RECADO SOCIAL

 
30 de janeiro 2016 - às 17:02

INSENSÍVEIS À DOR EM CRESCIMENTO ACELERADO

“Alguns bancos angolanos limitaram a venda de divisas a clientes a um máximo de 1.000 dólares (918 euros) por semana e bancos norte-americanos têm vindo a anunciar a suspensão de venda de dólares a Angola”, adianta a Lusa. Lembrei-me do tempo da Direcção ou Departamento de Operações Especiais (DOI) do Banco Nacional de Angola… Já passaram-se cerca de trinta anos e os “esquemas” na altura eram mesmo a doer…

 

Depois de uma quadra festiva carregada dos habituais desejos, sonhos e perspectivas de uma vida melhor para todos, incluindo os “artistas” do costume, que geralmente viajam para outras paragens mais civilizadas, onde possuem bens patrimoniais e dinheiro suficiente para saciar a fome de milhões; apesar de não termos compreendido por que razão o país enterrou-se numa situação absolutamente dramática para os seus cofres; apesar da vontade popular enorme de se conhecer o rasto de centenas de biliões de kwanzas… virámos mais uma página de um calendário que logo em seguida deitamos para o caixote de lixo da história. Fizemo-lo com o sentimento sincero de que só o simples facto de continuarmos vivos e com esperança, valeu a pena termos deixado para trás mais um ano.E que ano!

Para trás, fica uma mão cheia de projectos sociais, cuja data  de cumprimento foi adiada  durante trezentos e sessenta dias e noites mal dormidas, comprometidas com o mapa político-económico entregue à sorte dos que deviam prever a crise assassina de programas gizados  essencialmente para que a malta das aldeias e bairros periféricos voltasse a não perceber, no mínimo,porque o país está assim tão roto.

2015 foi-se e nem sequer se deixou que ele e as suas makas fossem amainadas só pelo simples facto de ter sido substituído. Bastou 2016 entrar nas nossas vidas para que ele se transformasse num problema. A começar pela falta de sensibilidade de quem anda metido nos gabinetes onde se tenta debelar a crise económica com estratégicas assustadoras, que nos vão fazer sofrer, sermos julgados sem culpa formada.

As más notícias, sim aquelas que  têm tudo para desmoralizar, frustrar os sonhos dos que nunca possuíram rendimentos suficientes para sorrir mesmo nos tempos dos assaltos aos cofres gordos do Estado, as notícias chegaram no primeiro dia do ano novo com a publicação “homicida” de mais uma subida dos preços dos combustíveis. Uns desmaiaram, outros rogaram pragas ao governo, alguns arrependeram-se de terem regressado ao país e nem sabem sequer como fugir de novo; outros preparam-se para a penhora dos bancos ou bater em retirada em direcção aos musseques; muitos, algo conformados ou razoavelmente bem informados e comportados diante do sistema, fazem planos para atacar no ano eleitoral, que, por mim, não acontecerá em 2017.

Enfim, não se escolheu o dia, nem a hora para avisar ao povo “heróico e generoso” que “as divisas” desapareceram dos bancos, cujos cofres são apenas acessíveis a quem tem peso político e influências suficientes para fazer o que bem entender,sem que pense a pagar o que for. A classe empresarial (aquela que passa o tempo todo a pedinchar pelos corredores dos que realmente controlam o país) está “lixada”. Não me ocorreu outro termo. Está mesmo “lixada”!

Uns tentaram levantar-se logo ao primeiro sinal da crise e voltaram a cair. Outros,passam a vida a sonhar com a subida dos preços do petróleo no mercado internacional.Conheço alguns que, a qualquer hora, telefonavam da China e agora nem sequer “saldos” têm… Vida negra é a que estão a passar milhares de estudantes no exterior e não é preciso alargar o horizonte geográfico. Aqui mesmo ao lado não conseguem as malditas divisas. “Com o câmbio do dólar no mercado paralelo a atingir 50% para lá do oficial, os bancos angolanos entraram em 2016 praticamente sem injecção de divisas pelo Banco Nacional de Angola” - diz uma notícia dos jornais tugas que não nos  largam em momento algum e não existe aqui qualquer teoria de conspiração.

“Alguns bancos angolanos limitaram a venda de divisas a clientes a um máximo de 1.000 dólares (918 euros) por semana e bancos norte-americanos têm vindo a anunciar a suspensão de venda de dólares a Angola”, adianta a Lusa. Lembrei-me do tempo da Direcção ou Departamento de Operações Especiais (DOI) do Banco Nacional de Angola… Já passaram-se cerca de trinta anos e os “esquemas” na altura eram mesmo a doer…

Alinhavei esta crónica no “candongueiro”, sem saber que o preço do táxi também tinha levado um estalo. Expliquei ao cobrador que estava acabadinho de regressar da Síria, onde o preço dos combustíveis ainda não foi bombardeado. 

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