MUNDO

 
6 de maio 2017 - às 06:39

FRANÇA FAZ TREMER A EUROPA

O socialista Emmanuel Macron venceu a primeira volta das eleições presidenciais francesas, de 23 de Abril. Marine Le Pen irá disputar a segunda volta, marcada para 7 de Maio. Mas, a líder da extrema-direita deverá ser derrotada, devido à união das forças políticas tradicionais

 

No acto eleitoral, Emmanuel Macron obteve 24,01%, enquanto Marine Le Pen conseguiu 21,30%. O conservador do Partido Republicano, com uma campanha repleta de escândalos, registou 20,01%. Jean-Luc Mélenchon, do Partido da Esquerda, ficou no quarto lugar, com 19,58%.

Embora não tenha vencido, de facto, a primeira volta, Marine Le Pen conseguiu praticamente uma vitória, agitando a campanha e trazendo para a primeira linha discursos xenófobos, anti-semitas e desvalorização da participação de França na política nazi.

Paralelamente, juízes franceses requereram, ao Parlamento Europeu, o levantamento da imunidade parlamentar de Marine Le Pen. Sobre a candidata da extrema-direita recaem suspeitas de ter criado empregos fictícios.

Apesar de não se prever uma vitória de Marine Le Pen, os políticos das forças tradicionais, que têm desde a fundação da comunidade gerido a Europa, estão apreensivos. Não apenas porque se repetem situações de ascensão de partidos populistas, mas porque a queda de França causaria um terramoto bem mais forte do que o Brexit.

 

Sobressalto institucional - Jeroen Dijsselbloem, presidente do Eurogrupo, criou agitação política ao visar os países do Sul da União Europeia, acusando-os de gastarem o dinheiro em copos e mulheres – uma metáfora a aplicarem mal o dinheiro e de pouco fazerem por políticas proveitosas.

O clamor dos países visados foi rápido. Foi pedida a cabeça do ministro holandês das Finanças e sugeridos nomes – nomeadamente a do português Mário Centeno, que o Governo de Lisboa recusou.

O presidente do Eurogrupo nunca se retractou publicamente, preferindo desvalorizar e enquadrar a afirmação com o modo de expressão dos holandeses. Ao contrário, prestou declarações tidas como acintosas e arrogantes, mesmo quando confrontado directamente por governantes dos países visados.

Jeroen Dijsselbloem refugiou-se no reconhecimento de que (talvez) a forma não tenha sido a mais indicada, porque demasiadamente directa, mas reafirmou o conteúdo da opinião.

No momento do fecho desta edição ainda não se tinha verificado uma demissão, voluntária ou forçada. Embora correndo muitos rumores sobre o afastamento do holandês, o passar do tempo pode ter esfriado os ânimos dos sulistas e a compreensão dos outros Estados. Ou seja, ficar tudo como está.

 

Um susto vindo da Turquia - Os turcos votaram, em referendo, a ampliação dos poderes presidenciais. A votação de 16 de Abril deu cerca de 51% ao desejo de Recep Erdogan. Porém, a oposição tem dúvidas e pediu a recontagem de 37% dos votos.

Populista e adepto de política de confronto, nomeadamente face à União Europeia – apesar de manter manifestação de vontade de integrar – tem sido acusado de estar a realizar um golpe de Estado, visando a constituição de uma ditadura.

Adepto de políticas religiosas – situação afastada pelo regime, da década de 20 do século XX, de Mustafá Kemal Ataturk, que instaurou a laicidade do Estado – Recep Erdogan visa tornar a Turquia num Estado presidencialista, substituindo o parlamentarismo.

Recep Erdogan tem-se afirmado como defensor da restauração da pena de morte no país. Facto que a acontecer, a somar a outras condutas, têm feito aumentar a opinião de sanções ou afastamento da Turquia do Conselho da Europa.

 

Guerra de cantigas no Leste europeu - A conflitualidade no Leste da Ucrânia aparenta ter-se acalmado. A guerra passou para o Festival da Eurovisão da Canção. A edição deste ano está marcada para 13 de Maio.

O Grupo de Contacto Trilateral reuniu-se no final de Março. Formado pela Rússia, Ucrânia e Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, o conjunto declarou não haver alternativa ao Tratado de Minsk 2.

O Governo de Kiev decretou que não permitiria a entrada de Julia Samoylova, devido a ter actuado na Crimeia após a anexação russa do território. Em protesto e forçando uma tomada de posição dos outros países da Eurovisão, Rússia decidiu abandonar o concurso.

A recusa de entrada de um artista nunca tinha ocorrido desde a criação do Eurofestival, em 1956. A Ucrânia arrisca-se a ser expulsa da organização. 

O socialista Emmanuel Macron venceu a primeira volta das eleições presidenciais francesas, de 23 de Abril. Marine Le Pen irá disputar a segunda volta, marcada para 7 de Maio. Mas, a líder da extrema-direita deverá ser derrotada, devido à união das forças políticas tradicionais

Copyright © Figuras & Negócios - Todos os direitos reservados strong>

Contato
Home
Acervo Digital