CULTURA

 
6 de maio 2017 - às 06:19

ESTILISTA GLÓRIA SÍLVIA APONTA VIAS PARA O CRESCIMENTO DO MERCADO DA MODA ANGOLANO

Glória Sílvia  é uma jovem sonhadora, batalhadora, empreendedora, simpática, finalista do curso  de Direito pela Universidade Técnica de Angola, segunda filha de um grupo de 4 irmãos, que gosta de dançar, ouvir música, estar com os familiares e amigos.

Glória Sílvia, detentora da marca GR Porcelana Colletion, tem desfilado as suas criações por diversos mercados nacionais e estrangeiros, com realce para os palcos de Luanda e Benguela, África do Sul, Paris, Veneza (Itália). 

É com esta jovem que começa a dar os primeiros passos no mundo da moda que a Figuras&Negócios fala sobre o seu dia-a-dia em termos profissionais e pessoais

 

Figuras&Negócios (F&N)- Sente-se uma criadora realizada?

Glória Sílvia (GS): Não me sinto uma criadora realizada, porque ainda tenho muita estrada pela frente.

F&N - Quando e porquê  mergulhou no mundo da moda?

G.S. - Mergulhei no mundo da moda aos 12 anos. Apesar de que o meu pai ter sido sempre contra, alegando que tinha de me formar primeiro, me tornei modelo fotográfico mas com o sonho de ser estilista. Cheguei a desfilar para algumas estilistas, com maior destaque para Helena Manuel de quem fui modelo da sua marca durante muito tempo. 

F&N - Quais são as características das suas colecções?

G.S. - As minhas colecções variam muito de acordo com a estação. Quando se está a preparar uma determinada colecção tem factores essências que determinam a finalidade da mesma, tais como definir qual será o tipo de material a ser usado, quais os estilos e muitas outras coisas. Mas a principal característica das minhas colecções está no corte e acabamento.

F&N - Tem algum artista a trabalhar consigo para fazer o portefólio dos seus vestidos?

G.S. - O portfólio da minha marca tem sido o músico Ângelo Boss, uma pessoa por quem tenho imenso carinho.

F&N - Os dois maiores eventos da moda nacional neste momento são o Moda Luanda e o Angola Fashion Week. Como classifica estes dois eventos?

G.S. - Os dois eventos têm promovido o surgimento de novos criadores de moda, com talento e criatividade. Esses eventos têm estado a valorizar, até certo ponto, o trabalho dos criadores nacionais.

F&N - Pensando nestas iniciativas, quais deveriam ser as prioridades na moda angolana?

G.S. - As prioridades devem ser o reconhecimento da classe, o relançamento da indústria têxtil, para  que cada um possa produzir o suficiente para fazer chegar aos compradores,  a inovação e a promoção, cujo grande desafio é a competitividade.

F&N - Onde sente mais dificuldade para fazer o seu trabalho diariamente?

G.S. - A maior dificuldade é a  aquisição do material de acabamento. Infelizmente devido a ausência de matéria-prima no país, e isto é de forma geral, os criadores angolanos são obrigados a recorrer ao mercado externo e com a situação actual só fica mais negra, mas se existir união entre todos e um plano de acção único isso vai contribuir, de certa forma, para o crescimento da moda angolana e também a sua internacionalização.

F&N - Glória, um dos grandes handicaps dos criadores angolanos está relacionado com a matéria-prima. Em que mercados recorre para ter os seus cestos sempre cheios com material para trabalhar?

G.S. - Para continuar a ter os meus cestos cheios de material tenho recorrido às fronteiras vizinhas e outros países como Brasil, Portugal, Ghana e África do Sul.

F&N - Compensa o binómio preço/qualidade tendo em conta o que gasta para produzir uma obra?

G.S. - Tendo em conta o custo de produção, o preço dado nem sempre compensa, mas prefiro sempre manter a qualidade das peças com material bom e a preços médios e manter os clientes sempre  satisfeitos. 

 

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