ECONOMIA & NEGÓCIOS

 
6 de maio 2017 - às 06:28

FILDA EM CRISE: FIL E FUNCIONÁRIOS ABANDALHADOS

A FILDA (Feira Internacional de Luanda), veio se mostrando há cerca de 33 anos, a maior amostra de produtos e serviços do empresariado nacional e internacional, em Luanda

 

É que, se desde a sua criação, o objectivo era apenas expôr as potencialidades económicas e recursos naturais do país numa única feira, actualmente, a coisa deu uma volta de 360º e a FILDA desenvolveu-se para uma verdadeira bolsa de negócios, que recebe(ia) todos os anos 30 mil visitantes e perto de mil empresas, nacionais e estrangeiras. 

Fontes internas esclarecem que, a última FILDA, realizada no ano de 2015, já deu conta de uma quebra forte. Mas foi em 2016, depois de adiada de Julho para Novembro (que finalmente não aconteceu, devido a baixa adesão de inscrições, quando o calendário já contava trinta dias para a sua abertura, tendo sido apontado como forte motivo a crise económica que se iniciou no país, em finais de 2015), que a Feira conheceu uma redução de mais de 75% de inscrições face as presenças da feira do ano anterior.

Em Outubro, fez-se saber que a Feira tinha sido uma vez mais adiada de Novembro de 2016 para Julho de 2017; mas sabemos de fontes seguras que as coisas não correm bem d'entre as quatro paredes da FIL (Empresa privada com participação de entidades públicas, criada em 2007, para gerir a FILDA), já que os seus funcionários  se sentem abandonados.

Uma funcionária, que não quis gravar entrevista, chegou a mostrar mesmo que se sentem abandalhados, narrando que há cerca de oito meses que não recebem salários, e que, de lá para cá continuam sem uma satisfação da Direcção; com quem também tentamos contacto imensas vezes, no sentido de clarificarem por que razão a FIL se encontra praticamente encerrada, com os funcionários esquecidos e sem salários, mas sem sucesso: negaram-se falar aos nossos microfones!

Em Outubro de 2015, altura em que o evento foi adiado para Julho do ano em curso, o Economist Intelligence Unit (EIU) considerou que o cancelamento da FILDA, exemplificou "a dimensão dos desafios" de Angola e avisou que os expositores têm de ser indemnizados pelos depósitos que já tinham sido pagos.

"Além da oportunidade de promoção do país, que foi perdida, é provável que muitas companhias já tenham feito depósitos para ir ao evento; qualquer falhanço na devolução total dessas verbas causará mais estragos à já de si fraca reputação externa como um bom sítio para fazer negócios", escreviam os peritos da unidade de análise da revista britânica The Economist. 

De referir ainda que, em 2015, a FILDA havia contado com a participação de 853 expositores, ocupado uma área bruta de 28.000 m2 distribuídos por 7 pavilhões e área exterior; para a edição de 2016, estes números viram-se reduzidos, respectivamente, para cerca de 25 e 27%, com repercussões imediatas na realização do evento – uma quebra superior a 50% nos referidos indicadores inviabilizava técnica e financeiramente o certame, pois teria fortes implicações na dimensão, qualidade e visitação da feira, contrariando as expectativas de expositores e visitantes e acarretando consequências negativas agravadas, imediatas e a posteriori, quantificáveis e não quantificáveis. 

 

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