CULTURA

 
28 de julho 2016 - às 07:57

FRANCISCO VAN-DÚNEM "VAN": UMA ABORDAGEM SOBRE “ÍCONES E PAISAGENS DA MINHA TERRA”

“Ícones e paisagens da minha terra” marca quatro décadas do percurso artístico de Francisco Van-Dúnem “Van”

 

Na exposição individual “Ícones e paisagens da minha terra”, um conjunto de 90 obras inéditas, em expressões diversificadas (10 pinturas, 70 desenhos, uma instalação, um vídeo e cinco objectos de materiais diversos), o artista plástico Van revisita e reinventa a sua muito cara angolanidade, reafirmada como recorrente fonte de inspiração e fio condutor de toda a sua obra.

Mergulha nas raízes profundas da sua terra, sem contudo deixar de se assumir como um artista da sua época, que reflecte, interroga e questiona, chamando a atenção para contradições que marcam as novas realidades sociais e urbanas do mundo actual.

Sobre Ícones e paisagens da minha terra o artista diz: “tentei, mais uma vez, fazer aproximações com outras linguagens construtivas e interpretativas, reinventando formas e (re) utilizando materiais considerados pobres, tais como desperdícios de serralharia, carpintaria, alvenaria, pedaços de imprensa escrita, peças artesanais, entre outros. (...). Nesta missão, esforcei-me por permanecer como um dos iniciados nas linhas estilísticas das artes tradicionais angolanas, aliado às tendências mundiais de arte contemporânea. (...) as sensações aqui transmitidas foram colhidas nos meios urbanos e periféricos, rurais e de informações prévias do mundo das artes visuais e plásticas. Nada foi inventado em absoluto (...).

Van afirma que neste processo houve uma multiciplidade de ângulos de observação, que antes não tinha captado de ponto vista visual e formal, como na apropriação e aplicação dos objectos, das técnicas e estratégias nas telas pintadas.

Para Van, as sensações transmitidas foram acolhidas dos meios urbanos, periféricos, rurais e  ainda de informações prévias do mundo das artes visuais e Plásticas, acrescentado que nada  foi inventado em absoluto.

O curador da exposição, Amilkar Feria Flores, diz que o artista elevou-se, ganhou uma distância crítica para compreender, com a acuidade da sua experiência, tudo o que conforma o vasto horizonte de seus domínios poéticos. É, sem margem de suspeita, um caminho rico que abre novas rotas a outros espaços de conhecimento e sabedoria, para mais adiante afirmar que é uma contribuição, ao mesmo tempo que um alerta sobre os perigos que ameaçam a diversidade ecológica, biológica, étnica ou linguística, num alerta para aquilo que ainda podemos.

 

EXPOSIÇÃO "CONEXÕES FEMININAS" 

FACETA DE TRÊS MULHERES COMBATENTES NO MUNDO DAS ARTES

Ana Silva, Keyezua e Rita GT dão a cara a uma exposição constituída por mais de 30 obras inéditas de pintura, fotografia, desenho, colagem, costura e cerâmica denominada Conexões Femininas

O evento surge da noção de identidade feminina no espaço privado e no contexto multicultural e intercultural através do objecto de arte, tornando-se parte de um processo de diálogo num enquadramento mais alargado de desenvolvimento humano histórico-cultural.

Ana Silva avança que o seu trabalho se resume na abordagem da vida da sua filha que completou cinco anos, onde a estética centra-se no uso de materiais como tela, madeira, metal, tecido e acrílico, fazendo uma simbiose com a técnica de pintura, desenho, colagem, costura e oxidação de metais.

Para a artista Keyezua, o seu trabalho ousa a busca de um passado há muito esquecido, onde a casca de árvore era usada como vestimenta. Retratada em fotografia, a artista expõe a beleza da mulher, bem como as roupas rudimentares que fazem parte da identidade angolana.

Já Rita GT procura, com recurso a cerâmica, gesso e papel de parede, evocar debates contemporâneos como os suscitados pelos discursos acerca do primitivismo, do pós-colonialismo.

A artista mostra ainda o interesse na construção do feminino, especialmente em torno da interioridade, do privado e do doméstico, explorando o papel da história e da memória.

 

QUEM É FRANCISCO VAN-DÚNEM "VAN"

Francisco Van-Dúnem “Van”) nasceu no Icolo e Bengo e fez os estudos primários e secundários em Luanda. Concluiu o curso geral de Artes Visuais na ex-Escola Industrial de Luanda (1976). É membro fundador da União dos Artistas Plásticos (1977). Concluiu o curso médio de Pintura, em Havana, em (1981). Concluiu a licenciatura em Educação Visual e tecnológica na Escola Superior de Viana do Castelo (1994). Foi co-fundador e professor de desenho, gravura e pintura e também director da Escola Média de Artes Plásticas em Luanda (1994/1997).

Concluiu o Mestrado em Educação Artística na University of Surrey Roehampton em Londres. Foi Secretário-Geral da UNAP e Director Nacional de Formação Artística. Actualmente é docente da disciplina de desenho no Curso de Arquitectura da Faculdade de Engenharia da Universidade Agostinho Neto e professor colaborador do Instituto Superior de Artes.

Autor de diversas obras, estão sendo que as suas colecções presentes em várias salas nacionais e internacionais.

 

 

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