POLÍTICA

 
2 de outubro 2016 - às 05:16

II CONGRESSO ORDINÁRIO DA CASA CE CHIVUKUVUKU PRONTO PARA CONQUISTAR O PODER!

Oitocentos delegados ao Segundo Congresso da Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE), acabaram por reeleger  Abel Chivukuvuku como líder, sem grandes hipóteses para a concorrência num conclave, cujas atenções estiveram totalmente focadas na figura daquele que foi um dos principais mentores da institucionalização,em 2012, da força política que quer ser governo (ou fazer parte dele), a partir de 2017, altura em que realizar-se-ão as próximas eleições gerais em Angola

 

Durante o congresso que decorreu em Luanda, Abel Chivukuvuku venceu a eleição presidencial com 646 votos, correspondentes a 91,63% dos votos. Os outros concorrentes,  Carlos Pinho e João Kalupeteka, obtiveram 7,5% e 0,85%, respectivamente; um resultado que demonstrou claramente que as eleições correram de feição para Chivukuvuku, que dias antes, num debate televisivo já havia colocado nas “boxes” os adversários. No evento, foram eleitos igualmente os vice-presidentes e com eles perspetiva-se que mais cedo do que tarde a coligação se transforme num partido político com uma liderança complexa, mas com fortes ambições para conquistar o maior número de votos possível nas próximas eleições gerais marcadas para o próximo ano.

A coligação é integrada pelos partidos PADDA - Aliança Patriótica, o Partido de Aliança Livre de Maioria Angolana (PALMA), o Partido Pacífico Angolano (PPA) e o Partido Nacional de Salvação de Angola (PNSA).

Chivukuvuku, de 58 anos de idade e mestre em relações internacionais, nasceu no Bailundo (Huambo) e deseja trabalhar durante este mandato de cinco anos com uma equipa multidisciplinar com experiência profissional, partidária e académica, entre os quais se destacam seis vice-presidentes, designadamente Agostinho Mendes de Carvalho, oficial general na reserva, Manuel Fernandes, licenciado em Economia, Lindo Bernardo Tito, licenciado em Direito e docente universitário, Alexandre Sebastião André, também licenciado em Direito e docente universitário, William Afonso Tonet, doutorado em Direito e docente universitário, e Cesinanda de Kerlan Xavier, microbióloga..

Depois de se ter demarcado das hostes do maior partido da oposição (Unita) e conseguido conquistar oito lugares na Assembleia Nacional na sequência das eleições de 2012, Chivukuvuku assegura que com a realização do congresso, “venceu a CASA-CE, venceu Angola e o povo angolano, para que em 2017 haja mudança no país”.

Com uma agenda claramente sustentada para conquistar o poder, Abel Chivukuvuku apresentou no decorrer do congresso  dez pontos estratégicos, entre os quais se destaca a necessidade de "estabilidade assente na legalidade e no bem-estar dos cidadãos" garantidos por "instituições públicas legítimas" e aponta como  prioridade a "preservação da paz e da unidade nacional".

Considerados “pilares” da sua estratégia  está também a "construção efectiva de um verdadeiro Estado democrático e de Direito"  e considera  decisiva uma "reforma constitucional para adopção efectiva de um modelo de Estado unitário e politicamente descentralizado", apelando à "mudança pacífica, ordeira, inclusiva e positiva para uma governação patriótica baseada na competência, honestidade, rigor e transparência".

O líder da ainda CASA-CE, deseja um sistema económico de mercado baseado na livre iniciativa e protecção dos direitos de propriedade, reservando ao Estado o papel de regulador e garante  que vai primar por uma  forte vocação centrada na “busca da plena realização da pessoa angolana, visando a eliminação da pobreza", destacando a necessidade de se promover “um órgão de segurança nacional, republicano, apartidário, moderno, humanizado" que esteja a "à altura dos desafios actuais e futuros".

No conclave, os delegados avaliaram o estado actual da economia do País, notando que existe , entre outras, abordagens fortemente críticas dirigidas ao Executivo, “a ausência de visão e programação de longo prazo por parte do regime que não pensou na diversificação da economia durante os dez anos em que o preço do barril do petróleo bruto andou em alta”; “uma governação caracterizada por má-gestão, corrupção e roubo generalizado do erário do Estado” , bem como uma “incapacidade crónica para a definição de prioridades que promovem a melhoria da vida das pessoas, optando antes por desperdícios e realização de obras sem impacto económico e social”. 

 

ALFINETADAS 

NÃO FALTARAM…

Vários foram os representantes de partidos políticos, entre nacionais e estrangeiros, convidados para presenciar o II Congresso da CASA-CE, sendo de destaque evidente os provenientes de Portugal, designadamente o CDS-PP, o Bloco de Esquerda e o Partido Social Democrata, mas foi Marcolino Moco  que “roubou” à cena a alguns actores conhecidos pelo posicionamento político em relação ao governo.

O antigo primeiro-ministro qualificou a  actual situação do país “pior do que nos últimos anos do colonialismo” e acusou o Presidente da República de ter instaurado “ regime corrupto e autoritário”.

 “Temos de ser fortes e lutar, sem tréguas, contra este colonialismo interno”, disse. “Estamos debaixo de uma concepção eduardista do poder – o que vale mesmo são as ordens superiores. Constatamos a manipulação do sistema de poderes e uma repressão brutal sobre os cidadãos angolanos”, acrescentou o ex-governante ainda militante do MPLA.

Por seu turno, o secretário do Bureau Político do MPLA para disciplina e auditoria, Ferreira Pinto, foi de opinião que se ponha de lado as makas partidárias,  importando realçar o sentido de Estado e a defesa dos interesses das populações em prol da melhoria das suas condições de vida. 

Copyright © Figuras & Negócios - Todos os direitos reservados strong>

Contato
Home
Acervo Digital