POLÍTICA

 
6 de maio 2017 - às 06:09

IDA ÀS URNAS A 23 DE AGOSTO JÁ CHEIRA A ELEIÇÕES!

Unidos por um pleito livre e transparente, agentes eleitorais, com segmentos da sociedade civil incluídos, aguardam que a CNE tome uma posição quanto à possibilidade de auditoria ao registo.  A pacificação das mentes, numa cruzada que traz de volta o Pro Pace, e a prestação da comunicação social estão entre os aspectos a escrutinar nos próximos 4 meses  

 

Ao tiro de largada para as eleições gerais em Angola, dado com a aprovação da data indicativa na reunião do Conselho da República, a 24 de Abril último, o Tribunal Constitucional respondeu com um repto aos partidos políticos, garantindo ter reunidas todas as condições para começar a receber candidaturas. 

Assistiu-se, na verdade, ao início da corrida às quinze mil assinaturas, com o presidente do TC, Rui Constantino da Cruz Ferreira, a assegurar casa arrumada para receber e analisar as candidaturas, alguns momentos após o frente-a-frente do órgão de consulta do Presidente da República. 

De José Eduardo dos Santos, o país ficou a saber que ‘’as condições de natureza política, legislativa, financeira, logística, de segurança e ordem pública estão praticamente criadas’’, esperando-se que as eleições decorram de forma transparente e sem quaisquer constrangimentos. 

Desta forma, disse o PR, o pleito seria considerado de livre, justo e credível aos olhos da opinião pública nacional e internacional, tal como, de resto, se pôde verificar no comunicado final da reunião do Conselho da República, lido pelo Procurador-geral, João Maria de Sousa. 

Na mesma linha de pensamento, MPLA, UNITA, CASA-CE e FNLA, quatro partidos concorrentes, afirmaram que, uma vez criadas as condições, é necessário um trabalho colectivo para que as eleições sejam, como se pretende, credíveis e transparentes. 

Mais contundente, o presidente do partido líder da oposição, Isaías Samakuva, referiu-se, sem nunca ter colocado em causa o consenso que une os conselheiros, a zonas cinzentas como a ‘’recolha coerciva’’ de cartões de eleitores e à fórmula para o cálculo do número de votantes. 

Estas preocupações viriam a ser respondidas 24 horas depois, com o ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa, a esclarecer que a Lei Eleitoral permite uma auditoria ao ficheiro do registo, bastando que a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) assim determine.  

Os ecos da reunião do Conselho da República mostram que o Chefe de Estado pediu aos líderes partidários um discurso ajustado aos ideais da pacificação das mentes dos angolanos.  Neste particular, salta à vista o ressurgimento do movimento Pro Pace, afecto à Igreja Católica, que prepara um ambiente pacífico para a campanha eleitoral na província de Benguela, numa cruzada contra focos de intolerância política. 

João Guerra, membro do movimento, desdobra-se, à frente de várias brigadas, em missões pelas diferentes aldeias e comunas, onde deixa mensagens de paz, concórdia e respeito pela diferença. “Queremos que os políticos, no início da campanha, encontrem pessoas civilizadas. Os que pretendem chegar ao poder devem apresentar as suas propostas, em clima de paz, mas ninguém deve pensar que são juízes’’, refere Guerra, que se apresenta como uma ‘‘voz independente que as comunidades pretendem ouvir’’. 

Trata-se, no fundo, de uma cruzada que encontra respaldo na 1ª Assembleia Anual da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), que terminou com um apelo à lisura e paz nas eleições gerais. 

O encontro, realizado em Março, sugeriu, em nome da credibilidade e transparência, mudanças na actuação dos órgãos de comunicação social, sobretudo os estatais, pedindo que deixassem de ser ‘’unilaterais e tendenciosos’’. 

A este respeito, o secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos, Teixeira Cândido, teme que os órgãos públicos venham, após a publicação dos resultados, a ser apontados como culpados pelo desaire de um ou de outro partido. 

Num apelo extensivo à imprensa privada, por conta da aprovação da data indicativa para as eleições, o sindicalista solicita que os jornalistas não sejam mais do que intermediários, devendo transmitir a mensagem dos políticos longe de comentários ou de adjectivações. 

 

BLOCO PARA REFORÇAR CASA DE ABEL

Impossibilitado de fazer coligação com ‘’forças da oposição credíveis’’, o Bloco Democrático (BD) tenciona juntar-se à CASA-CE, esperançada na obtenção dos mesmos direitos e na partilha dos mesmos deveres dos partidos integrantes. 

Numa nota distribuída em Luanda, a organização de Justino Pinto de Andrade, em negociações com a Convergência Ampla de Salvação de Angola até à hora do fecho desta edição, explica que espera manter, à imagem dos demais, a sua identidade partidária. 

O Bloco Democrático diz ter mandado o seu presidente firmar o pacto de coligação e requerer ao Tribunal Constitucional a respectiva anotação para efeitos eleitorais legais. 

Na altura destas movimentações, o vice-presidente da CASA-CE, André Mendes de Carvalho, afirmava que não havia qualquer acordo formal de coligação com o BD, mas reconhecia a existência de negociações ao mais alto nível em curso há um ano. 

Embora manifestasse a esperança de um provável acordo antes das eleições previstas para 23 de Agosto, Mendes de Carvalho preferia enfatizar que “tudo não passava de uma intenção”. 

Observadores atentos advertem que a Coligação de Abel Chivukuvuku já tem problemas internos que fragilizaram a organização, pelo que, sugerem, os seus dirigentes terão de saber negociar novas adesões. 

A CASA-CE é integrada por quatro partidos políticos. 

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