LEITORES

 
28 de junho 2016 - às 07:38

FALA MESMO, PAULO FLORES!!!

Como leitor comum e apartidário, julgo ser importante reconhecer-se que esta estrela da nossa música não teme represálias, não alinha na batida de palmas uniforme de muitos colegas seus.

 

Se me permitirem, tenho mesmo que abrir alas a este grande músico e compositor angolano, de nome Paulo Flores. Admiro-o bastante desde os tempos de menino, exactamente numa altura em que a força do semba andava pelos pingos de uma chuva muito forte proveniente do movimento da música antilhana e cabo-verdiana. Ele manteve-se firme e juntamente com Eduardo Paim e outros ícones da nossa música radicados em  Portugal e outras paragens resistiram e conseguiram , mais tarde, fazer ressurgir os nossos ritmos em tom maior.

Enquanto isso, por cá, outro movimento de resistência cultural popular foi fazendo pela vida e, não raras vezes, ultrapassando alguns obstáculos de carácter político-ideológico. Mas esta quadra da política vivida no tempo do partido único são contos de outros tons e sons que não entram aqui na minha pauta. O que quero mesmo falar é de Paulo Flores, que, não por acaso, mas certamente pela sua formação como homem, patriota, e ciente do que se passa no seu país, começa por tocar/cantar a  sério sobre as nossas vidas de ontem , de hoje e do futuro.

Pois é. Depois de umas críticas carregadas de muito humor e inteligência  em variadas músicas do seu vasto e brilhante repertório, Paulo Flores assume-se de corpo e alma naquilo que podemos considerar, sem qualquer  receio, como um dos mais representativos “cantores do povo”; esses mesmo que estão sempre e sempre “casados” com os seus anseios e desejos; com as suas preocupações quotidianas, enfim, Paulo Flores vai em frente, não se sente amordaçado e vai o que lhe diz o seu coração.

Como leitor comum e apartidário, julgo ser importante reconhecer-se que esta estrela da nossa música não teme represálias, não alinha na batida de palmas uniforme de muitos colegas seus. Salta a pauta no calor da liberdade de expressão consagrada na Lei Constitucional e, nessa linha, critica o que tem de criticar no quadro da situação social absolutamente confrangedora por que o povo passa neste momento.

Vem isto a propósito de uma entrevista  do artista tornada pública pela Lusa, na qual considera que esperava, por parte das autoridades angolanas,  “uma maior abertura e construção, com todos incluídos”, na discussão dos problemas nacionais mais graves e actuais. Para si, “endureceu-se bastante a posição” e pelo que observa, existe “um exagero e um atropelo aos direitos humanos”. “É preocupante e já falo nisso há algum tempo”, afirmou.

“Sempre cantei as minhas músicas e muitas vezes elas foram consideradas críticas (ao regime), mas nunca senti tanta repressão, ou tanta má vontade. Este tipo de postura não é tolerável. As pessoas consideram logo que estamos contra o próprio país. Isso deixa-me muito preocupado”, frisou Paulo Flores, acrescentando que,ao criticar, nada mais faz do que “exercer a cidadania”, algo que, frisou, “nada tem a ver com partidos políticos”.

“Às vezes tenho de explicar às pessoas em Angola, que ficam muito chateadas comigo quando tomo certas posições ou escrevo certas músicas, que, para mim, no fundo, é exercer a minha cidadania, não tem rigorosamente nada a ver com partidos políticos”, sublinhou o músico angolano, que espera lançar a sua 15ª obra discográfica ainda no decorrer deste mês, intitulada “Bolo de Aniversário”.

 “(…) A  minha intenção é sempre criativa, falar das pessoas, da generosidade das pessoas, e da capacidade que têm. Quando falo da falta de acesso à educação ou dos problemas mais básicos, a coisa acaba por se tornar, por vezes, política. Mas a intenção é sempre de contabilizar as pessoas, que, muitas vezes, são postas de parte”, rematou Paulo Flores.

