dos holofotes e dos vícios que corroem as grandes cidades, e como corroem!

Viajar de carro é uma experiência ímpar que no nosso país só não é melhor devido ao mau estado de muitas estradas, no caso do troço Sumbe/Benguela é péssimo uma vez que a via é estreita e com muitos buracos o que provoca inúmeros acidentes com perdas humanas e materiais incalculáveis. É urgente fazer algo para melhorar o estado daquela estrada.

Este momento permite o reencontro das famílias, torna-nos cada vez mais próximos e permite, até, o reencontro de cada um com o seu país.

Apesar dos solavancos a viagem faz-se e enquanto avançamos pensamos na mais valia que é poder viajar pelo país livremente e de estrada, deleitar-nos com a beleza da terra e das nossas gentes. Viver estes momentos é extremamente importante principalmente para nós que já vivemos num país em que não era possível andar devido as restrições impostas pelo conflito armado. 

De comboio, de autocarro, em carros pessoais, os angolanos podem andar pelo seu país e desfrutar das belezas naturais e do contacto com as populações locais. Seria bom se aproveitássemos a possibilidade de livre circulação de pessoas e bens para fazer turismo interno até porque não há divisas, então, nunca houve momento melhor para conhecermos a nossa terra.

O turismo é uma importante fonte de receitas para o país e uma opção a ter em conta no actual contexto político e económico, e isso deve ser interiorizada pelos cidadãos nacionais porque não podemos nascer num país e viver nele a vida toda sem o conhecer na profundidade.

Uma vez que a livre circulação já é uma realidade agora é preciso garantir serviços de qualidade nomeadamente melhorar a rede de transportes públicos, restaurantes ao longo das vias e nas principais cidades, pessoal do ramo hoteleiro bem capacitado e capaz de dar um atendimento satisfatório aos visitantes e preços justos.

Chegados a este ponto importa realçar que os ganhos são para ser celebrados mas não podemos parar, temos que desejar mais e fazer mais. Temos muitos desafios pela frente, como diminuir as assimetrias regionais, levar efectivamente o desenvolvimento para cada município do país, recuperar as infra-estruturas degradadas, enfim, temos muito pela frente.

É importante também que quem governa o país viaje por estrada para conhecer a realidade das populações locais. Dificilmente vamos impactar a vida daqueles que não conhecemos, dificilmente vamos corrigir aquilo que desconhecemos. É preciso que os governantes saiam dos gabinetes, que mergulhem na “Angola real” que é muito diferente daquela que aparece nas telas ou daquela que nos descreverem. 

A implantação das autarquias (para quando?) é o caminho para garantir o pleno desenvolvimento das comunidades, é a via para garantir a melhoria da qualidade de vida das populações e é importante que possamos dar esse passo o mais rápido possível.

O país não pode esperar.

Apesar das dificuldades foi possível constatar que as populações locais são aguerridas, não cruzam os braços, lutam diariamente para garantir o sustento e, o que é melhor, têm sempre um sorriso para dar.

Estas e outras reflexões inevitavelmente vêm à mente quando viajamos pelo país, quando observamos o quão linda é a nossa terra e a beleza da nossa gente. 

Temos um longo caminho pela frente e somente nós (os angolanos) podemos materializar os nossos sonhos.   

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