MUNDO

 
6 de abril 2017 - às 16:07

EUROPA DESCANSA COM HOLANDA E PREPARA-SE PARA FRANÇA

A Holanda e a União Europeia respiraram de alívio com o resultado das eleições legislativas, da Esquerda à Direita tradicionais. O que vem a seguir é mais grave, tendo em conta a dimensão do país. França está a fazer tremer a União Europeia

 

O VVD (Partido Popular da Liberdade e Democracia), do primeiro-ministro Mark Rutte, venceu a votação, apesar dos 33 mandatos (21,4%) não chegarem para governar sozinho – o Parlamento tem 150 lugares. Embora o partido da Direita tradicional tenha ganho, o Partido para a Liberdade, de Geert Wilders, mantém uma forte posição (20 eleitos, mais cinco – 13,1%). De tendência contrária, o Partido dos Verdes, de Esquerda (o quinto em percentagem), reforçou a posição (de quatro para 14 assentos). Os Democratas-Cristãos ficaram em terceiro (12,5%), seguidos dos Democratas 66 (12%) e do Partido Socialista (9,7%).

Marine Le Pen está à frente nas sondagens para a presidência de França, com 26%, na primeira volta de 23 de Abril, estando a segunda marcada para Maio. A Extrema-Direita francesa tem beneficiado dos escândalos em torno de François Fillon, dos Republicanos. O candidato da Direita tradicional tem estado envolvido em escândalos. Começou com a suspeita de nomeação da sua mulher e filhos para empregos fictícios e altamente remunerados, quando presidiu ao governo. Está indiciado por desvio de dinheiro público, com inquérito aberto pela Procuradoria.

François Fillon queixa-se de perseguição política, ataque de carácter e dispôs-se a devolver as verbas em causa. No entanto, nem a suspeita desaparece nem a sua decisão de ir até às urnas. O facto é que perde nas sondagens, recuando 8,5 pontos percentuais, passando para 18,5%.

Partindo como favorito, François Fillon atrás de Emmanuel Macron (23%), antigo ministro da Economia e próximo dos socialistas. Estes números antevêem uma aliança das forças tradicionais na segunda volta das Presidenciais, em que qualquer dos candidatos terá mais força do que a candidata da Frente Nacional.

 

Receios alargados - A União Europeia vai vivendo de susto em susto com a crescente tendência populista, nacionalista e xenófoba. A Extrema-Direita mostra-se como nunca e ninguém tem uma solução.

Como habitualmente, os populistas acenam com os receios da população. Marine Le Pen afirma que a imigração está incontrolável e pode desencadear uma guerra civil. «Há mais de 40 anos que qualquer pessoa percebe o problema. São cada vez mais as intimidações e os ataques antifranceses. A perspectiva de guerra civil não é um fantasma» – disse em público em Paris.

Vários cidadãos da União Europeia mostram-se receosos com o aumento de acontecimentos com islâmicos, imigrantes ou constituindo segunda ou terceira gerações. Sejam factos ou empolamentos ou extrapolações, estes medos alimentam-se nos atentados, na aparente infiltração e recrutamento de radicais muçulmanos, incidentes de violência pessoal, discursos incendiários em mesquitas, discursos que assumem vontade de aplicar a sharia; entre outros.

Os movimentos radicais surgem em quase todos os países. Note-se que nem todas as forças políticas alinham exactamente no mesmo campo. Por exemplo, a Liga Norte, partido separatista do Norte de Itália, não é o Partido da Liberdade da Áustria. Muito menos o Partido Conservador britânico-, da Direita histórica, mas em que muitos membros alinharam no Brexit.

Na Áustria, o Partido da Liberdade, fundado por antigos nazis, conseguiu uma vitória, apesar de derrotado nas presidenciais de Dezembro passado. Norbert Hofer resgatou 46,7% dos votos.

Efeito devastador - Marine Le Pen promete, como primeira medida, a suspensão do Tratado de Schengen, que permite a livre circulação de pessoas em diversos países, incluindo alguns exteriores à União Europeia. A saída do euro é outra prioridade.

Uma vitória da Extrema-Direita em França teria fortes implicações na economia, com importantes penalizações da banca francesa. Um estudo do Citigroup calcula perdas, em bolsa, entre os 20% e os 30%. Contudo, a instituição considera remota a eleição de Marine Le Pen.

Pela sua dimensão, populacional e económica, a eleição de Marine Le Pen iria infectar toda a União Europeia. Um terramoto que agravaria os danos do Brexit e do maremoto causado pela eleição de Donald Trump.

O JP Morgan Chase também prevê um cenário de caos, com fuga massiva de capitais, caso Marine Le Pen venha a ser escolhida para presidente de França. Para esta instituição norte-americana, o Brexit seria «um passeio no parque». 

Copyright © Figuras & Negócios - Todos os direitos reservados strong>

Contato
Home
Acervo Digital