RECADO SOCIAL

 
2 de January 2021 - às 08:05

EUA: A DIGNIDADE MALTRATADA DE UM IMPÉRIO

Joe Biden talvez tenha sido demasiado sensato para aguentar tanta falta de respeito do seu adversário e bem parecia que poderia dar um murro na mesa na hora certa, caso Donald Trump não recuasse nas suas intenções de não passar o testemunho necessário para, pelo menos, controlar as cerca de 2000 ogivas nucleares que o império mais poderoso do nosso planeta tem sob sua responsabilidade.

 

Há exactamente quatro anos, estava eu por estas páginas a escrevinhar sobre as eleições dos Estados Unidos da América, numa altura em que, sentia uma saudade enorme de ter assistido a campanhas eleitorais e debates feitos com ética e respeito pelos adversários em alguns países da Europa, da àsia ou mesmo da esquecida, maltratada e desrespeitada África.

Estava eu a escrever com raiva, disparando contra os candidatos à presidência. De um lado , Hillary Clinton, do outro lado Donald Trump; qualquer um deles, supostamente, bem educado e instruído pela esdrúxula teoria de que o americano é o maior, o mais civilizado, mais democrata e menos propenso à disparates públicos e publicados feitos em sede própria. 

Ora bem, no momento em que esgalho estes disparates contra a terra mais racista do mundo, faltam mais ou menos um mês para que o novo presidente tome posse e segure a mala dos botões nucleares; mande na economia mundial, accione todos os mecanismos para semear a paz e a concórdia no mundo. Faltam poucos dias para que o lúcido octagenário Joe Biden, finalmente seja “autorizado” pelo Congresso, Senado e pelo próprio Donald Trump (sic!), envie sinais de que, sim senhor, os EUA são mesmo um conjunto de estados democráticos, em que toda a gente nasce e morre para preservar os bons costumes trazidos um pouco de todo o lado do mundo para  ali se construir o mais belo paraíso na face da terra.

Pois é neste “paraíso” em que um o presidente cessante foi até às últimas horas do seu mandato  para inviabilizar o trabalho do outro, vencedor. Foi neste país em que os olhos do mundo esbugalharam-se de espanto e horror, quando assistiram os debates em que, no mínimo,o civismo, o respeito pela opinião do outro foram literalmente atirados para debaixo de um tapete carregado de ódio, de ambições desmedidas pela conquista do poder ou a sua preservação custe o que custasse.

Joe Biden talvez tenha sido demasiado sensato para aguentar tanta falta de respeito do seu adversário e bem parecia que poderia dar um murro na mesa na hora certa, caso Donald Trump não recuasse nas suas intenções de não passar o testemunho necessário para, pelo menos, controlar as cerca de 2000 ogivas nucleares que o império mais poderoso do nosso planeta tem sob sua responsabilidade. Poderia reclamar o seu direito com maior veemência, talvez utilizando a voz e a força dos milhões de eleitores para irem às ruas e forçar Donald Trump a ceder? Talvez…

A verdade é que a máscara dos Estados Unidos da América caiu no meio de uma pandemia que matou mais de 250 mil pessoas e destruiu parte da economia e do tecido social que se construiu durante séculos.  Contudo, é ainda deste país que se espera que o novo presidente, Joe Biden, venha um pedido de desculpas pela “palhaçada” que brindaram ao mundo nestes dois derradeiros meses do ano 2021, de triste memória para a política norte-americana. A Europa, em pleno seu esplendor de unidade na diversidade, vai lançando uns recados à nova administração que até está a ser bem vista.

Depois destes tristes episódios protagonizados na cena política estadunidense, se os EUA  quiserem assegurar a sua desejada hegemonia geo-estratégica política e económica, que está claramente a perder para a China, provavelmente o democrata Biden, apoiado por Obama e uma série de adeptos do diálogo, poderá pedir desculpas. Há que reconhecer que não foi bom assistir aqueles filmes nos debates em particular, e em toda a campanha eleitoral na generalidade. E não somos nós que o dissemos. Foi o mundo. Antes, durante e depois de Donald Trump ter tomado de assalto a Casa Branca, já se dizia que muita coisa havia de correr mal no império…  

 

Carlos Miranda

carlosimparcial@gmail.com.

Copyright © Figuras & Negócios - Todos os direitos reservados strong>

Contato
Home
Acervo Digital