SOCIEDADE

 
28 de julho 2016 - às 08:09

GRAVIDEZES PRECOCES E ABORTOS PROVOCADOS

No ano em que a ONU  e a OMS estão preocupadas com as políticas de população e o seu crescimento exponencial, (cerca  de 7 bilhões), aumentam também os níveis da  mortalidade materno-infantil nos países do Terceiro Mundo, e um dos motivos é a má qualidade dos serviços de medicina reprodutiva, bem  como a inexistência, na maioria dos casos, da Neo-natologia. Por isso e outros factores, a ONU/OMS nomeou 2016 como o “ano da Medicina Reprodutiva”, e das preocupações  com o planeamento familiar e conexos

 

Antes de abordarmos o assunto que hoje nos traz, importa um aparte para falarmos sobre as enormes barreiras ao acesso das fontes. Difícil, dificilíssimo mesmo abrirem-se as portas nas nossas Unidades Hospitalares, pois faltam gabinetes de informação eficientes e competentes. Por isso, Sr. Ministro; recomenda-se a existência e trabalho de informação eficaz destes gabinetes, pois as nossas populações merecem informação sanitária e Educação para a Saúde. É necessário colocar nesses gabinetes profissionais competentes, com um mínimo de preparação em estatísticas médicas.

Muitos males na Saúde combate-se com informação de qualidade e Educação sanitária. Isto hoje é um déficit. Na nossa terra, a maior parte das maleitas são preveníveis e evitáveis. Assim, damos nota má nesse quesito; comunicação hospitalar.

Quanto às gravidezes precoces, é quase sempre o começo de um aborto provocado e de tragédias próximas, muitas até fatais. Aos 14-15 anos, inclusive muito  mais cedo, principalmente na periferia e zonas rurais, a gravidez precoce é um bico de obra para as famílias e a sociedade. Elas bio-fisiologicamente não estão preparadas para a maternidade, muito menos para cuidar de uma família. São autênticas crianças... Daí os abortos fatais, em sítios inadequados, com má higiene, com a intervenção de curiosos ou profissionais duvidosos.

No Terceiro Mundo, a OMS fala em 70 mil mortes por ano, devido aos abortos provocados. Lembramos que tudo começa com uma gravidez precoce, onde os motivos apontados vão desde económicos, ao desajuste familiar, passando pelo abandono escolar, o álcool, drogas até aos divórcios dos pais e outras más influências. Em Angola é possível que andemos entre 5 a 10 mil abortos/mortes ano.

As frustações, o desespero,má formação e informação contribuem nas estatísticas desta tragédia. As condenações das igrejas, omissão do Estado não bastam para travar a onda de abortos provocados na nossa sociedade. Parece que as proibições trazem efeitos contrários. Assim, parece-nos que a melhor arma é a Educação.

A mesma OMS cita números impressionantes: mais de 50 milhões de abortos/ano. Destes 2/3 foram feitos de forma insegura e cerca de 5 milhões originaram lesões graves nas mulheres que acorreram a esta prática.Os números da OMS servem para reflexão, na ausência das nossas estatísticas sanitárias “fiáveis”. Em boa verdade, os abortos provocados em Angola são altos, ainda mais com o aumento da sexualidade dos adolescentes, mal orientados, e com muito mau uso dos preservativos.

Pela periferia, anotamos informações de adolescentes que passaram pelo trauma da gravidez precoce e abortos provocados. Panxita ( real, não a da música do Zecax, “ que fritou a vida na frigideira, mas ganhou nené).  Esta “sacou”  a criança, sob conselho de uma amiga,  colocou Citotec, mas doeu, sangrou bastante….Só a maternidade “Ngangula” a salvou da morte, e lá mentiu que brigou com o namorado…Todavia, é certo  que as parteiras e os médicos não foram na conversa; era mesmo o aborto provocado, criminal, mas salvaram a rapariga.

Cátia teve destino mais triste, foi num curioso e zás….zás…. morte por perfuração uterina e hemorragia uterina. Joana,16 anos, vivacidade do mato, usou ervas e resolveu o problema, mas ganhou esterilidade.

Portanto, a OMS tem razão. É necessário apostar na Medicina Reprodutiva e no Planeamento Familiar, para resolver este drama do Terceiro Mundo, e controlar nascimentos e população, bem como futuras bolsas de pobreza.  Aos pais e adolescentes, mais razão e  menos emoção gratuita e traiçoeira. Lembrar que o CITOTEC, e outras drogas, jornais-chá,e curetagens podem matar, ademais feitas em locais inadequados e por curiosos.  

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