ECONOMIA & NEGÓCIOS

 
2 de setembro 2016 - às 07:03

EUROPA RESPIROU ANTES DO BREXIT

O desempenho da economia alemã, no segundo trimestre comparado com o primeiro, surpreendeu analistas e instituições, uma vez que foi o dobro do esperado. 

De França e Itália não vêm grandes alegrias. Melhor estiveram Espanha e Reino Unido. A economia do conjunto da Eurozona progrediu 0,3%, desacelerado dos 0,6%

 

Apesar de crescer o dobro do que o previsto, a evolução na Alemanha traduz uma desaceleração. No segundo trimestre, a melhoria foi de 0,4%. Face ao período de Janeiro a Março. Contudo, o começo do ano conheceu uma progressão de 0,7%.

O efeito do Brexit não se fez sentir no Reino Unido, onde se verificou crescimento da economia de 0,6%  (um ponto acima do esperado) – recorde-se que o referendo que ditou o Brexit se realizou quase no final do período em análise, a 23 de Junho.

A França estagnou, após o crescimento de 0,7% do primeiro trimestre face ao último de 2015. A Itália também estagnou, após a melhoria de 0,3%. A economia espanhola registou uma melhoria de 7% no segundo trimestre face ao anterior. Nos últimos três meses de 2015 e os primeiros deste ano a progressão foi de 0,8%.

Boas notícias em Espanha costumam ser também boas em Portugal, tal como acontece quando a situação é má. Contudo, os reflexos não se mostram – avançou 0,2%. A razão pode dever-se mais a aspectos internos. O ministro português das Finanças afirma que a retoma está apenas atrasada. Os dados agora revelados apontam para um crescimento, em 2016, de 1%, contra 1,5%, em 2015. A meta do Governo é de 1,8%.

As dúvidas devem-se ao aumento de 0,8% no segundo trimestre face ao período homólogo. Para que seja cumprida a meta do Governo português, a economia terá de melhorar 2,7%, em termos homólogos, nos dois trimestres – de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatísticas.

A previsão da Comissão Europeia é, ou era, de progressão de 1,5%. Para conseguir alcançar o objectivo, a economia terá de avançar 2,1%. Bruxelas afirma que terão de ser aplicadas medidas suplementares para a consolidação orçamental.

Mário Centeno, o ministro das Finanças, diz acreditar no cumprimento dos objectivos de consolidação orçamental e sem a necessidade de mais medidas. Parceiros europeus adiantam que se aceita uma flexibilização da meta do défice. Porém, discorda do optimismo de Lisboa.

A flexibilidade traduz-se na revisão da meta do défice, que de 2,3% passou para 2,5%. Segundo o executivo comunitário, existe uma diferença de 450 milhões de euros quanto à previsão. Garantindo o cumprimento das metas, o primeiro-ministro português sublinha, todavia, que qualquer previsão é de se conseguir ficar abaixo dos 3% de referência.

Como equilibrar as contas públicas só se consegue por redução da despesa e/ou por aumento da receita (via carga fiscal), a Comissão Europeia refere uma subida das taxas do Imposto sobre o Valor Acrescentado.

A relação económica que Portugal tem com Espanha é comparável à da Irlanda com o Reino Unido. O Brexit terá efeitos nas economias da União Europeia e mundial, mas o maior impacto deverá acontecer na república da ilha vizinha.

Dublin prevê, para este ano, um crescimento de 4,9%, 0,2 pontos percentuais face o previsto. Para 2017, o recuo esperado é de 0,6 pontos percentuais, fixando-se em 3,6%. Ainda assim, o banco central irlandês não se quer comprometer definitivamente quanto ao impacto do Brexit.

Um mês após o referendo que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia fazem-se conjecturas, assumidas como pouco claras. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê uma contracção de 0,4% do PIB britânico no terceiro trimestre.

O FMI espera um crescimento económico, este ano, de 1,7%, contra a perspectiva anterior, estabelecida em 1,9%. Acontece que é só o começo. O efeito em 2017 será maior. Esperava-se uma progressão de 2,2% e agora está em 1,3%.

Os efeitos mais esperados relacionam-se com a circulação de bens no espaço comunitário, mercado de emprego, desvalorização da libra, perda de valor das acções e contracção no imobiliário.

 

Inflação sobe na Zona Euro - A inflação na Eurozona deu sinal de vida, tendo em Junho progredido 0,1% Portugal registou a terceira maior taxa, com 0,7%. Na Bélgica foi de 1,8% e em Malta 1%. No conjunto dos países da União Europeia os preços estiveram estáveis.

Contudo, estes valores mostram-se distantes do objectivo do Banco Central Europeu, fixado em 2%. Apesar de estar há muitos meses a injectar dinheiro nas economias, a acção da instituição não tem sido suficiente para contrariar o marasmo. 

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