PAÍS

 
30 de julho 2018 - às 11:18

JOÃO LOURENÇO E OS DESAFIOS DAS TELECOMUNICAÇÕES

O Presidente da República afirmou recentemente que é intenção  do Executivo angolano continuar a investir em projectos estruturantes e indutores como a infra-estrutura nacional em banda larga assente em fibra óptica, a infra-estrutura nacional de transmissão por satélite no quadro do ANGOSAT para si o governo angolano reforçará também o investimento no cabo submarino no quadro do projecto Angola Cable que liga o país com o resto do mundo, bem como na criação da indústria e mercado da teledifusão no quadro da Estratégia da Migração Digital

 

AS TIC DEVEM SER CATALISADORAS DO DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO

João Lourenço, que falava na cerimónia abertura do ANGOTIC- Angola ICT Fórum 2018, considerou  que a aplicação das novas tecnologias de informação e comunicação nos mais variados sectores da vida nacional pode “potenciar o desenvolvimento sustentável, a inclusão económica, a reforma do Estado, a boa governação, a modernização e desburocratização do serviço público, assim como o surgimento da economia digital e do governo electrónico, como mecanismos de melhoria do ambiente de negócios e da maior eficiência dos quadros, dos técnicos, dos gestores e das empresas”.

Para o Chefe do Executivo angolano, no mundo globalizado em que vivemos, é hoje praticamente impossível perspectivar-se o futuro de qualquer empresa, instituição ou mesmo de um país sem a existência de uma rede de telecomunicações abrangente, moderna e eficiente.

“Por essa razão, o Executivo aposta fortemente na criação das condições que nos permitam dispor dos serviços básicos de telecomunicações, afectados durante muito tempo por razões objectivas e conjunturais de diversa ordem”, declarou.

Neste contexto, o Chefe de Estado angolano diz aprovar a continuidade da promoção do desenvolvimento sustentável dos serviços de telecomunicações de uso público e a formulação das linhas orientadoras que permitam a médio e longo prazo dar satisfação às necessidades básicas das populações, das empresas e de todos outros utilizadores em todo o território nacional.

“A nossa política de telecomunicações visa essencialmente a criação das bases para uma nova estrutura de mercado, por forma a explorar as potencialidades das TIC nas suas vrias dimensões, económica, social, cultural e ambiental. As TIC constituem de facto, o instrumento fundamental para a modernização e desenvolvimento da capacidade produtiva, governativa e da vida social das populações”, salienta o Presidente da República, acrescentando que, neste contexto, o seu Executivo pretende encarar e vencer o desafio de transformar as telecomunicações em Angola num elemento catalisador do desenvolvimento económico em geral, sem esquecer a necessidade de harmonização com os países vizinhos da África Austral e Central e com o mundo em geral, como forma de evitar a exclusão do desenvolvimento tecnológico, da internacionalização da indústria e da globalização dos mercados.

O Chefe de Estado angolano revelou durante o fórum, que , como fruto dos investimentos públicos e privados realizados ao longo dos anos, Angola já se destaca no contexto da África subsaariana com uma infraestrutura de telecomunicações que vem crescendo em termos de cobertura nacional e em qualidade, capaz de se constituir em relevante suporte à massificação das TIC e à sua utilização por todos os estratos da sociedade.

Na mesma linha, esclareceu que ao pretender ser parte activa no contexto das nações que almejam o desenvolvimento e a melhoria contínua das condições de vida do seu povo, Angola está consciente dos desafios que ainda tem de vencer na luta contra a pobreza, bem como o efeito multiplicador que os investimentos nas TIC produzem na economia de qualquer país.

“Com o mesmo objectivo, prestaremos toda atenção na criação de parques tecnológicos no âmbito da capacitação dos recursos humanos, no desenvolvimento intelectual e científico, na transferência de tecnologia e do saber, na massificação do uso da Internet nas escolas através de pontos de acesso e na disponibilização dos recursos digitais ao público em geral através dos pontos públicos, mediatecas e das iniciativas do sector empresarial privado”, prometeu.

