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10 de dezembro 2012 - às 20:24

Fraude Intelectual

Oclima eleitoral vivido por esses dias deu relevância no dicionário do dia-a-dia a palavra fraude.

 

Oclima eleitoral vivido por esses dias deu relevância no dicionário do dia-a-dia a palavra fraude.

É recorrente alguns partidos da oposição, sem qualquer base de fundamentação, lançarem o espectro fraude no processo eleitoral.

À boleia deste modismo da fraude intrometido no nosso dicionário, acredito ser o momento certo para verborrear, um pouco, sobre a fraude de todos os dias, ou seja, a fraude intelectual.

Sim, esta mesma fraude que brota evidências e supera qualquer suspeição. Essa fraude que não espera eleições para dar nas vistas!

O meu interesse em mergulhar nas águas da fraude intelectual surgiu depois de ouvir o programa da Luanda Antena Comercial, “elas e o mundo”, onde uma das participantes trouxe à tona este tema.

A mesma participante, cujo nome não me ocorre neste momento, fez uma crítica social pertinente sobre as fraudes nos média, onde muitos artigos que surgem nas publicações nacionais, sem estar assinalada a fonte, serem copy e past de artigos tirados da internet, o que, desde já, constitui um crime de usurpação dos direitos da criação intelectual.

O reparo desta mesma participante não se ficou pelos média, avançou um pouco mais até as universidades.

Sem dar uma de bruxo, mas prevendo o que ela passaria a dizer, pensei logo no “cabulanço” nas provas, nos trabalhos copiados na net sem ao menos se alterar as formas verbais da linguagem brasileira e, acima de tudo, sobre as monografias que hoje por hoje não trazem nada de original e são autênticos plágios.
Perante tais acusações, eu diria que a fraude intelectual nas nossas universidades ultrapassa as denúncias feitas no programa “elas e o mundo”.

Recentemente, um amigo que muito prezo, docente numa universidade privada, em Luanda, confidenciou-me que a instituição onde lecciona é um terreno fértil ao facilitismo, onde os alunos, sem mesmo frequentar as aulas e sem estar sujeito a qualquer prova de avaliação, recebem o diploma de licenciados.

Ainda segundo o meu amigo, as suas pautas são adulteradas no interior da secretaria, onde alunos reprovados por si surgem no sistema com notas altas e cadeira feita.

Com certo espanto, o meu amigo disse-me que são os seus próprios colegas, docentes, que promovem a fraude intelectual, elaborando as monografias dos alunos, em troca de algumas dezenas de notas de dólares americano.

Diante de todas essas denúncias de fraude intelectual, aliada a fraca qualidade do nosso ensino, em geral, algumas empresas multinacionais já estão a exigir aos candidatos a seus colaboradores uma certificação internacional, ou seja, uma licenciatura feita no estrangeiro, pois já se começa a torcer o nariz para os licenciados em Angola, que para mim não pode ser generalizado, estando o justo a pagar pelo pecador.

Com este andar da carruagem e caso não haja uma alteração do quadro, arriscamo-nos, em pouco tempo a encerrar muitas das instituições do ensino superior, como aconteceu com as universidades Independente e Moderna, em Portugal.

 

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