LEITORES

 
28 de fevereiro 2016 - às 13:52

FISCAIS OS “CAÇADORES FURTIVOS” DA CIDADE

 

Tudo indica que a actual crise que o país atravessa vai durar e que as suas consequências não serão sentidas por todos. Vou directo ao assunto: existe por aí um bando de abutres que se tem aproveitado dela e de uma forma brutal; a começar pelos estabelecimentos comerciais, alguns dos quais têm a chancela gestora do próprio Estado.

A população ressente-se com essa verdadeira praga de quebra de valores morais, onde o sentimento de solidariedade humana é ultrapassada pela ganância. Mas não basta estarmos a lamentar que eles, os tais fiscais que jocosamente alguém qualificou de “caçadores furtivos” existem. O que mais revolta é o sentimento de impunidade com eles demonstram diante daqueles que, sem emprego, tentam sobreviver em condições que o próprio Estado não consegue fornecer.

Existiu sempre um movimento de indignação popular  perante os actos arbitrários perpetrados pelos fiscais ( é  evidente que devem constituir uma minoria no meio de centenas que faz da sua profissão um verdadeiro exemplo de honestidade. Haverá alguma instituição do Estado para os “caçadores furtivos” de sugar os mais pobres?. Ao que me parece, há gente por aí com responsabilidades que se está marimbando para o que se passa. Para vê-los a actuar como verdadeiros “caçadores furtivos” basta dar uma volta pela cidade atrás das miseráveis zungueiras, cheios de gana para sacar os seus produtos…

“São chatos e não têm pena de ninguém!”- Chora uma senhora grávida. “ É a vida deles, passam o tempo inteiro a nos controlarem para nos assaltarem”- grita outra no meio de um lamaçal em que expôs os seus produtos, parte dos quais foi surripiado.

Nem adianta analisar este fenómeno da fuga dos mercados municipais erguidos pelo Estado. Se temos milhares de consultores contratados para estudar este fenómeno, que dura uma eternidade, porquê que não se resolve também o problema daqueles  fiscais que mais parecem “chimbas”; os tais que no tempo colonial fartavam-se de dar cacetadas aos mais pobres e indefesos? 

Porquê que, para além da formação da especialidade do “cerco”, “expropriação coerciva e violenta” dos bens das zungueiras, não se lhes dão aulas de civismo, ética e mesmo algo razoável sobre direitos humanos?. Pelo que se saiba, fiscal não prende; cobra e nada de estar por aí à caça de produtos alheios.

 Outra pergunta se impõe: para onde são encaminhados os tais produtos? Para as cadeias, hospitais, creches o campos de reeducação? Se assim acontece, e uma vez que os produtos são apreendidos precisamente por estarem expostos a doenças, então é caso para se dizer que estamos diante de mais um problema bicudo.

Moro no S.Paulo. Nos dias em que decorreram as mais recentes eleições gerais, não vi nenhum fiscal, nenhum polícia a dar “berridas” às zungueiras. Era uma festa, toda gente a dançar e o povo pobre sorria para depois votar em quem lhes protegia os negócios.

Depois da festa eleitoral, a coisa mudou radicalmente. Sucederam-se casos de violência e extorsão como nunca. Acontece que, paradoxalmente, muitos fiscais têm as suas próprias famílias a venderem nos mercados paralelos; sujos de lixo, cheios de moscas, baratas e ratos; por cima de esgotos, passeios, enfim… Sabe-se que nos musseques os fiscais são os cidadãos mais odiados da comunidade, alvos de chacota e marginalizados. O problema é que todos sabem quem é quem, o que traz para casa e a festa que se encarrega de fazer através das “yulas”. O povo não gosta…

Caetano A.K. de Jesus - Luanda

 

TIRADAS DA IMPRENSA

 

"Nestes 100 anos de samba sempre houve experimentações, desconstruções, jovens talentos trazendo coisas novas... Essa linha rítmica, tão forte, só não desapareceu por um motivo, porque o povo não deixou"/Paulinho da Viola, cantor e compositor brasileiro no diário espanhol El País.

