POLÍTICA

 
28 de junho 2016 - às 07:47

ISABEL DOS SANTOS PORTAS ABERTAS PARA O MUNDO DA POLÍTICA

O próximo congresso do MPLA, previsto para o mês de Agosto, dissipará todas as dúvidas mas tudo aponta que a recente nomeação, pelo Presidente da República, de Isabel dos Santos para Presidente do Conselho de Administração da Sonangol é o primeiro passo para que a empresária se envolva directamente na política. Se assim acontecer, aliás, não será um caso raro atendendo que os dois últimos presidentes da petrolífera angolana fizeram o mesmo percurso antes de serem vistos como quadros envolvidos na política com responsabilidades executivas no governo

 

Joaquim David, que foi PCA da Sonangol de 1989-1999, deixou o cargo catapultado para Ministro das Finanças e foi guindado a membro do Comité Central do Partido dos Camaradas, Manuel Vicente, PCA da petrolífera até 2011 (1999-2011), tornou-se membro do Bureau Político do MPLA, Ministro de Estado para a Esfera Económica e mais tarde, vice-Presidente da República, cargo que ocupa até ao presente momento.

Isabel dos Santos, tida como uma empresária versátil e muito bem sucedida no mundo dos negócios que a transformaram numa das mulheres mais ricas do continente africano, foi envolvida no caldeirão do mundo da política com a sua recente nomeação para PCA da Sonangol e é curial que se acredite que, no seu horizonte, possa estar a intenção de um mergulho mais profundo no mundo da política, numa altura em que se conjectura sobre o futuro de Angola, à luz de uma possível reforma política do actual Presidente da República, o Presidente José Eduardo dos Santos, e quando se verifica na vida dos partidos activos no panorama nacional um refrescamento  de gerações.

Regra geral, no mundo da política ocidental sobretudo, as pessoas vão para a política depois de conseguirem fazer bom "pé de meia" na vida empresarial e de negócios, e se esse critério for copiado para Angola, Isabel dos Santos tem campo aberto para chegar longe por três razões fundamentais: Inovadora, versátil nos negócios e muito rica, não precisará mais de se engajar na política para ganhar dinheiro, como agora aqui acontece; é uma mulher culta e numa altura em que se fala na igualdade de género, as possibilidades que se lhe colocam são imensas por todos os requisitos que reúne,sendo o mais forte o facto de ser filha primogénita do actual Presidente da República que terá uma palavra a dizer, quiça determinante, quanto à sua sucessão, mesmo não perdendo de vista as regras de jogo da democracia onde só governa quem for respaldado nas urnas.

No quadro da correlação de forças actuais, não se pensa cegamente que Eduardo dos Santos poderá estar a preparar mecanicamente a sua filha para ascender ao mais alto cargo da hierarquia do País, até porque Angola não é um regime monárquico. Mas pensando-se na vontade da empresária se envolver de corpo e alma no mundo da política, a influência do actual Presidente da República, que se ocupará com minúcia da sua sucessão, pode ser determinante, primeiro, para a ascensão dela ao topo das estruturas do MPLA, mormente o seu Bureau Político.

Se se tiver em conta que o Presidente da República manifestou vontade de se retirar da vida política activa em 2018, mas que as eleições presidenciais acontecerão já em 2017, analistas da vida política angolana não descartam a hipótese de Eduardo dos Santos concorrer ao próximo pleito eleitoral com muitas hipóteses de o vencer poder ser substituído no meio do mandato, em 2018, pelo seu vice-Presidente, que tudo aponta possa vir a ser João Lourenço,actual Ministro da Defesa, que cumpriria o mandato até ao fim. Continuando Eduardo dos Santos a dirigir o seu Partido, (ele é o candidato único à sua sucessão) estaria em condições de influenciar, em 2022, a lista de candidatos do seu Partido às eleições, e aí surgiria Isabel dos Santos como candidata a Presidente de Angola e continuando o MPLA com a mesma máquina mobilizativa e com "pazes" feitas com a Sociedade, que, no caso se deve traduzir numa governação mais transparente, ela pode vencer o pleito.

Se até lá o seu percurso não for atropelado por escândalos ou "zonas cinzentas" de que a prova de fogo são as responsabilidades que agora assume na Sonangol,uma nomeação criticada e elogiada em prismas diferentes, Isabel dos Santos tem condições para se tornar uma Presidente, fundamentalmente pelo curriculum tecnocrata que carrega, e numa altura em que o continente africano reclama de líderes com ideias refrescadas e inovadoras.

Ideias refrescadas e inovadoras que num passado recente, na chamada África negra, era improvável a nomeação de um mestiço para o mais alto cargo do País. Isabel é filha do Presidente Eduardo dos Santos com uma mulher branca que faz dela uma mulher mestiça mas nem por isso impedida pela Constituição de concorrer a qualquer cargo. Alias, a dinâmica da evolução da história no continente permitiu ultrapassar esse preconceito, primeiro no Gana, com a nomeação de Jerry Rawlings como Presidente da República e, posteriormente no Botswana, com a eleição de Iam Kahma, mestiço, filho de um antigo Presidente, Seretse Kahama.  

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