MUNDO

 
26 de dezembro 2016 - às 07:58

GÁS RUSSO ARREFECE EUROPA

A crise entre a Rússia e a Ucrânia continua. Não se perspectivam soluções e trocam-se acusações. Os países da União Europeia aquecidos por gás russo podem ter de encontrar alternativas, num momento em que o frio já chegou

 

Vladimir Putin informou Angela Merkel da possibilidade de suspensão do fornecimento de gás. O presidente russo, em conversa telefónica com a chanceler alemã, informou que a culpa é da Ucrânia, que se mostra renitente em assinar um contrato de direitos de passagem.

O Tribunal Administrativo de Kiev multou a Gazprom, em 6.600 milhões de dólares (USD), por prática monopolista no transporte de gás, através da Ucrânia. A ucraniana Naftogaz não compra à Rússia desde Novembro do ano passado.

Em Setembro de 2015, a Comissão Europeia, a Rússia e a Ucrânia assinaram um acordo para a compra, por parte da Naftogaz, à russa Gazprom de 2.000 milhões de metros cúbicos, no valor de 500 milhões de USD. Porém, em Novembro de 2015 suspendeu o acordado.

O Kremlin vendeu 19,5% do capital da Rosnef, a maior petrolífera russa, no valor de 10.500 milhões de euros. Porém, o Estado mantém uma posição acima dos 50%. Os compradores foram o fundo soberano do Qatar e o consórcio Glencore, que tem sede na suíça, mas cujo capital é belga, espanhol e israelita.

Este negócio acontece num momento em que as cotações do crude mostram tendência de subida. Apesar de não integrar a Organização dos Países Produtores de Petróleo, a Rússia acertou com uma redução da quantidade produzida.

Qual o peso de Poroshenko? - A agência de informação russa Sputnik noticia que a Ucrânia está a sentir insegurança relativamente à fiabilidade dos seus aliados europeus. Este sentimento é alimentado pela não concretização da política para a concessão de vistos, prometida pelo bloco, quer à Ucrânia como à Geórgia.

A mesma fonte dá conta de que os EUA estão a perder a confiança nas autoridades ucranianas. Acresce simpatia, que se desconhece até onde é real e quanto tempo durará, entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente norte-americano eleito, Donald Trump.

A Sputnik refere falta de credibilidade política do presidente Petro Poroshenko, a que se soma a aposta de Kiev em Hillary Clinton. Acresce que, alegadamente, os EUA deixarem de ter necessidade de comprar gás de xisto proveniente da Ucrânia.

Fontes de informação ocidentais dão conta de que Vladimir Putin espera levantamento de sanções, por parte dos EUA, com a chegada de Donald Trump. Espera uma redefinição da política norte-americana no Médio Oriente, partilha de software e desenvolvimento de várias parcerias.

Por seu lado, o secretário-geral da NATO, defende a manutenção das sanções à Rússia, aplicadas desde 2014. Jens Stoltenberg justifica a continuação das medidas pela ocupação da Crimeia e apoio às forças cessacionistas do Leste da Ucrânia. Enquanto o Tratado de Minsk 2 não for cumprido não serão levantadas as punições.

A Rússia tem sido acusada de inúmeras violações dos espaços aéreos da Estónia, Letónia e Lituânia e de águas territoriais. Também a Polónia se tem queixado de abusos do seu vizinho. A NATO responde com a colocação de unidades militares nesses quatro países.

Recorde-se que aeronaves russas têm voado nos limites dos espaços aéreos europeus, manobras vistas como provocações. Há cerca de um mês, Portugal mandou levantar caças F-16 para policiamento de aeronaves russas, sendo algumas bombardeiros.

Sinal do aumento da tensão entre os dois países foi a manobra militar, do Exército ucraniano, com uso de mísseis, junto da fronteira da Crimeia. A Rússia acusa o seu vizinho de ter realizado disparos de artilharia contra o seu território.

A agência russa de informação russa RIA noticiou que serão colocados mísseis S-400 e Iskander, em Kaliningrado, confirmando informações anteriormente avançadas. As armas estarão assim mais próximas de alvos ocidentais. Este território é a metade setentrional da antiga Prússia Oriental, território dividido entre a URSS e a Polónia, após o término da Segunda Guerra Mundial.

A Ucrânia acusa a Rússia, ou forças pró-russas, de ter lançado ciberataques contra os ministérios da Defesa e das Finanças, além do Tesouro. Estes alegados ataques, realizados a 13 de Dezembro, não são novidade. Há um ano verificou-se uma situação idêntica.

Em Kiev aumentam os receios de ataques da Rússia, que poderão ter várias localizações. A esta nota de autoridades de Defesa ucranianas junta-se a acusação de Petro Poroshenko de que a União Soviética ainda existe.

A Ucrânia celebrou, a 7 de Dezembro, o 25º aniversário da saída da URSS. O presidente ucraniano afirmou que é necessário enterrar definitivamente esse ciclo. «A URSS não está nos arquivos nem na floresta de Belavezha [local de assinatura do tratado de separação e de independência]. Está nas mentes das pessoas».

Paralelamente, um tribunal holandês decidiu que não iria entregar à Rússia várias obras de arte, propriedade de vários museus da Crimeia, após a anexação do território. Os objectos encontram-se em Amesterdão porque tinham sido emprestadas ao Museu Allard Pierson.

Autoridades da Crimeia levaram a tribunal a restituição da colecção. Por seu lado, o Governo ucraniano alega que os objectos são do seu país. A instituição judicial sentenciou que, visto a península não ser um Estado soberano, não tem estatuto jurídico para reclamar a devolução. 

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