DOSSIER

 
26 de novembro 2015 - às 19:27

HOMENAGEM A ALBANO MACHADO

Com tudo acima referido, essas crianças ontem, mulheres hoje, tomaram a liberdade de honrar o nome do seu progenitor e deixar o registo aqui efectuado para a posteridade. 

 


Estamos em 2015

Albano Machado é uma figura indelével do grande palco angolano. Por isso, a família, movida pelo lema "antes tarde do que nunca e nunca é tarde demais", na aura das comemorações das quatro décadas da independência de Angola, comemorações que reportam a fervura dos anos 60/70 e, particularmente, o ano de 1975, decidiu compilar o que considera ser uma fonte histórica com o objectivo de :

  • responder de forma resumida e ilustrada à constante pergunta da geração dos anos 80: quem foi Albano Machado?
  • enriquecer o Centro de Documentação e Investigação Histórica do Comité do Partido MPLA na Província do Huambo com informação sobre um dos patronos da província, província que o viu nascer e onde foi colocado para cimentar os objectivos do MPLA, partido da sua opção e dos seus ideais. Porquê o Centro do Huambo? Porque a família do malogrado constatou, no pretérito mês de Agosto de 2015, após visita àquela província, que não existe nenhuma referência digna de realce, à pessoa de Albano Machado, em nenhum centro de informação e documentação, até mesmo do Partido MPLA. Impõe-se colmatar esse vazio com a humilde informação em sua posse.
  • deixar descansado o malogrado, relembrando dessa forma que as suas aparições em casa, repentinas, com um grupo de guerrilheiros sob o seu comando, não foram esquecidas. 

Como apagar da memória das crianças, ávidas de carinho de pai, lembranças da chegada à casa de pessoas fardadas militarmente, sob seu comando, entre elas uma jovem, com o nome de Carlota Machado, não parente de sangue, mas parente de ideal que uma das fotos retrata?

Com tudo acima referido, essas crianças ontem, mulheres hoje, tomaram a liberdade de honrar o nome do seu progenitor e deixar o registo aqui efectuado para a posteridade. 

(Texto da responsabilidade da família do malogrado).

 

POEMA DEDICADO A UM DOS MENTORES DA  LUTA DE LIBERTAÇÃO: ALBANO MACHADO

(A autora refere-se ao pai, como se estivesse vivo. Pois para ela está sempre presente, apenas distante)

PAI

Nesta tua linda idade

Teu rosto denota 

Firmeza e Serenidade

 

Exemplo teu a seguir

Apesar dos anos que por ti passam

Pelos tempos mais remotos

Incluindo os dos Acordos de Alvor 

Nas veias do teu corpo o sangue sempre a fervilhar

Pelos entes que vês partir

Quão pedaço de ti arrancado

E no brilho dos teus olhos o contrário espelhado

Será a nobreza a referenciar?

Ou por acreditares num futuro porvir?

 

E, ao lado da tua Maria

A vida continuará

Morará  sabedoria

Na alegria e tristeza,

Lutarão  contra a avareza

Os descendentes vos rodearão

Vossos dias bons serão

Porque entre o mundo e o amor

 O amor escolherão

E o mundo conquistarão

 

Esse amor que te fez vibrar

Esse amor que te fez lutar

Por uma grande união

Pela paz entre os irmãos. 

 

Autoria: Áurea Machado

 

BIOGRAFIA

Albano Machado nasceu em 15 de Agosto de 1930, em Vila Nova, município de Tchikala Tcholohanga, Província do Huambo. Foi um estudante muito exemplar e inteligente, as suas notas assim o demonstram. Após concluir o ensino liceal em Angola, foi para Portugal onde se matriculou na Universidade de Direito de Lisboa, onde frequentou e concluiu somente o 1º ano lectivo (1972/1973). A veia política foi mais forte.

Nacionalista e militante convicto do MPLA, desenvolve em Portugal actividades contra as autoridades fascistas portuguesas. Integrou-se no movimento de libertação em Novembro de 1973 e, após o 25 de Abril de 1975, foi um dos principais impulsionadores do seu partido na Província do Huambo. Na altura dos confrontos entre os movimentos de libertação, Albano Machado, juntamente com outros camaradas do MPLA, foi preso pelas forças coligadas da Unita, FNLA e facção Chipenda (com a ajuda de mercenários) tendo sido levado para as cadeias da antiga agência de contratação de mão de obra (ACOMOL), no Huambo. Em Fevereiro de 1976, foi transferido com outros prisioneiros políticos para as cadeias de Capolo, na Província do Bié, onde foi assassinado.

Como reconhecimento do seu trabalho intelectual e lutador por uma causa justa, foi atribuído o seu nome, Albano Machado, ao aeroporto da cidade capital do Huambo, logo após a independência nacional. Existem outras ruas e largos com o seu nome pelo País, nomeadamente o Largo Albano Machado, em Luanda. 

Uma homenagem ao malogrado e seus companheiros, foi feita também, por Manuel Rui Monteiro, com o poema intitulado "Meninos do Huambo".

Casado com Maria Trindade Dias da Graça, Albano Machado deixou uma família que hoje integra filhas e netos, alguns que não o chegaram a conhecer em vida, apenas lembranças de elogios feitos por outros que o consideravam uma pessoa intelectual, afável, caridoso, transmissor de princípios, conhecimentos e valores. Gente boa.

"Aprendi muito com ele. E destaco algo que nunca esqueci: Procurar tomar decisões, dizia o Albano Machado, somente no início da manhã, com a cabeça fresca e fria"- assim descreve o sociólogo e consultor, Engenheiro Fernando Pacheco.

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