FIGURAS DO MÊS

 
25 de junho 2015 - às 10:07

FLORINDA JOANA CHILUMBO EMPRESÁRIA AVÍCOLA CRIADORA DE AVES VENCE NA PRODUÇÃO DE OVOS

No quadro de um projecto do governo que visa reduzir a importação de produtos, vários empreendedores nacionais vão surgindo com alguma força e têm feito uma aposta contínua no mercado, ainda que se esbarrem com dificuldades  enormes na obtenção de créditos junto das instituições bancárias.Vontade de vencer na vida,muita criatividade e organização para que os seus projectos vinguem, fazem parte do “cardápio” de  sobrevivência  destes pequenos empresários

 

Florinda Joana Chilumbo é um exemplo desta luta quotidiana. A empreendedora decidiu investir na criação de aves poedeiras desde Agosto de 2014, e graças ao seu empenho pode-se garantir que grande parte dos citadinos em Malanje deixou de consumir ovos importados.
 Segundo ela, a ideia surgiu nos anos 90 quando viajou para as Lundas à procura do apetecível negócio de diamantes. Conseguiu alguns trocados e comprou um camião Kamaz, com o qual fez arrojados trajectos entre as províncias Lundas, Malanje e Bié. Quando o camião avariou, três anos depois, através de uma amiga que vendia ovos e carne, Chilumbo viu a necessidade de aliar-se a ela e passa a fazer o mesmo, comprando no Bié e vendendo  na cidade de Malanje onde acabou por fixar residência e contraiu matrimónio.
Quatro anos depois, como resultado da comercialização dos referidos produtos, consegue amealhar mais dinheiro e  vê o seu sonho paulatinamente a ser realizado.Decide apostar tudo,  investindo na criação de aves e gado bovino, estendendo o seu raio de actividade às províncias de Benguela, Bié e Cunene.
Nas suas andanças, contactou o soba da aldeia do Ngiry, comuna de Mufuma, município de Kiwaba Nzoge, localidade que dista a 40 quilómetros da sede provincial-Malanje. Solicita uma parcela de terra e junto das estruturas do governo consegue legalizar uma área de mil metros  quadrados.Aqui, implementa a primeira fase de um projecto de sonho: quatro pavilhões foram construídos para a criação de  galinhas poedeiras.
 Consegue instalar uma motobomba com capacidade de bombear 100 mil litros de água por dia, na margem do rio Ngiry.Depois de criar as estruturas físicas, o passo seguinte foi conseguir financiamento junto das instituições bancárias, sustentando-se no programa Angola Investe.Todavia, lamenta que ainda não obteve nenhuma resposta.Mas Chilombo jamais desistiu…
Em Outubro de 2013, através de iniciativa própria, consegue mais algum dinheiro, facto que a possibilitou comprar o primeiro lote de 9.500 pintos.Hoje, os  quatro pavilhões “hospedam” também 2. 375 aves em cada nave e como resultado de vendas da primeira produção de ovos, comprou cabeças de gado bovino.
Chilumbo nasceu na localidade de Capelongo, município da Matala (Província da Huíla) no seio de uma família camponesa criadora de gado. Cresceu com esta vocação e aguardou apenas por uma oportunidade que a vida lhe ofereceu e ela encarregou-se de se beneficiar dela com muito sacrifício.
“Continuo com o mesmo empenho e sempre agarrada à necessidade de colaborar com o programa do governo que visa reduzir as importações de bens alimentares que podem ser produzidos no nosso país, privilegiando a produção local de ovos e carnes”, afirma, lamentando a falta de sensibilidade por parte dos bancos em concederem créditos. “Estou a trabalhar com poucos recursos financeiros, mas, mesmo assim,  os resultados obtidos  podem ser considerados satisfatórios, uma vez que  nos preparamos para atingir a cifra de 8 mil e cem ovos produzidos por  dia, numa média de 2 mil e vinte e cinco por cada pavilhão”, afirma.
Para si, esta é a produção possível, correspondente à  capacidade instalada no local. Chilumbo considera que  caso as suas preocupações forem atendidas em termos de financiamento, pode claramente atingir índices mais elevados.
A empreendedora confidenciou-nos que no seu projecto inicialmente foram empregues 10 milhões de Kwanzas, mas sente necessidade de um maior investimento por forma a alargar as suas acções com mais pavilhões, atendendo a elevada procura dos seus produtos , quer no mercado local como a nível regional.
Para já, uma meta conseguiu atingir uma vez que já se fala que Malanje consome ovos produzidos localmente.
A empreendedora garante que mais de 90 por cento dos citadinos malanjinos consome ovos produzidos na sua “fábrica”, confirmando haver procura suficiente para que o negócio progrida em outras regiões.Esperançada, faz fé  que nos próximos dias a solicitação de financiamento junto do Programa “Angola Investe” seja aceite para uma intervenção mais melhorada.
 Quanto a produção de ovos, que se  iniciou em Agosto de 2014, Chilumbo conta que apenas  conseguia colher 20 cartões de ovos por dia; hoje  pode fazer a festa com a produção de mais de 250, confirmando a comercialização de mais de 40 mil ovos, ou seja, consegue colocar no mercado uma  média de 50 caixas por dia.
Em Malanje, o cartão é comercializado na sua fazenda a 950 kwanzas, equivalente a 30 Kwanzas o ovo.Para si, o preço não é muito elevado se se atender os valores altos investidos na aquisição de matéria-prima no processo produtivo, incluindo as embalagens, a ração e vacinas que se adquirem em Luanda, por via da importação.
 Quanto às dificuldades, a empreendedora apontou a subida de preços das matérias primas e falta de transporte apropriado que possa facilitar as deslocações diárias com mercadoria da quinta para a cidade, que dista a 40 quilómetros.
Florinda Joana  Chilumbo é igualmente produtora de gado. Iniciou com quatro cabeças e hoje tem mais de 120 bovinos. Nada mau, mas lamenta que algum do seu esforço é mal sucedido devido à falta de tractores e alfaias agrícolas que poderiam facilitar o cultivo da terra, adicionado ao projecto da criação de aves e animais.
De acordo com Joana Florinda Chilumbo, os seus aviários proporcionaram mais de vinte empregos directos de angolanos, postos ocupados por 13 mulheres e sete homens.

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