LEITORES

 
6 de setembro 2017 - às 07:55

“KILÁPIS” BILIONÁRIOS DEVEM SER PAGOS, JÁ!

A única salvação talvez seja mesmo as Finanças "adquirir créditos problemáticos em toda a banca que desenvolva actividades no território nacional, desde que relacionados com processos direccionados à economia angolana". Fora deste quadro, creio que ninguém em perfeito juízo terá a ousadia em meter-se numa alhada dessas: cobrar biliões de kwanzas e milhões de dólares à uma elite protegida sabe-se lá por quem, porquê e até quando…

 

Quando deparei-me com a lista dos devedores do Banco de Poupança e Crédito, a minha primeira reacção foi de indignação.A segunda foi de um conformismo a que as pessoas deste país são forçadas a alinhar para que, ano após ano, consigam suportar a impunidade generalizada imposta. 

Poucas horas depois, li um comunicado da referida instituição bancária pública a “demarcar-se” da tal lista divulgada nas redes sociais num dia que não deve ter sido muito preocupante para a maioria esmagadora dos tais que viram os seus nomes estampados nas páginas do facebook, por exemplo. 

Acho que apenas um conseguiu sair da toca e “dar a cara”, argumentando que estaria de consciência tranquila, uma vez que existem várias instituições também suas devedoras em milhões de dólares, fruto do trabalho prestado com “muito sacrifício e suor” por si…

Como sabem que a maior parte da população angolana não tem sequer dinheiro para suportar as cobranças caríssimas das redes sociais, cujo acesso não é para qualquer um, ainda que seja funcionário do Estado pago pelo OGE, julgavam os credores que a notícia  passaria despercebida ou pelo menos não tivesse tamanha repercussão junto das grandes massas populares; essas mesmo que constitui a camada eleitora mais decisiva nos resultados finais definitivos do processo. 

Creio que  os responsáveis da instituição bancária lesada terá surgido com relativo atraso nos meios de comunicação sociais, pois os estragos estavam feitos, a imagem do banco arrasada e os seus directores passarão a ter um trabalho triplicado para andarem pelo país inteiro a tentar minorar o prejuízo.

Deve-se reconhecer que a retoma do surgimento em cena da empresa  que vai comprar o crédito malparado do BPC foi um golpe de génio raro de se ver no nosso sistema financeiro. Mas, como se sabe, é um processo complicado que vai durar uma eternidade, pois o processo de cobrança das dívidas  certamente vai deparar-se  com a maka da impunidade de alguns devedores, cujas alianças com os poderes instituídos são por demais conhecidas. 

O tal crédito malparado já foi baptizado por “crédito problemático”. A dimensão do seu estrago nos meios políticos e sociais não é só considerada  “problemática” como um autêntico desastre para quem quer governar a sério o país, mormente em tempos de crise financeira e fase de eleições gerais. 

A única salvação talvez seja mesmo as Finanças "adquirir créditos problemáticos em toda a banca que desenvolva actividades no território nacional, desde que relacionados com processos direccionados à economia angolana". Fora deste quadro, creio que ninguém em perfeito juízo terá a ousadia em meter-se numa alhada dessas: cobrar biliões de kwanzas e milhões de dólares à uma elite protegida sabe-se lá por quem, porquê e até quando…

Dizem as notícias e segundo o Económico,que “a nova empresa pública angolana Recredit, é uma espécie de 'banco mau' para concentrar activos de cobrança duvidosa, e vai começar a assumir o crédito malparado da banca pública, mas o Governo admite alargar a operação também às instituições privadas”. 

Vamos deixar que a Recredit, uma sociedade anónima de capitais públicos criada em 2016 e participada a 100 por cento pelo Ministério das Finanças, cumpra  com o objectivo de absorver o crédito malparado do estatal Banco de Poupança e Crédito (BPC), um dos maiores do país.É o que afirma a imprensa na sua generalidade.

Diz-se que o crédito vencido na banca angolana atingiu em 2015 os 355,6 mil milhões de kwanzas (quase 2.000 milhões de euros), de acordo com um relatório da consultora Deloitte apresentado em Novembro último, em Luanda.

 Sidónio K. Ferraz António - Namibe

 

TIRADAS DA IMPRENSA

“Mantenha seus olhos bem abertos antes do casamento; e semi-abertos logo depois.”

– Benjamin Franklin

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“Todos correm atrás da felicidade, mas a felicidade está correndo atrás de todos”

– Bertolt Brecht

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“Se você precisa de alguém para confiar, confie em você mesmo.”

– Bob Dylan

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“Hoje, as pessoas lutam para encontrar o que é real. Tudo se tornou tão sintético que um monte de gente, tudo que eles querem é agarrar a esperança.”

– Bob Marley

 

BOCAS SOLTAS

 Não é a primeira vez que os eleitores deste país generoso sentem na pele o quão absurdas são as medidas tomadas pelos seus “representantes” na Casa das Leis.Uma após outra, tais medidas visam tão somente fazer “funcionar como deve ser ” o parlamento e os seus deputados tenham todas as condições possíveis e extra-planetárias no sentido de fazer jus a importância do cargo que exercem em nome do povo. É o que se argumenta. Uma vez mais veio à tona a compra de carros a preços de fazer desmaiar o contribuinte menos avisado destas estórias habituais. Muito recentemente, aqueles “representantes do povo” aceitaram a proposta da  compra, pelo governo,  de viaturas de marca Lexus, modelo LX 570, de 2017, para os deputados da IV Legislatura da A.N., no valor de 12.934.500.000 de kwanzas (cerca de 77 milhões de dólares).As reacções de alguns leitores anónimos diante de mais um “escândalo”, como dizem, são óbvias:

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“Quando ouvi mais uma cena dessas, em princípio não quis acreditar, mas depois lembrei-me que isto é próprio de quem está no poder sem fazer qualquer esforço.Enquanto a malta se vai sacrificando para meter meia dúzia de pães na mesa, eles gastam milhões de dólares no luxo…”.

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“A culpa é do sistema eleitoral que temos no país. Não conhecemos quem elegemos, donde vêm e o que vão fazer no parlamento. E porque  estes deputados são eleitos através de listas  propostas pelos partidos políticos, somos obrigados a suportar certas atitudes”.

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“É verdade.Temos de rever a Constituição da República.Por mim, tinha de haver uma instituição popular independente que fiscalizasse e corrigisse algumas atitudes tomadas pelos deputados. Esta compra de viaturas a este preço é  disparatada, mas acho que nem o P.R. tem poder suficiente para travar uma coisa dessas”.

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“Inacreditável!Essa gente nem sequer avaliou o actual momento que o país vive financeiramente.Não há dinheiro nem para pagar salários em algumas empresas públicas importantes do país.Além disso, o país tem a sua imagem pouco credível em algumas instituições que sempre investiram aqui. Será necessário mudar a mentalidade da nossa classe política e isto é urgente”.

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“Vamos deixar que a Recredit, sociedade anónima de capitais públicos

criada em 2016 e participada a 100 por cento pelo Ministério das

Finanças, cumpra  com o objectivo de absorver o crédito malparado do

estatal Banco de Poupança e Crédito (BPC)". 

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