DESPORTO

 
8 de junho 2017 - às 06:14

JULGAMENTO DE ANDRÉ RODRIGUES MINGAS ATAQUE À SELECÇÃO DO TOGO CONHECE DESFECHO EM PARIS

No dia 6 de Junho deste ano muitas atenções do futebol em Angola, em África e no Mundo, convergirão para a capital francesa, Paris, onde a 16ª Câmara Correccional do Tribunal de Grande Instância ditará a sentença que  pode condenar ou absolver o cidadão angolano André Rodrigues Mingas, Chefe de Estado-Maior da FLEC que em Janeiro de 2010 reivindicou, em nome dessa ala do movimento, o ataque contra a selecção do Togo que ia a Cabinda participar na Taça de África das Nações

 

O processo já foi discutido e, pelos factos que servem de prova, o Tribunal decidirá se efectivamente a ordem do ataque, no dia 8 de Janeiro de 2010, partiu ou não de André Rodrigues Mingas.

Pela parte angolana acompanharam o julgamento o Vice-Procurador-Geral da República de Angola, Domingos André Baxe, e pelo embaixador de Angola em França, Miguel da Costa. André Rodrigues Mingas conta com a defesa assegurada pela Advogada Solenn le Tutor.

Não se conhece ao pormenor o conteúdo dos factos discutidos nem as provas nos autos que recaem sobre o líder da FLEC que já esteve detido entre 2011 e 2012, após uma participação por acto terrorista accionado pelas autoridades angolanas.

O ataque ocorreu na área de Massabo onde a FLEC montou o ardil para a comitiva congolesa que estava a caminho da cidade de Cabinda onde Togo ficaria alojada na a Vila Olímpica, localizada em Buco Ngyo, em Cabinda, reservada também, na altura, às selecções  da Côte d’Ivoire, Ghana e Burkina Faso.

O ataque no momento foi denunciado pelo Governo Angolano na voz pelo então ministro da Comunicação Social, Manuel Rabelais. Houve igualmente uma posição oficial do Comité Organizado do CAN (COCAN) que através do seu director executivo e então presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), Justino Fernandes, afirmou que o Togo não informou que chegaria por via terrestre a Cabinda.

Justino Fernandes chegou a revelar/lembrar que os regulamentos da CAF orientam que as delegações devem chegar sempre por avião, uma posição na altura também apoiada pelo responsável do gabinete de Comunicação e Imagem da CAF, o nigeriano Souleiman Habuba, segundo o qual, em caso de dificuldades pode uma delegação ser buscada do seu país para o palco da competição. Aconteceu com as selecções dos Camarões e Nigéria.

Por isso, Justino Fernandes afirmou à data que, se o Togo tivesse avisado, um avião da Transportadora Aérea Angolana (TAAG) teria ido ir a Ponta Negra buscar a delegação daquele país

O paradoxo foi que, depois do ataque, o Governo do Togo enviou um avião fretado à Ponta Negra (Congo) e depois a Cabinda, com emissários para se inteirarem do ocorrido.

O então secretário-geral da Federação Internacional do Futebol Associado (FIFA), Jérôme Valcke, a uma entrevista concedida à rádio France Bleu, afirmou que a Confederação Africana de Futebol (CAF) tinha sido advertida sobre as ameaças de ataque da FLEC contra alvos humanos e materiais durante o CAN-2010 em Cabinda.

Disse também que o anterior presidente da FIFA, Joseph Blatter, tinha recebido a 27 de Outubro, na Suíça, uma carta do movimento rebelde e independentista a intimar que durante o CAN haveria ataques contra qualquer participante. A missiva fora endereçada à CAF.

Consumado o ataque contra o Togo e face aos avisos que tinha feito a FIFA contactou com a Confederação Africana, particularmente Issa Hayatou, para fazer um relatório completo. Este e Souleyman Habuba, na altura chefe de imprensa da CAF, afirmaram publicamente que a culpa era do Togo por não ter notificado que chegaria a Cabinda via Ponta Negra, por estrada.

O presidente da FIFA, que mais tarde foi visto do Estádio 11 de Novembro em Luanda ao lado do Presidente da República, José Eduardo dos Santos a assistir a meia final entre a Nigéria e Ghana, mostrou-se  "profundamente comovido" com o ataque terrorista.

Nicolas Maingot porta-voz da FIFA leu um comunicado em que se sublinhava: "a FIFA e o seu presidente Joseph Blatter estão profundamente comovidos com os incidentes que afectaram a equipa nacional do Togo a quem expressam a sua máxima simpatia".

Os únicos mortos do ataque, que depois foram já enterrados em Lomé (Togo), em cujo funeral estiveram presentes dirigentes angolanos, são o jornalista e porta-voz da delegação atacada do Togo, Ocloo Stanyslays, e o treinador adjunto, Amelete Abaló.

O médico da selecção, Odadje Pandije, o treinador de guarda-redes, Nibombe Wake, todos togoleses, e os angolanos António Maria Quaresma (motorista), André Muleta (membro do EMOCAN) e o congolês Godon Pierre (guia), foram todos tratados no Hospital de 28 de Agosto em Cabinda, por médicos angolanos locais e idos de Luanda.

O guarda-redes da selecção do Togo, Kodjovi Obilale,  agora locomovendo-se  com muletas/canadianas, que está em Paris como testemunha a depor contra André Rodrigues Mingas, chegou a ser enviado a Joanesburgo ( África do Sul) e tratado no Mpark Hospital, sob os cuidados do traumatolgista o Ken Bofford. 

Copyright © Figuras & Negócios - Todos os direitos reservados strong>

Contato
Home
Acervo Digital