ÁFRICA

 
3 de abril 2018 - às 07:41

JUVENTUDE DO CONTINENTE INSATISFEITA ÁFRICA DOMINADA POR POLÍTICOS DO PASSADO

Nenhum continente é tão jovem quanto África. Mas não há espaço para os mais novos na política e nem perspectivas de que assumam posições de topo, num futuro próximo. As manifestações registadas nos últimos anos provam: As populações não estão nada satisfeitas. O Presidente camaronês, Paul Biya, tem 85 anos. O da Guiné, Alpha Condé, 80. Aos 75 anos, o novo chefe de Estado do Zimbabué, Emmerson Mnangagwa, é o mais jovem dos três

 

"Em geral, os países africanos têm o maior fosso entre a idade dos líderes políticos e da população, que é muito mais jovem. Mas não parece haver nenhuma indicação de que a geração mais jovem vai assumir a liderança, em breve", avalia Zachariah Mampilly, professor de Estudos Africanos no Vasser College, nos Estados Unidos.

Insatisfação geral - A população não está satisfeita. "Somos governados por líderes decrépitos", diz a activista zimbabueana Linda Masarire. A jovem de 35 anos já lutou contra o regime autoritário do ex-presidente Robert Mugabe. O seu sucessor, Emmerson Mngangagwa, também não foi bem recebido. Os políticos antigos ignoraram as necessidades dos jovens, afirma a activista.

"Temos jovens de cerca de 35 anos que nunca trabalharam em suas vidas, nunca receberam salário e não têm segurança social. Muitos deles estão a usar drogas, porque não têm esperança e não há futuro para eles", critica.

A situação para a geração mais nova não é sombria apenas no Zimbabué: 200 milhões de africanos têm entre 15 e 24 anos. Mas eles também representam 60% dos desempregados no continente. Muitos dos que têm emprego pertencem aos chamados "trabalhadores pobres" - eles mal podem viver de seus salários.

Deutsche Welle 

Desejo de mudança -Linda Masarire quer que isso mude e pretende concorrer como candidata independente nas eleições parlamentares de 2018. Para tal, planeia fundar um partido jovem. Mas muitos temem o envolvimento político, diz ela, seja no partido no poder ou na oposição.

"Há muita violência nos nossos partidos políticos no Zimbabué, independente se na oposição ou no poder. Então, muitas mulheres jovens não podem suportar isso, há muito assédio e coisas do tipo. Os jovens não têm a chance de estar no topo das tomadas de decisão políticas ou das estruturas governamentais", considera.

Também Job Shipululo Amupanda teve experiências ruins com um partido na Namíbia. O cientista político de 30 anos foi membro do conselho da Liga Juvenil do partido no poder, a Oranização do Povo do Sudoeste Africano (SWAPO, da sigla em inglês). Actualmente, lidera o movimento "Reposicionamento Afirmativo", que luta contra a pobreza e a corrupção. Somente graças a um veredicto judicial, Amupanda pôde permanecer membro da SWAPO.

"Quando os jovens se posicionam, os membros do partido perguntam: Onde você estava quando lutamos pela independência?". Eles pedem as suas credenciais na luta, independentemente do seu nível de educação e da sua transparência", lamenta o político. (In Deutsche Welle). 

 

CADA VEZ MAIS PROTESTOS

De acordo com um estudo realizado pela rede de pesquisa pan-africana Afrobarometer, em 2016, apenas 65% dos jovens com idades entre 18 e 35 anos participaram das últimas eleições em seu país.

"Muitos jovens sentem que o voto é insuficiente, com razão, e estão procurando maneiras alternativas de fazer ouvir suas vozes. Os protestos se tornam mecanismos para isso", avalia o professor de estudos africanos, Zachariah Mampilly.

Em 2015 e 2016, houve protestos em quase a metade de todos os países africanos. No Zimbabué e na República Democrática do Congo, sobretudo os jovens se manifestaram contra seus presidentes impopulares.

No Senegal e no Burkina Faso, os manifestantes conseguiram expulsar presidentes autoritários. Fora isso, os protestos raramente são bem-sucedidos, diz o especialista.

"É doloroso assistir, quando os jovens tomam as ruas e são reprimidos com força militar esmagadora, na maioria das ocasiões", afirma.

Oficialmente, os políticos africanos reconheceram o problema. A União Africana aprovou a Carta da Juventude Africana, em 2006, e criou a "Década da Juventude Africana" – que decorre de 2009 a 2018.

Mas para Linda Masarire do Zimbabué os jovens têm a obrigação de responsabilizar líderes políticos incapazes.

"Não podemos aceitar que um continente tão rico em recursos, sofra. Precisamos de líderes competentes que realmente querem desenvolver África com seriedade", conclui a ativista. 

(In Deutsche Welle).

 

GUINÉ EQUATORIAL DIZ QUE "GOLPE" FOI PLANEADO EM FRANÇA

MERCENÁRIOS TENTAM DERRUBAR OBIANG 

A alegada tentativa de golpe de Estado foi engendrada "em território francês", segundo o chefe da diplomacia da Guiné Equatorial,Agapito Mba Mokuy, que, todavia, afirmou  recentemente  que o Governo francês nada tem a ver com o plano, frisando que a Guiné Equatorial quer "cooperar com França assim que surjam mais informações"

Segundo a Deutch Welle, as relações entre a Guiné Equatorial e a França agravaram-se depois do filho de Obiang, Teodorin Obiang, ser condenado em Paris a três anos de prisão e ao pagamento de 30 milhões de Euros, com pena suspensa, por desvios de fundos públicos, lavagem de dinheiro, corrupção e abuso de confiança. Teriam sido desviados mais de 180 milhões de dólares, de acordo com a imprensa parisiense.

Obra de "mercenários" – Recorde-se que o Executivo equato-guineense anunciou, em Dezembro, que impediu um golpe de Estado contra o Presidente Teodoro Obiang e deteve dezenas de opositores. Segundo a Guiné Equatorial, mercenários estrangeiros planearam o golpe.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Agapito Mba Mokuy, disse que 27 "terroristas ou mercenários" foram detidos numa caça ao homem após a tentativa de golpe. Entretanto, fontes de segurança dos Camarões comunicaram que "mercenários" detidos pela polícia camaronesa eram do Chade, do Sudão e da República Centro-Africana.

O presidente da RCA, Faustin-Archange Touadéra, visitou a capital da Guiné Equatorial, Malabo, para oferecer o seu apoio ao Governo. "Precisamos de saber se os centro-africanos que foram presos têm passaportes verdadeiros ou falsos", afirmou a Presidência em Bangui à agência de notícias AFP.

O governo da Guiné Equatorial recebeu outras mensagens e visitas de apoio. O chefe da diplomacia do Chade, Mahamat Zen Cherif, afirmou que "todos os países da sub-região devem unir esforços para realizar investigações para não só entender o que aconteceu aqui, mas também para chegar à origem desta tentativa de desestabilização." Nesta “onda de solidariedade”,  o enviado especial das Nações Unidas, François Lonseny Fall, garantiu apoiar a Guiné Equatorial após a ameaça de "golpe".

Teodoro Obiang é o Presidente há mais tempo no poder em todo o continente africano. Os críticos acusam o Presidente de repressão, fraude eleitoral e corrupção. Obiang, que assumiu o poder a 3 de Agosto de 1979, foi reeleito em 2016, com mais de 90% dos votos. (AFP, Lusa). 

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