ECONOMIA & NEGÓCIOS

 
8 de junho 2017 - às 06:02

FERTILIZANTES A CAMINHO DE UM MERCADO SEM SEMENTES UMA INDÚSTRIA À ESPERA DE SUPLEMENTOS

Engenheiro agrónomo diz que empresas públicas gastaram USD 1.500.000 nos últimos anos, mas Angola continua a ter problemas com sementes agrícolas, extensivos à qualidade, chegando a importar de um país que andava de mãos estendidas  

 

A disponibilidade de fertilizantes em Angola, conforme atesta a baixa do preço, colocou, por um lado, a classe produtora a respirar de alívio, tal era o aperto dos últimos meses, mas descortinou, por outro, insuficiências em matéria de sementes, terra vegetal para a sua germinação e pulverizadores.

Quem anda no terreno, como é o caso de Etson Ferreira, técnico de uma empresa fornecedora de bens agrícolas, prefere avançar para nova página, ultrapassado o problema ligado à escassez de divisas, e olhar para outros factores de produção.

Presente na 7ª edição da Feira Internacional de Benguela (FIB), evento que passou em revista as debilidades do sector agrícola face às exigências da indústria transformadora, o funcionário da DISPEC – Agricultura e Pecuária - sugere primazia para sementes de milho e hortícolas como tomate, cebola, couve e repolho. ‘’São, a par de sistemas de rega e agroquímicos, os produtos que nós oferecemos’’, salientou o técnico, horas antes de uma conferência sobre ‘’O Papel da Indústria Transformadora no Sector Agro-alimentar’’, que teve como orador o Engº Fernando Pacheco.

Membro do Observatório Político e Social de Angola (OPSA), o consultor lamenta que grandes empresas agrícolas do sector público tenham aplicado mal qualquer coisa como mil e 500 milhões de dólares, valor que ‘’deveria ter sido colocado ao serviço de projectos estruturantes’’

Com a calculadora focada nos últimos quinze anos, acrescenta, mesmo ciente das debilidades do nosso sistema de estatística, que os índices de produção e o número de empregos ficam muito aquém deste montante.

Em causa estão, segundo Fernando Pacheco, valores que bem poderiam ter sido aplicados em sementes, fertilizantes e pesticidas, assim como, numa vertente académica, na investigação científica e assistência técnica ou extensão rural. ‘’Com investimentos no desenvolvimento destas variantes, complementados com a exploração de fosfato para o problema dos solos, teríamos uma situação diferente, sem dependências’’, avança.

Foi com este argumento que, já na hora dos exemplos, o especialista lembrou que o país adquire sementes de milho a uma Zâmbia que há 40 anos se encontrava numa realidade algo deplorável. ‘’Os nossos produtores, excepto os que possuem divisas para importar, usam sementes de baixa qualidade, de baixíssima qualidade’’, critica, juntando a estas lacunas o facto de 65 a 70 por cento da área de produção nacional estar a ser trabalhada com recurso a enxadas, meios que substituem a tracção animal e os tractores.

Defensor de mudanças, por isso ‘’pouco interessado em saber as causas do atraso’’, afirma que Angola não investiu em vias secundárias e terciárias, as que têm contacto directo com as áreas de produção e o mercado.

Desta forma, sublinha o membro do OPSA, não se produz cinco ou dez vezes mais num hectare, ficando comprometidas áreas como a indústria e o agro-negócio. ‘’É bom lembrar que faço observações em relação aos projectos públicos, já que os privados compreendem outra análise, embora reconhecendo que as ideias contidas na estratégia para até 2025 são boas. Pecamos na aplicação prática’’, reforça. 

Numa visita ao Huambo, o ministro da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, Marcos Nhunga, anunciou a chegada de fertilizantes e sementes, fruto de um convénio assinado com Marrocos.

Com o arranque da campanha agrícola 2017/18 marcada para Julho, o governante regozija-se com a baixa do preço dos fertilizantes para seis mil Kwanzas, contra os 35 mil anteriores, e garante que há coordenação para a distribuição em todas as províncias. 

Copyright © Figuras & Negócios - Todos os direitos reservados strong>

Contato
Home
Acervo Digital