 

"Eu realmente gosto de vocês, mas essa música é horrível"-Beyonce, cantora e compositora americana, ao se recusar a gravar uma faixa do novo disco do grupo inglês Coldplay,segundo revelou Chris Martin, líder da banda, na revista Rolling Stone. Beyonce e o Coldplay apresentaram-se nos EUA no intervalo do Super Bowl

 

"Raúl Castro vai embora.  Tem 85 anos e já está com a decisão tomada. Por que? Porque não se pode brigar com a biologia"-José Mujica, ex-Presidente do Uruguai, no jornal Lá República, de Montevidéu. Mujica esteve em Havana no final de Janeiro.

 

"Se realmente é você quem lê esses comentários, eu me sinto no direito de lhe dizer que o senhor deveria dar uma volta pelos hospitais públicos e comprovar como morrem os venezuelanos, já que não há nem ao menos álcool para limpar as suas feridas"- comentário postado na página do Facebook do Presidente da Venezuela, Nicolas Maduro.

 

BOCAS SOLTAS

 

Não existem sinais de alerta, quer sejam vermelhos ou amarelos, que aguentem as fortes consequências das chuvas. O tempo passa, os espaços de sobrevivência vão se deteriorando, as famílias tornam-se mais miseráveis e a maior parte dos gestores da cidade de Luanda encolhe os ombros ou assobia para o lado. A face mais visível é a do governador de Luanda, que, de repente viu-se incapaz de atravessar as zonas mais críticas. Bem que o homem tente resolver algumas makas, mas essas vêm detrás… Deve ser o “centésimo” gestor nomeado ou menos do que isto, mas que a coisa está negra…. está.Higino Carneiro não dorme descansado porque no dia seguinte não é nada fácil passar pelos pingos da chuva. O cidadão anónimo tem uma ideia muito crítica sobre o estado da (sua) cidade, mas há quem veja o ambiente muito propício para uma análise com humor….

 

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“Se o governador que tem um jeep 4X4 não consegue atravessar uma ruela, eu que tenho um “girabairro” bem enguiçado vou sair de casa como? O senhor ainda não parou no gabinete e deve estar a despachar alguns incompetentes cara a cara… Dava-lhe jeito espetar umas galhetas como no tempo da tropa. Não tenho dúvidas!”

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“Já estou arrependido de viver em Luanda. Fugi do Huambo, onde chovia todos os dias, mas parece-me que temos um dos governadores mais azarados. Foi nomeado exactamente no mau tempo. Não se trata de teoria alguma de conspiração,mas ele deve estar muito fatigado com as obras erguidas na periferia da cidade… Mas o problema é dele! Para exercer o cargo, de forma mais folgada, devia fazer um compasso de espera até que S.Pedro deixasse de aparecer como o fiscal mais duro das estradas, becos, sargetas, canais de irrigação e pontecos de Luanda”

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“Estou agastado com a situação dos musseques e notem que não vivo lá.Sinceramente, conhecedo bem o “camarada” governador, depois deste tempo péssimo, ele vai meter na rua muitos administradores, a começar pelos comunais que estão sempre à espera das tais “ordens superiores”.Olhem que ele tem uma ideia que me parece razoável: administrador tem de ser também secretário do partido. E agora esta?”

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“ Chuvas fortes, para mim, não constituem novidade. Até porque sou cientista diplomado nestas coisas de mudanças de clima, ambiente e, sobretudo, má gestão dos espaços. Que a situação está péssima… está. Agora resta-nos aguentar com a praga que vem lá de cima. Gosto disto para ganharmos todos algum juízo. Lembrem-se que o actual governador já foi ministro da Construção e Urbanismo, salvo seja. Ele vai dar conta do recado, mas só mesmo no próximo ano” 

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