POLÍTICA

 
6 de setembro 2017 - às 08:01

ENFIM, JOÃO LOURENÇO PRESIDENTE!

Depois de ter sido indicado como candidato do MPLA às eleições gerais, o ministro da Defesa e vice- presidente do partido no poder, João Gonçalves Lourenço, mostrou-se ao país e ao mundo com a postura de quem conhecia todas as makas do Estado, suas causas e consequências e como resolvê-las, já a partir de Agosto. O homem que quer mudar o rumo do país, sustentado no lema “Melhorar o que está bem e corrigir o que está mal”, acabou por convencer os que mais torceram o nariz quando foi indicado para entrar na corrida eleitoral e ofuscar   todos quantos sempre desejaram a derrota do partido dos “camaradas” ou uma vitória envergonhada capaz de estremecer os seus alicerces fortemente  enfraquecidos pelo clima de caos económico-financeiro evidente

 

Esteve em todas as províncias em tempo recorde, visitou vários países, rubricou acordos importantes na agenda económica, militar e financeira programada superiormente por quem quer passar o testemunho com segurança, sem os problemas de sucessão habituais ocorridos principalmente no continente africano.

Quando viajou, na qualidade de ministro da Defesa, para a Rússia, como enviado especial de José Eduardo dos Santos; quando esteve nos Estados Unidos… os que até então duvidavam do seu enorme poder meteram as violas nos sacos e foram tocar  noutras freguesias.

Dos Santos entendeu escolher entre um grupo muito restrito de quadros do executivo, do partido e das Forças Armadas, quem pudesse acertar o passo trilhado por um país, que carrega ainda um pesado fardo de problemas de uma guerra longa; um país que depois de conquistada a paz, ainda não conseguiu desenvencilhar-se das amarras da desconfiança e de um clima de suspeição permanente de uma oposição completamente fraquejada por lutas intestinais pelo poder; um país que se encontra a braços com uma crise económica muito grave, capaz de colocar em estado de alerta máximo todos os governantes porque não se sabe ao certo quando irão terminar estas constantes convulsões no sistema de pagamentos das dívidas que se vão acumulando a cada dia que passa. 

É dentro deste turbilhão de dificuldades que, finalmente, o poder instituído desde Novembro de 1975 apostará num novo líder que  entrará  para a história ensombrado por um dos Chefes de Estado, não só mais antigos do mundo, como um dos mais interventivos na resolução dos conflitos do continente africano, nomeadamente na região subsariana.

 No ano passado, José Eduardo dos Santos assegurou que o seu “general” de eleição saísse do seu gabinete  com a faca e o queijo nas mãos, um molho de chaves bem oleadas para abrir cofres e portas, no sentido de, principalmente dentro dos corredores do  poder, não deixar dúvidas a quem quer seja que a  hora de deixar o Palácio tinha chegado e que João Lourenço devia tornar-se  Presidente da República de Angola, Chefe do Governo e Comandante – em - Chefe das Forças Armadas, num processo que todos os angolanos conscientes almejam que seja tranquilo, pois sabem o que o país já passou e sangrou devido às guerras e conflitos pessoais.

No momento em que escrevia estas linhas, o candidato do MPLA acabava de, mais uma vez, inaugurar vários empreendimentos económicos, sociais e culturais, paralelamente às actividades programadas pelo partido. Enfim, tudo o que de maior importância estratégica ditada pelo governo saído das eleições de 2012, praticamente João Lourenço, na qualidade de governante, encarrega-se de mostrar e fazer valer os enormes investimentos feitos ao longo do mandato saído do pleito eleitoral de há cerca de cinco anos, onde o MPLA obteve maioria qualificada numa disputa em que o seu líder conquistou 4.135.503 votos, Samakuva ( UNITA) 1.074.565 votos e Chivukuvuku, da  CASA–CE,345.589 votos.  

 João Lourenço fez e desfez as malas centenas de vezes, pouco tempo teve para a família e os amigos do costume. Várias vezes acompanhado pela esposa, Ana Dias Lourenço, dedicou-se determinantemente a uma maratona de extenuantes viagens e realização de comícios pouco comum aos governantes do seu tempo, onde a gritaria sobrepunha-se à razão .

O “homem com futuro certo na Presidência do país”, tal como alguns dos seus conterrâneos” de Benguela sussurravam no bairro suburbano da Canata, ainda quando exercia o cargo de governador, na altura Comissário Provincial, interveio oficialmente como sucessor infalível  de José Eduardo dos Santos, em Luanda, num estádio que,  contrariamente ao planificado pelos organizadores do evento, nem sequer teve “casa cheia”. 

