POLÍTICA

 
28 de junho 2016 - às 07:46

ISABEL DOS SANTOS, PCA DA SONANGOL MÃOS NO ÓLEO PARA COLHER DIVIDENDOS

Isabel dos Santos e o seu staff têm fé que o ambiente criado pelas reacções negativas ou de reserva à sua nomeação para o lugar de PCA da Sonangol venha a dissipar-se por meio da apresentação de resultados convincentemente positivos da gestão que se propõe em fazer da companhia com contributos evidentes para a recuperação do sector para a economia. Os primeiros cem dias da sua gestão são de expectativas

 

O sector petrolífero tem na economia angolana uma importância (50% do PIB 80% da receita fiscal e 90% das exportações), considerada pelas autoridades como “determinante” – o que obriga a velar pela sua viabilidade. Dos planos de diversificação da economia sabe-se que não se esperam resultados tão cedo.  

A nomeação de Isabel dos Santos causou surpresa geral, não obstante o conhecimento de factos como o de que ela passará a ter um papel determinante na vida interna da companhia e nas suas decisões desde que há cerca de seis meses lhe foi confiada a missão de proceder à sua reestruturação e do sector petrolífero em geral.

Por razões como a inclinação que José Eduardo dos Santos (JES) presentemente revela para nomear indivíduos da sua estrita confiança para funções consideradas “vitais” para o regime conjecturava-se que Isabel dos Santos  passaria doravante a controlar a companhia e o sector petrolífero em geral, mas de maneira informal. Pelo seu envolvimento na multiplicidade de negócios, dentro e fora de Angola, poucos acreditavam nessa "requisição" para o sector estatal, mesmo conhecendo-se os apetites que o cargo de alto responsável da petrolífera nacional proporciona.  

No entanto, as suas qualificações empresariais, acrescidas da “atitude respeitosa” que quase toda a elite guarda em relação a si própria, recomendavam-na para a gestão de uma companhia a precisar de ser recuperada do estado de falência em que caiu. Mas por impedimentos éticos e morais não era esperada a sua nomeação nos termos em que o foi. Daí as reacções negativas à medida, provindas, em larga escala, de sectores da sociedade civil, da oposição, mas também de figuras do próprio regime, estas através de manifestações mais discretas, apoiadas, em geral, em argumentos legais e morais associados à sua condição de filha do Presidente.

As críticas conhecidas no seio do próprio sistema inspiram-se na ideia de que a nomeação de Isabel dos Santos, a juntar à de José Filomeno Santos “Zenu” como PCA do Fundo Soberano, prejudicam o partido (MPLA) e o regime pelo ónus político que acarretam, suficientes para “ofuscar” os ganhos económicos ou de gestão.

Considera-se que a nomeação de  Isabel dos Santos não deixará de ser vista, interna e externamente, como um novo alargamento dos negócios da “família presidencial”, bem como uma tentativa de reforçar o “controlo político” de uma companhia e de um sector que universalmente, só provou funcionar bem numa base institucional e tecnocrática.         

Na linha seguida por Isabel dos Santos para lidar com a evidência das reacções negativas, ainda “em espiral” tem sido identificado um “esforço” no sentido de afirmar a sua vontade/determinação de “salvar” a companhia e o sector petrolífero (lateralmente, fomentar e/ou incentivar concordantes reacções públicas – positivas ou neutras).

A longa duração da crise petrolífera internacional e as perspectivas generalizadas de uma recuperação lenta e moderada no que toca a preços, expuseram a indústria petrolífera angolana a riscos considerados “sérios” de declínio ou de irrelevância devido aos seus elevados custos de produção (pesquisa, desenvolvimento e extracção).

A nova PCA e o presidente da Comissão Executiva, Paulino Jerónimo, prestaram especial importância ao assunto dos custos de produção em pronunciamentos públicos de cada um no próprio dia da investidura. O facto foi considerado prenúncio de que Isabel dos Santos espera fazer do mesmo o seu primeiro “sucesso de gestão”. 

Os custos de produção do petróleo angolano têm fomentado, no quadro da presente crise, um ambiente de crescente desinteresse das companhias estrangeiras em relação a novos investimentos mas também no que toca à manutenção de actividades em curso, tornadas deficitárias pelos preços baixos do mercado.

As companhias tentaram ajustar-se à conjuntura de preços baixos reduzindo custos operacionais (todas despediram pessoal), circunscrevendo a sua actividade ou congelando investimentos. A Statoil  por exemplo, abandonou mesmo o país. A Chevron e a Total, as maiores, acumulam perdas e têm pressionado as autoridades. 

A extracção de petróleo no off-shore de Angola, considerado mínimo o potencial do on-shore é feita em águas profundas ou ultra-profundas, cujos custos de produção, mais elevados obrigam a ganhos de eficiência e a menor pressão tributária, de modo a tornar o preço final suficientemente competitivo num “mercado de preços baixos”.

Os custos de produção em cuja redução se trabalha para se situar um pouco acima dos USD 10, Isabel dos Santos  está em condições de poder aplicar, respeitam, porém, à própria Sonangol, nas suas pouco expressivas actividades como operadora. Em relação às grandes operadoras, todas estrangeiras, os custos de produção estão previstos em contratos – só passíveis de alteração numa renegociação. (com AM).  

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