Faustino Costa M. Geraldo - Luanda

 

TIRADAS DA IMPRENSA

 

"Angola, pela sua opção política de estado democrático e de direito, segue uma política que garante o exercício das liberdades e direitos fundamentais".

JOSÉ LUÍS DE MATOS, Ministro da Comunicação Social em conferência na China.

 

"O desafio eh cada vez maior por estar enquadrado nos diferentes conceitos e cenários geopolíticos internos e externos dos quais a paz e a segurança são factores indispensáveis para a livre circulação".

IGIDIO DE SOUSA E SANTOS, vice-Chefe do Estado Maior General para a Educação Patriótica, in O Pais.

 

"Estamos a atravessar um momento difícil, mas a situação de crise não há-de durar sempre e por isso temos que trabalhar hoje para tornar possível alguns dos nossos sonhos".

JOÃO LOURENÇO, Ministro da Defesa, in Jornal de Angola.

 

"Neste momento temos condições de entregar o Bilhete de Identidade em menos de 48 horas,com uma média diária de 130 pedidos".

RUI MANGUEIRA, Ministro da Justiça e Direitos Humanos.

 

BOCAS SOLTAS

 

No mês passado, uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) chegou à Luanda, conversou alegremente com a nosso governo, iniciando  deste modo um novo ciclo de consultas, conselhos e propostas, no sentido de se prestar uma assistência multifacetada, que inclui a técnica e financeira. Pelo que se soube do chefe da missão do FMI, o brasileiro Ricardo Veloso, o apoio em termos de envelopes poderá chegar aos 4, 5 mil milhões de dólares, em três tranches. O pacote servirá para financiar a tão precisada “diversificação da economia”, mas sabe-se de fontes seguras que a maka da “massa” nestas conversações iniciais nem sequer foi colocada na mesa. Os cidadãos anónimos convocados para essa rubrica, rezam, esbracejam ou assobiam para o lado, mas uma sondagem muito mal feita assegura que “quem não tem cão caça… mesmo com o gato!”, tal é a magnitude dos sacrifícios suportada pelo povo. Vamos às opiniões?

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“O  segredo é a alma do negócio”… Eu acho que nas próximas rondas negociais já se vai saber se Angola avança para mais uma dívida deste tamanho. Obviamente que será paga pelos contribuintes, caso a crise do petróleo persistir nos próximos cinco anos. Vamos ver se o nosso governo terá capacidade suficiente para não soçobrar diante de tantos biliões apetecíveis”.

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 “Também não vale a pena estarmos a crucificar o governo só porque está a negociar com o Fundo Monetário Internacional. Até porque Angola tem honrado os seus compromissos, de acordo com as suas quotas  na instituição. Mal de nós se estivéssemos como a  Venezuela ou se passássemos um bocado pela tempestade à Grécia”.

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 “Acredito que se a malta não solicitou ainda o empréstimo dos tais quatro “bis”  ao FMI é porque o Executivo angolano tem algum trunfo na mão… O resto é conversa de auditorias do Fundo, busca de parcerias, enfim… vão aparecer por aí com muitos papéis, os tais consultores da instituição a dar-nos lições de gestão séria e competente. E isso é bom? Por mim, é nem sim nem não. O que devíamos fazer há muito tempo era gerir bem o que foi nosso no tempo das vacas gordas. Como estivemos todo o tempo a dançar, agora chegou a hora de parar a festa de uma vez por todas e, se calhar, responsabilizar os indivíduos que atiraram o país para este fosso”.

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“Pois que venha o FMI! Qual é a maka? Inúmeros países europeus estiveram com a corda no pescoço e conseguiram equilibrar as suas contas. O que eu sei é que nem daqui a dez anos conseguiremos nos redimir dos erros cometidos pela gestão danosa das riquezas nacionais.  

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