SOCIEDADE

 
26 de dezembro 2016 - às 07:45

JOGOS DE AZAR QUE VERDADE ABSOLUTA?!

“Numa sexta-feira a noite, estando em casa e sem nada para fazer, preparei-me e decidi ir a um dos casinos que existem pela cidade de Lisboa. O Casino Lisboa, muito frequentado por angolanos, e que fica no Parque das Nações, uma das zonas mais emblemáticas desta cidade, foi o escolhido

 

Sentei-me num dos vários bares, com um ambiente super e acolhedor e pedi uma cerveja para consumo. Depois de algum tempo ali sentada e de boa conversa com duas amigas, que me acompanharam na empreitada, começa o jogo, o chamado Bingo, que consiste em anotarmos números dados pelo mestre cerimónia, na mesa onde nos encontramos sentadas, a ver se sai a sorte grande, que acontece quando determinada quantidade de números corresponde a mesa em que nos encontramos, vi ganharem, primeiro, um casal brasileiro, que se encontrava em Lisboa de férias e a seguir, uma rapariga que dizia sair por vários finais de semana do Viseu com alguns amigos, para tentar a sua sorte.

Como devem imaginar, eu não habituada a este mundo não percebia nada sobre a obcessão destas pessoas pelos jogos, que sempre ouvi chamar de jogos de azar. Jogos de azar, porque até mesmo quem ganha com eles, fá-los por cima do azar de outras pessoas.

Tentei falar com pessoas de uma mesa ao lado, também muito empolgadas com o jogo, mas sem sucesso; a pergunta que me foi feita: “a Senhora está aqui para ganhar o seu ou controlar a vida alheia? Faça o seu jogo que nós também estamos a tentar a “sorte”! Pois com a noção de que o povo brasileiro é mais simpático e hospitaleiro, decido percorrer alguns metros e meter conversa com eles. Em pouco tempo, sentei-me naquela mesa e comecei a conversar com o pessoal que aí estava. Aí então percebi que toda a empolgação dos jogadores do azar é sempre sob a expectativa de ganhar algum.. Um jovem muito expontâneo, disse-me: “Já pensou eu ganhar a sorte grande aqui em Portugal? Nossa, não volto pro Brasil, não. É a tal coisa, nesse jogo você gasta algum para jogar, mas o que pode vir, pode ser o retorno daquilo que você e mais umas 100 pessoas gastaram.” 

Pronto, muito obrigada, bem entendido é daquelas coisas tão maliciosas que consiste no processo de colheita do dinheiro dos clientes mas que não oferece um retorno justo. Agora sinto-me em condições de fazer o trabalho que o meu director me propôs sobre os jogos do azar.”

Estes jogos, que existem pelo mundo inteiro, não têm as mesmas regras e nem liberdades pelos diferentes países ainda que do mesmo continente. Por países europeus mais desenvolvidos ainda se carece de uma autorização para explorar jogos de azar, já que se encontra mesmo previsto no Código Penal de alguns deles uma pena para quem organiza lotarias ou jogos de azar sem prévia autorização do governo. Sendo que a única excepção à regra, reside nas apostas hípicas. O jogo é basicamente limitado àqueles que acontecem em máquinas instaladas no exterior dos casinos. Na Europa, o mercado espanhol é dos mais importantes. Com 700 Euros por ano e por habitante gastos em jogos online, os espanhóis mostram-se mais interessados neste mercado do que os seus  vizinhos.  O que forçou o governo à introdução de uma legislação específica em Janeiro de 2012, cuja implementação permitiu que o número de apostas disparasse de 200 mil para um milhão. O Reino Unido é o país das casas de apostas, na sua essência, já que a política dos jogos de azar é aberta e os impostos sobre ganhos e apostas são de cerca de 3%, muito baixos em relação aos outros países.

A China, onde apenas na Ilha de Macau são permitidos os jogos de azar, através de um estatuto administrativo especial; vai trazendo, nos últimos tempos, para Angola a sua experiência e muitas casas onde se jogam os malditos jogos.

É assim que em Angola vão surgindo cada vez mais casas de jogos de azar e, mesmo, de apostas desportivas. A proposta de lei da Actividade de Jogos, aprovada durante a 3ª Reunião Plenária ordinária da 4ª Sessão Legislativa, com 154 votos a favor, zero contra e 34 abstenções, visa regular a actividade de jogos de fortuna ou azar, jogos sociais e online (designados no documento jogos remotos em linha), além de aumentar os postos de trabalho.

Hoje, é visível um crescimento acelerado, uma procura muito boa e, as casas vão tendo um óptimo funcionamento e receitas. Além de que vivamente estes investimentos milionários vão aliciando cada vez mais pessoas, e, de uma maneira ou de outra vêm também contribuindo para um turismo a cada dia mais vivo, e para a imagem do país, cujo clima é o da diversidade cultural e do crescimento económico.

Segundo clientes não identificados dos casinos angolanos, ganham-se e perdem-se grandes fortunas nas apostas. Neste mundo meramente restrito e deveras luxuoso, as vezes, é preciso comprar fichas no valor de 5 mil dólares. 

Fomos ainda saber que muitos dos apostadores são figuras públicas que entram para as salas de jogos com malas cheias de dinheiro. Têm sido feitas apostas estupidamente altas, e, claro, nelas, tal como se perde, ganha-se muito dinheiro.

A Plurijogos, quase monopolista do sector angolano e a sua marca, Casinos de Angola, que existe desde 2010, explora os grandes casinos em Angola, nomeadamente o Olímpia (Lubango), Tivoli, Marinha e Golden Lion (Luanda) e as salas de jogo Imperador Millionaire e nem permite disputa com os outros casinos em Angola; mesmo porque, para além das suas fracas dimensões são pouquíssimos. 

Numa fraca disputa com o grande grupo fala-se de uns poucos como é o caso dos Casinos Royal e Marco Pollo, em Luanda; e também o Rivas, no Lubango e umas poucas unidades de muito pouquíssima expressão no Huambo e em Benguela. 

Com tudo isto, não restam dúvidas de que o negócio dos casinos, à parte a crise económica que o país vive, vão crescendo e nesta altura já parecem ter dado passos larguíssimos, embora, segundo sabemos por fontes jornalísticas, muitas funcionam de forma ilegal, e são mesmo acusadas de estarem envolvidas em lavagens de dinheiro.

Por parte do Instituto de Supervisão de Jogos e da Associação de Jogos de fortuna e azar lotarias e jogos sociais de Angola (AJOGOS), recebemos um “ruidoso silêncio”, bem como das casas de jogos para onde solicitamos entrevistas, o que fez desse trabalho resultado apenas duma visão jornalística.

De resto para aqueles que fazem fé nos jogos, a história dos Casinos em Angola vem já sendo escrita com letras de bronze.. E seria assim se os Casinos que vimos pela cidade de Luanda, crescentes a cada dia que passa fossem legais, arrecadassem realmente receitas para o Estado e proporcionassem aos seus trabalhadores condições exigidas pela lei do trabalho. 

Só olharmos para projectos como o Casino Gika, que se espera venha de ser de cinco estrelas e um dos maiores do continente. A previsão é que tenha uma área de 6500 metros quadrados, irá exigir um investimento de 35 milhões de dólares vem gerar cerca de 500 empregos, numa primeira fase. 

 

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