POLÍTICA

 
26 de dezembro 2016 - às 07:44

JOÃO LOURENÇO FALOU NO 10 DE DEZEMBRO “O MPLA É UM PARTIDO VENCEDOR”

O MPLA, partido no poder, acaba de comemorar sessenta anos da sua existência. A história marca e revela uma continuidade de vitórias e reversos, mas no capítulo derradeiro desta mesma história lembra que é, de facto, um partido vencedor. Quer se queira quer não,  a verdade é que, depois de uma trajectória de vida com muitos capítulos políticos, alguns dos quais sangrentos, o MPLA manteve-se e firme, transformou-se em partido/Estado e continua a sua vida

 

Poucos foram os momentos de júbilo e de festa nas comemorações do sexagésimo aniversário, mas existiram algumas novidades, como o facto de, dias antes, o seu principal actor político ter declarado que não vai concorrer às eleições presidenciais marcadas para o próximo ano. José Eduardo prepara-se para sair de cena, deixando incrédulo meio mundo e descansado outros membros do partido no poder.

João Lourenço fez a sua aparição pública como o cabeça de lista do MPLA no próximo pleito eleitoral e  disse mais ou menos isto, diante de uma multidão de acólitos desejosos de ouvir a sua mensagem. 

Não terá sido fácil para João Lourenço falar ao que vinha, diante do maior estádio de futebol do país que não encheu, mas fê-lo com alguma clarividência como futuro líder do partido, e, possivelmente, Presidente da República.

O "homem do momento político" no país fez uma incursão, num discurso feito de improviso, à vida e a história dos 60 anos de existência do Movimento Popular de Libertação de Angola, MPLA. Referiu-se, incisivamente, sobre a luta de libertação,  a conquista da independência, em 1975, e da paz, trazendo para o seu partido a honra e a glória de todos os feitos inerentes à reconstrução do país depois de uma guerra que durou mais de trinta anos.

João Lourenço mandou um recado que pode fazer história nas relações com os Estados Unidos da América, com um novo timoneiro na nação industrial mais poderosa do mundo, ao fazer uma leitura cáustica  sobre a "primavera árabe" não ter hipótese de sucesso em Angola, porque “o país só tem duas estações e a primavera não é uma delas e, depois, porque não somos um país árabe”.

Um dia antes, o Bureau Político do Comité Central do MPLA exarou uma declaração, onde assumiu que  o 10 de Dezembro de 1956 é uma data digna de figurar na História de Angola, por ser o marco da tomada de consciência e da união dos diferentes extractos sociais que constituem o tecido nacional, pois, foi nessa ocasião que foi divulgado o histórico Manifesto do MPLA, que indicava a luta revolucionária como o único caminho para o povo angolano libertar-se do colonialismo português.

“Como o maior partido de Angola, o mais capaz e o mais organizado, o MPLA nasceu da esperança de todo um povo e foi forjado na sua própria coragem, tendo-se transformado, quantitativa e qualitativamente, ao longo da sua existência. De um amplo Movimento Popular de Libertação de Angola, o MPLA transformou-se em partido selectivo e, posteriormente, em partido de massas e de quadros, para vencer todos os desafios e realizar a sua missão política e social de cada etapa histórica. O MPLA é o elemento catalisador que conduziu à vitória sobre o colonialismo e à conquista da Independência Nacional de Angola, sob a firme liderança do saudoso camarada presidente Agostinho Neto”, afirma-se na declaração do Bureau Político do maior partido político angolano, que, todavia, reconhece que,  neste momento, existem “grandes constrangimentos a superar, mas também de festa”.

 “O  MPLA renova, em nome dos seus militantes, simpatizantes e amigos, o seu firme propósito de continuar a luta em defesa da independência nacional, de consolidação da paz, do reforço da democracia e de preservação da unidade e coesão nacional, para que sejam garantidos os pressupostos básicos necessários ao desenvolvimento, para melhorar a qualidade de vida dos angolanos, para elevar a inserção da juventude na vida activa, para apoiar o empresariado nacional e para reforçar a inserção competitiva de Angola no contexto internacional”, lê-se no comunicado referenciado.

De referir que João Lourenço alertou que  um processo de desenvolvimento do país, com ou sem o petróleo está em curso. “Temos que descobrir os soldados da paz, os generais da paz, do desenvolvimento, aqueles talentos que vão gerir da melhor forma as nossas empresas, os grandes conglomerados económicos” e dirigir e organizar a economia a ponto do país ter mais e melhor energia, água, educação, saúde e estradas”, disse. “Queremos gestores que, com transparência e sabedoria, dão garantias que Angola pode se desenvolver nos próximos anos, mesmo que o preço do petróleo não suba”, acrescentou.

“Se por algum milagre, o petróleo sumir, não teremos de chorar por isso. Deus foi generoso com Angola. Deu muita coisa boa e não devemos ser ingratos com Ele. A melhor forma de agradecer por nos ter oferecido praticamente tudo, é explorar ao máximo as outras riquezas que a natureza nos oferece”, referiu João Lourenço no seu discurso de improviso. 

 

MPLA AGRADECE  FIDEL

O líder da Revolução cubana, Fidel Castro, que faleceu há um mês, foi dos líderes políticos mundiais nomeados por João Lourenço como um dos partícipes mais activos  na luta de libertação nacional e proeminente figura na própria independência da Namíbia e da erradicação do regime do apartheid na África do Sul.

O agora vice-presidente e cabeça de lista do MPLA que, segundo se acredita, irá conduzir a mais uma vitória eleitoral do “M”, no próximo ano, segundo se cogita, lembrou que  a ajuda internacionalista de Cuba, chegou num  momento difícil para si, mas  “estendeu a sua mão ao povo angolano”, acrescentando que  Fidel Castro ajudou Angola de forma desinteressada do seu petróleo, diamantes e outras riquezas, ao enviar os seus filhos para combater junto dos angolanos.

 

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