ECONOMIA & NEGÓCIOS

 
6 de abril 2017 - às 16:03

INFLAÇÃO DA EUROZONA ALCANÇA VIRTUALMENTE O OBJECTIVO DO BCE

Pela primeira vez em quatro anos, em Fevereiro, a inflação na Eurozona cresceu acima dos 2%, passando a meta do Banco Central Europeu. Em Janeiro, a progressão situou-se em 1,8%

 

A performance está a alimentar o debate acerca da política de estímulos do BCE. O programa de compra de activos estabelece 80 mil milhões de euros, por mês, até Abril, passando para 60 mil milhões até ao final do ano. A taxa de juro das operações de refinanciamento estão em 0%, a do juro da facilidade permanente de cedência de liquidez situa-se em 2,5% e a permanente de depósitos está em 0,4% negativos.

Apesar das pressões, nomeadamente do Governo alemão, o presidente da instituição monetária não está a dar grande destaque da evolução. A posição de Mario Draghi deriva das razões da progressão da taxa de inflação, especialmente a valorização da cotação do petróleo. O Eurostat estabeleceu o aumento dos produtos energéticos em 9,2%, em Fevereiro.

Além das cotações dos produtos petrolíferos, a nova política económica dos Estados Unidos da América as eleições na Alemanha e em França e as dúvidas quanto ao Brexit estão também a preocupar os responsáveis do BCE.

O presidente do BCE considera que o objectivo só será alcançado quando se estabelecer de forma duradoura. Para este ano, Frankfurt prevê que a inflação, em média anual, se estabeleça em 1,3%, avançando 1,8% no próximo ano.

A instituição de Frankfurt está mais optimista quanto ao crescimento económico do bloco. Contudo, adverte que a progressão está muito relacionada com políticas dos países.

Por seu lado, o comissário português alerta para as dificuldades que a União Europeia irá sentir. Carlos Moedas – responsável pela pasta da Investigação, Ciência e Inovação – considera que a criação de riqueza tende a decrescer, pelo que é fundamental que os Estados pensem no conjunto do bloco e não individualmente.

A União Europeia já foi responsável por 30% do PIB mundial, mas hoje representa 20%. Carlos Moedas referiu que a China passou de 2% para 20%. «Daqui a 20 anos não sabemos se a própria Alemanha não terá sequer um assento nos sete países mais importantes do mundo. Isto porque será a nona economia mundial, tendo em conta as perspectivas de crescimento da economia alemã».

A agência Bloomberg considera que a União Europeia vive um clima complicado. A ascensão da Extrema-Direita, de partidos populistas e nacionalistas criam incertezas. O euro pode estar em causa.

Dúvidas que o presidente executivo do banco JP Morgan Chase considera que nenhum cenário está excluído. Mas Jamie Dimon realça que a «moeda única» já conheceu sobressaltos e sobreviveu.

 

Tusk reeleito - O polaco Donald Tusk foi reeleito, por mais dois anos e meio, para presidente do Conselho Europeu. Foi uma escolha quase unânime, faltando apenas o seu próprio país, de tendência eurocéptica e de Extrema-Direita. A Hungria, considerada como aliada, da Polónia acabou por alinhar com os outros 26 parceiros.

O ministro polaco dos Negócios Estrangeiros, referindo-se ao acto eleitoral de 9 de Março, afirmou que «parece que a política da União Europeia tem padrões duplos e faz batota». Witold Waszczykowski garantiu que o seu Governo vai baixar o nível de confiança no bloco. «Vamos passar a seguir uma política negativa", que poderá passar por bloquear iniciativas europeias».

Donald Tusk considera que o novo mandato será mais difícil que o primeiro, ensombrado pelo Brexit, ascensão da Extrema-Direita, onde se destaca França, e a possível saída da Grécia do clube do euro. O antigo primeiro-Ministro polaco garante vai dar o seu melhor no desempenho das funções.

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