João Lourenço chamou atenção para o facto de no mundo globalizado de hoje, não se descurar a ciber segurança por nenhum dos utilizadores das tecnologias de informação e comunicações, começando pelo Estado, as empresas e instituições como também pelo cidadão individualmente falando.

Em sua opinião, “se por um lado as TIC são um importante factor de desenvolvimento técnico-científico, económico, de intercâmbio cultural e união dos povos, por outro lado têm vindo a ser usadas em todo o mundo também com fins (…) criminosos, desde o incitamento ao racismo, à xenofobia, à intolerância religiosa, na educação, mobilização e recrutamento de potenciais terroristas, na prática da burla para acesso de dados bancários, sem esquecer a difamação, a calúnia contra a honra e o bom nome de cidadãos e de instituições honestos”.

João Lourenço garante que é dever do Estado promover e incentivar o desenvolvimento e a utilização massiva das tecnologias de informação, mas, ao mesmo tempo acha necessário também alertar os usuários, sobretudo os mais jovens, dos perigos da sua má utilização para não lesarmos interesses de terceiros, bem como dos cuidados a ter para não se cair na condição de vítima.

Para si, da mesma forma que se houver um atropelamento ou uma arma de fogo disparar e ambos causarem danos, a responsabilidade não é imputável à máquina mas ao motorista ou ao atirador, também no caso das TIC a responsabilidade só é do utilizador, que se serve delas para promover o bem, o progresso e o desenvolvimento, ou se serve delas para promover o mal e o crime.

“As redes sociais que vieram facilitar a comunicação rápida entre as pessoas e cuja utilização sobretudo pelos jovens nós encorajamos e incentivamos, também esconde alguns perigos, pela possibilidade dos autores e difusores de certos conteúdos de média se esconderem no anonimato ou na utilização de falsa identidade, o que pode dificultar a sua identificação e consequente responsabilização pelos danos causados”, alertou.

  O Chefe do Executivo considera que, apesar dos resultados positivos alcançados ao nível das comunicações electrónicas com 13 milhões de utilizadores da rede móvel e 5 milhões de usuários da Internet, “é necessário perspectivar o surgimento de outros actores no mercado o que esperamos possa acontecer com a emissão de mais uma Licença para uma nova operadora de telefonia móvel, em função do concurso que está a decorrer, assim como a privatização de parte do capital da Angola Telecom”.

João Lourenço garantiu igualmente que as pequenas empresas "Startup', serão estimuladas a surgir no mercado, abrindo deste modo uma oportunidade aos jovens que queiram entrar no mercado das TIC. “Tudo isso só será possível se for desenvolvido também um amplo programa de formação de quadros, engenheiros, programadores e técnicos de software”, aconselhou, incentivando aos jovens angolanos que tenham a ambição de criar e desenvolver aplicativos, no sentido de concorrer com os de outras paragens que vendem para os grandes fabricantes de computadores, tablets e telemóveis.

“As Tecnologias de Informação e Comunicação abriram novas janelas de oportunidades nos países do nosso continente, para estes acelerarem o seu crescimento e desenvolvimento económico e que o seu uso intensivo pode trazer vantagens comparativas sem precedentes ao continente. Angola já se inscreveu na linha da frente dos países que compreenderam a importância de investir nas TIC, reduzindo assim a diferença digital e acelerando a integração da sua economia e da economia de África na economia mundial”, afirmou.

Entretanto, acha indispensável, tomar outras medidas, tais como aumentar a teledensidade, assegurar um nível adequado do acesso  dos lares às TIC,  bem como baixar os custos e melhorar a fiabilidade dos serviços.

“A expansão dos serviços a todos os nossos cidadãos, com qualidade e a preços acessíveis deverão ser uma preocupação permanente do sector.

Tenhamos todos a ousadia e a determinação, de criar as condições que permitam a emergência e a solidificação da nova era da sociedade digital, a fim de garantirmos uma sociedade moderna com serviços electrónicos cada vez mais próximos dos cidadãos”, desafiou. 

 

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