ECONOMIA & NEGÓCIOS

 
2 de outubro 2016 - às 05:27

ESTADO DA ECONOMIA DE ANGOLA INDÍCIOS DE NOVO CICLO

A economia de Angola mesmo enfrentando uma série de constrangimentos de ordem económica derivados da fraca estrutura produtiva e da crise económica, também é a mais afectada pela situação actual devido ao peso excessivo do sector petrolífero no total da economia. No entanto, Angola mantém o registo como a segunda maior economia da zona austral

 

A redução brutal do preço do crude que atingiu os 27 dólares em Fevereiro do ano corrente e em Agosto os 50 USD, levou a que se procedesse aprovação de um orçamento rectificativo que fosse convergente com o novo cenário macroeconómico partindo de uma base de 40,9 USD o preço médio do barril de petróleo bruto, receitas e despesas estimadas em Kz 3.484,6 mil milhões, e 3.514,5 mil milhões, contra Kz 6,3 mil milhões para receitas e despesas previstas inicialmente.

A revisão teve como objectivo estratégico da política macroeconómica, dar continuidade à criação de condições que permitam alcançar a estabilidade cambial, dos preços e a eficácia e eficiência da economia como um todo. Daí que se manteve a priorização de projectos públicos de investimentos prioritários, bem como a implementação de medidas de combate às pressões inflacionistas.

O Economist Intelligence Unit (EIU) reviu em baixa as previsões de crescimento da economia nacional para este ano antecipando agora uma expansão de apenas 0,6%, contrariando as previsões do governo que em Agosto reviu em baixa a sua previsão de crescimento em 2016 para 1,1%. No entanto, o governo reviu em Julho último e prevê uma melhoria de mais 0,2%, passando a 1,3%.

Segundo o EIU, em 2018 a economia angolana marcará a retoma ao apresentar uma melhoria em alguns indicadores decisivos de crescimento, como a subida do preço do petróleo no mercado internacional. A ligeira melhoria permitirá a realização de receitas necessárias para contrapor a pressão sobre as reservas internacionais que seguiam um período de queda. Com a melhoria que se antevê o crescimento da economia poderá atingir os 3,5%.

Relativamente à subida dos preços de produtos, o início do segundo semestre ficou marcado por uma viragem. Segundo os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) o índice de preços do consumidor sofreu uma variação de 3,31%, durante o período de Julho a Agosto de 2016.

De acordo com o gráfico apresentado a variação dos preços durante o mês de Agosto de 2016 por província revelaram que as com maior variação foram as províncias da Lunda Norte com 4,67%, Cuanza-Norte, com 4,44% e Cuanza-Sul, com 4,37%. Por outro lado, com menor variação foram as províncias da Huíla, com 2,65%, Cunene e Benguela, com 2,96% e 2,99% respectivamente.

Para a província de Luanda o índice de preço do consumidor de Agosto de 2016 por classe de despesas registamos que a classe de alimentação e bebidas não alcoólicas com 4,53% foi a que registou o maior aumento de preços. Os aumentos dos preços também foram verificados nas classes saúde, com 4,06%, bens e serviços diversos” com 3,73%, e lazer, recreação e cultura com 3,25%.

Alguns analistas prevêem que a inflação atinja os 40% no final do ano devido aos efeitos sazonais de alteração do preço do cabaz de produtos e do padrão de consumo. A afirmação está em linha com as tendências verificadas nos últimos meses pela subida da inflação que em Agosto atingiu os 38,85%, muito além da prevista pelo governo que no último orçamento ponderou em 14%.

Estamos certamente perante um novo ciclo económico que se manifesta com sinais ainda tímidos, principalmente em alguns sectores que ainda não se fazem sentir de forma a evidenciar a diversificação da economia de forma consistente e sustentável.

Portanto, a melhoria deste cenário passa necessariamente pelo reforço da diversificação da economia e a alteração da estrutura económica nacional que detém actualmente 9.2%, no sector agrícola, 65.8%, na indústria e 24.6%, no sector terciário.

Após a crise económica e diversificação efectiva é preciso apostar fortemente nas exportações e maior investimento de serviços. Mais do que a exportação de commodity o desenvolvimento efectivo de Angola depende da produção em grande escala de bens e serviços e que o movimento de industrialização e de ajuste produtivo deve estar ancorado numa forte economia agrícola.

Assim, um aspecto que deverá ganhar importância nas políticas de fomento da agricultura, deve ser o incentivo para que as populações regressem ao campo para reactivar a economia agrícola, de forma a criar poder às famílias agricultoras os pequenos produtores e grandes projectos agro-industriais.  

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