DESPORTO

 
31 de maio 2016 - às 07:36

FUTEBOL INQUÉRITO DA PROCURADORIA... E NOVOS CASOS

As recorrentes denúncias de corrupção na arbitragem nacional, sobretudo, já nesta fase do Girabola Zap, assim como as reacções dos próprios árbitros e os incumprimentos financeiros dos clubes  estão a deixar a arbitragem angolana numa espécie da "fogo cruzado", a que a Justiça e os agentes do futebol não conseguem para já dar solução, quando se está a perto de um ano desde as graves e polémicas revelações feitas pelo presidente de direcção do Recreativo da Caála, Horácio Mosquito 

 

Sobre esta denúncia sabe-se que ainda continua sob investigação, mas que, no decorrer deste ano, deverá conhecer em breve o seu desfecho, conforme confidenciado à nossa revista por um alto funcionário da Procuradoria Geral da  República que está a acompanhar o processo desde que deu entrada nesta instância da Justiça angolana.

A fase de inquérito, como disse a fonte, está já concluída e, ao longo dos próximos meses, os actos subsequentes são as  inquirições a responsáveis - dirigentes, árbitros e jogadores - das associações provinciais, árbitros e da própria federação -muitos dos quais também segredaram terem sido submetidos a algumas interpelações.

"Se numa fase posterior houver factos que indiciem a existência de actos de corrupção, sejam activos ou passivos, a Procuradoria Geral da República, enquanto defensor da legalidade, accionará então um processo crime contra os agentes desportivos eventualmente implicados", segredou a fonte.

Foi o próprio Horácio Mosquito que, o ano passado, entregou à Procuradoria Geral da República (PGR) a denúncia sobre supostos actos de corrupção generalizada no futebol nacional.

O “negócio” envolve o montante de 50 mil dólares, viaturas de luxos e casas e Horácio Mosquito jurava a pés juntos que falava com conhecimento de causa, inclusive com provas de nomes das pessoas implicadas que a indicaria à Procuradoria Geral da República, com documentos e registos de actos  de corruptos e corruptores, para serem investigados e pagarem pelos crimes que cometeram.

"Eu já paguei árbitros internacionais lá fora e alguns árbitros aposentados, mas hoje não o faço, aliás, há muitos anos que deixei de o fazer, porque rapidamente percebi como isto funciona, a partir do momento em que recebi uma denúncia de um árbitro internacional", disse na altura este próprio dirigente aos jornalistas, depois de se ter dirigido à Federação Angolana de Futebol, com cópias para o Ministério da Juventude e Desportos, Presidente da República e Ministro da Casa Civil.

Sendo ele próprio também suspeito, Horácio Mosquito chegou a ser suspenso a apresentar a sua demissão do cargo de presidente do Recreativo da Caála e viu-se suspenso pelo Conselho de Disciplina da Federação Angolana de Futebol para facilitar as investigações.

 

Tudo na mesma - A forte denúncia feita por Horácio Mosquito, parece não ter inibido, os indícios ou evidências de existência de corrupção da arbitragem nacional porque as queixas e denúncias continuam da parte de alguns clubes e dirigentes.

No campeonato deste ano de 2016, o grande clube que é o 1º de Agosto, quando averbou a sua primeira derrota (2-1) diante da "atrevida" equipa do Porcelana FC do Cuanza-Norte apresentou queixas da alegada manipulação da arbitragem feita por José Sebastião Mexias.

O Benfica de Luanda ao ver-se derrotado (1-0) já na ponta final do jogo com o Recreativo do Libolo, em Calulo, também reclamou de um alegado arranjo do árbitro Benjamim Andrade, mas, paradoxalmente, foi o próprio presidente Rui campos desse equipa campeã (Recreativo do Libolo) quem saiu a terreiro com uma adjectivação/acusação fortíssima: "há uma gange na arbitragem nacional".

Esta acusação suscitou, por sua vez, uma espécie de fogo cruzado, porque a Associação de Árbitros reagiu de primeira com um comunicado a "contra atacar" o presidente do Recreativo do Libolo.

Segundo a classe Ruio Campos deve ser infomado à Federação Angolana de Futebol, Confederação Africana de Futebol e Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA), no sentido de apresentar prova em como existe um "gange" entre os homens do apito, no futebol angolano.

Pede, por esta razão, que o mesmo seja sancionado, severamente, com a máxima urgência, face aos constantes pronunciamentos contra a arbitragem. "A associação reserva-se ao direito, como representante da classe, de voltar a pronunciar-se num prazo razoável e aceitável à FAF e ao infractor, se não se tomarem medidas de reparação à moral e à ética dos árbitros ofendidos", lê-se no comunicado.

Por tudo isso, prossegue o cominicado, a AAFA exige ao presidente de direcção do Clube Recreativo do Libolo um pedido de desculpas públicas, aos árbitros angolanos, através do mesmo órgão de comunicação social de onde proferiu a ofensa.

Esta celeuma toda que gravita na arbitragem nacional acontece numa altura em que também não se vislumbra o modo como se pode aparar a corrupção, se ela existe.

Porque os clubes - pequenos e grandes - não levaram a peito a alternativa financeira que na véspera do pontapé de saída da presente época assumiram com a Federação Angolana de Futebol.

Contas feitas, as 16 equipas,  na condição de visitadas, devem gastar 11 milhões e 377 mil e 238 Kwanzas durante os nove meses da prova, para o pagamento das despesas de alojamento, alimentação, transporte e prémios de jogo para os quartetos de arbitragem durante a competição.

 Para esta última rubrica, a equipa de arbitragem é constituída pelo árbitro, primeiro e segundo juízes assistentes, bem como quarto árbitro e o comissário ao jogo.

Para tal, o orçamento respectivo foi aprovado pelos presidentes dos clubes durante uma reunião realizada em Abril do ano passado, em Luanda, com os membros da Federação Angolana de Futebol (FAF). Cada uma, acrescido de 15 por cento do valor, deviam depositar na conta da FAF, um valor de 656.114 Kwanzas, para cada jornada.

A verdade é que nenhuma equipa até à nona jornada tinha depositado, preferindo, elas próprias, insistir no pagamento dos prémios, alojamento, alimentação e transporte quando recebessem, como visitadas, os árbitros indicados, o que, desde já levanta suspeitas de corrupção, devido a dependência a que estão votados os árbitros. 

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