MUNDO

 
29 de julho 2017 - às 07:41

EUROPA VAI RESPIRANDO DE ALÍVIO

O eixo franco-alemão está reforçado com a eleição de Emmanuel Macron e o resultado do seu partido nas legislativas. A economia da União Europeia está a melhorar e fala-se de reforço em diferentes dossiês de governação

 

O presidente tem carta-branca dos franceses. Depois das presidenciais, o partido República em Marcha obteve a maioria absoluta, nas legislativas. Em Itália, o populismo foi censurado nas autárquicas.

O República em Marcha elegeu 308 deputados, num total de 577. Há ainda a somar 42 os eleitos pelo Movimento Democrata (MODEM), que formou aliança com o partido do presidente francês.

O partido populista de Extrema-Direita Frente Nacional, de Marine Le Pen, obteve oito lugares, mais seis do que nas legislativas de 2012. O acto eleitoral francês fica marcado pela forte abstenção, que representou 57,4%.

Já o partido populista de Extrema-Esquerda Movimento Cinco Estrelas foi punido pelos eleitores. Nas eleições municipais parciais, de 11 de Junho, a força do ex-comediante Beppe Grillo não conquistou nenhuma das capitais regionais ou de província. Ficou-se por nove edilidades de pequena dimensão. Nas autárquicas de 2016 venceu em 19 municípios.

O resultado do Movimento Cinco Estrelas nestas autárquicas veio baralhar as contas políticas. Há quem tenha ditado o seu fim, mas também quem saliente que é precisa prudência. Tido como potencial maior força política italiana, esta força surpreendeu, em 2013, quando conseguiu 25% dos votos nas legislativas e 21% nas europeias.

Em consequência do resultado do Movimento Cinco Estrelas, os juros da dívida italiana a dez anos caíram para o valor mais baixo desde há seis meses. Note-se que o Movimento Cinco Estrelas é um partido anti-sistema, manifestando-se antieuropeísta e defendendo um referendo sobre o euro.

 

Fortalecer a União Europeia - As vitórias de Emmanuel Macron caíram bem na capital alemã. O presidente francês e a chanceler alemã falam de um maior entendimento e há sinais de reforço do eixo Paris-Berlim. Com o brexit e o posicionamento de Donald Trump face à União Europeia, os líderes destes dois países querem dar um novo impulso ao bloco.

A Comissão Europeia quer também operar alterações, nomeadamente ao que ao euro diz respeito. Alemanha e França mostram-se favoráveis à criação de um lugar de «ministro das Finanças» comum, com poder orçamental e económico.

O cargo representaria a chefia do Eurogrupo e da pasta dos Assuntos Económicos da União Europeia – podendo concretizar-se em 2019. O «ministério» teria orçamento próprio, com receita proveniente em títulos de dívida comuns, no horizonte de 2025.

Os eurobonds seriam emitidos por um Tesouro conjunto, parte integrante do Fundo Monetário Europeu, cuja tutela seria partilhada pela Comissão Europeia e o Eurogrupo. Note-se que a Alemanha tem-se manifestado contra as euro-obrigações.

«Só conseguiremos combater os perigos do populismo se invertermos a situação de divergência económica e social na área do euro, que alimenta esse mesmo populismo. Chegou a hora de concluirmos o percurso que iniciámos em Maastricht, na direcção de uma verdadeira união económica e monetária, com instituições eficazes e responsabilização democrática» – declarou Pierre Moscovici, comissário dos Assuntos Económicos.

O ministro alemão das Finanças e o ministro francês da Economia estão a trabalhar numa proposta de reforma da Zona Euro, que trará um aprofundamento do sistema. Wolfgang Schäuble e Bruno Le Maire têm de apresentar o documento em Julho.

A ideia de reforço e aprofundamento da Eurozona tem sido defendida por mais dirigentes do bloco. Na Alemanha, que terá eleições legislativas a 24 de Setembro, o principal opositor de Angela Merkel, o social-democrata Martin Schulz, está alinhado com essa vontade.

As propostas concretas e as metas, do documento de Wolfgang Schäuble e Bruno Le Maire, deverão ser avaliadas, ao mais alto nível, em cimeira, em Dezembro. O trabalho desenvolve-se em três áreas: projectos conjuntos de investimento; convergência orçamental; e coordenação das políticas económicas – neste último ponto podem estar uma convergência fiscal e normas para um subsídio de desemprego.

Após a manifestação de vontade, do presidente dos Estados Unidos da América, em reduzir o seu apoio militar aos países da União Europeia, o bloco quer avançar com reforço orçamental, defende a Comissão Europeia.

O executivo comunitário defende a criação dum fundo anual de 5.000 milhões de euros para despesas com a defesa. Este montante será para fortalecer o bloco e é complementar aos fundos para a Aliança Atlântica.

As verbas serão canalisadas para a investigação e para desenvolvimento e aquisição de material bélico. Os investimentos dos países serão co-financiados por esse fundo europeu.

Em paralelo, irão ser estudadas alterações nas políticas de defesa. Em análise estão três hipóteses: cooperação em segurança e defesa; partilha de responsabilidades em segurança e defesa; e defesa e segurança comuns.

A defesa da União Europeia não passa apenas pela guerra convencional. Acções dogmáticas, nomeadamente de cariz religioso, estão no rol das preocupações de segurança dos países do bloco.

Os atentados terroristas têm vindo a somar-se, mas o fanatismo violento não tem tirado, propriamente, o sono aos europeus. Não há uma política comum, parece haver falta de cooperação e de avaliação de ameaças, mas as autoridades, dos diferentes países, têm vindo a acertar procedimentos.

 

Perspectivas favoráveis - O Banco Central Europeu (BCE) espera uma melhoria da economia da Zona Euro. Mario Draghi afasta a hipótese de retrocesso. Porém, o presidente do BCE considera que ainda não é tempo de deixar de intervir.

Mario Draghi alega que a retoma não está a traduzir-se na inflação – cujo objectivo é superar os 2%. Embora tenha havido uma desaceleração do índice de preços – de 1,9% em Abril passou para 1,4% em Maio, dados provisórios do Eurostat –, o presidente do BCE afasta a hipótese de deflação.

Após a recomendação da Comissão Europeia, em Maio, o Conselho de Ministros das Finanças dos países do euro declarou a suspensão do procedimento por défice excessivo, aplicado a Portugal em 2009. Na reunião de 16 de Junho, o Ecofin reconheceu, assim, que Portugal conseguiu colocar o défice nos 2%, em 2016.

As previsões apontam para melhoria da economia da Eurozona. Uma recuperação que será diferenciada, mas em que as principais economias, da Alemanha e de França, deverão liderar. Os bancos centrais destes dois países reviram em alta as perspectivas até 2019.

O crescimento económico da Eurolândia foi de 0,6% – esperava-se 2,5% – no primeiro trimestre de 2017, face ao último de 2016. Os resultados e as previsões para a economia da Eurozona significam que os países do Sul conseguem suportar o euro forte – acredita Wolfgang Schäuble.

Todos os países da União Europeia conseguiram crescimento económico, de Janeiro a Março. Embora em terreno positivo, a do Reino Unido ficou-se pelos 0,2%, menos uma décima face ao previsto.

Os britânicos registaram a maior progressão da inflação desde há quatro anos. O índice avançou de 2,7% em Abril, para 2,9% em Maio – de acordo com o organismo estatístico do país. Por seu turno, o Banco de Inglaterra prevê que a tendência é para continuar em alta. 

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