Mas quem esteve lá, sentiria “a força da humildade e, sobretudo, a postura de Chefe de Estado” daquele que certamente teria muito mais dificuldades para deixar para trás os seus adversários na dura corrida eleitoral se alguns deles estivessem mais unidos, e defrontassem, de novo, José Eduardo dos Santos, cuja imagem, dada a longevidade no cargo, estaria desde há algum tempo fortemente desgastada. 

Poucas foram as vezes em que se notou claramente uma gaffe do candidato do MPLA, e dela se tivesse tirado aproveitamento político a favor de outros partidos políticos ou mesmo daqueles que sempre estiveram contra o modelo de sucessão adoptado mais tardiamente do que alguns meios mais prudentes consideravam.

O tempo de saída de cena  do  Presidente da República José Eduardo dos Santos esteve a ser cronometrado com maior rigor há meia dúzia de anos, quando concedeu uma rara e exclusiva entrevista a uma estação televisiva portuguesa, em que já previa a sua sucessão antes das eleições de 2017. Quase ninguém acreditava que o cenário da substituição fosse montado e efectivado sem grande makas internas, nomeadamente no próprio Bureau Político do Comité Central do MPLA onde uma linha dura mantém-se convicta de que José Eduardo dos Santos podia continuar a mandar por mais uma década.  

Mesmo os mais cépticos quanto à despedida de Dos Santos da Cidade Alta, rendem-se agora a um novo tempo, em que  surge no dicionário político a palavra “mudança” de mentalidades e ainda com maior regularidade no contacto com as massas populares a necessidade de se encetar com mais seriedade e urgência o combate à corrupção. 

João Lourenço já comprometeu-se com todos quantos ao longo dos últimos meses o acompanharam nas vistosas campanhas de consolidação do número de votos conquistado no passado e na busca de maior apoio popular  época de quem não o conhecia ou não sabia quem, afinal, foi sempre um homem com uma trajectória política conquistada a pulso há cerca de quarenta anos. 

 

OPOSIÇÃO TINHA COMO ALVO DOS SANTOS...

PLANO ESTRATÉGICO FURADO!

Muitos partidos tinham preparado uma cuidada estratégia para apontar as baterias a um alvo enfraquecido em variados flancos ou mesmo para a destruição definitiva da imagem do presidente do MPLA e Chefe de Estado, José Eduardo dos Santos. A sua saída de algum modo tranquila terá  furado todos os planos tão inteligentemente elabodados ao longo de vários anos, com o concurso dos seus mais brilhantes quadros.

Relativamente distante dos palcos políticos mais importantes por motivos  pessoais, entre os quais vários sectores da opinião pública nacional e internacional apontavam ser o seu estado de saúde o mais relevante, o “alvo” Dos Santos acabou remetido para planos secundários. Poucas foram as publicações capazes de estremecer os alicerces de uma campanha eleitoral movida com biliões de kwanzas e sustentada por uma mobilização popular pouco habitual nos países africanos, mesmo nos que levam décadas de existência como estados independentes.

João Lourenço surgiu sempre como a pedra mais importante no xadrez político angolano nos últimos meses, ofuscando outras figuras eminentes do partido vencedor de  todas as eleições realizadas no país e que sempre tiveram como candidato José Eduardo dos Santos; um presidente que reiterara a sua retirada da vida política activa, em 2018, altura em que provavelmente João Lourenço assumirá  o mais alto cargo de direcção do MPLA. 

 

JOÃO LOURENÇO

NOTAS BIOGRÁFICAS

Nasceu no Lobito, 5 de Março de 1954, é  Ministro da Defesa de Angola e, desde Dezembro de 2016, considerado o sucessor de José Eduardo dos Santos na liderança do partido Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e na Presidência de Angola.

Filho de Sequeira João Lourenço, natural de Malanje, e de Josefa Gonçalves Cipriano Lourenço, natural do Namibe, enfermeiro e costureira respectivamente, ambos já falecidos.

Licenciado em História.

Estudos primários e secundários efectuados  na província do Bié, onde seu pai se encontrava na situação de residência vigiada por 10 anos após ter estado preso por 3 anos na prisão de São Paulo em Luanda, pelo exercício de actividade política clandestina enquanto enfermeiro do Porto do Lobito.

Deu continuidade aos estudos em Luanda no então Instituto Industrial de Luanda.

Após a queda do regime fascista em Portugal, na companhia de outros jovens, juntou-se à luta de libertação nacional em Ponta Negra, em Agosto de 1974, no CIR Kalunga. Integrou o primeiro grupo de combatentes que entraram em território nacional via Miconge Belize-Buco Zau-Dinge-Cabinda.

Em vésperas da Independência, participou dos combates na fronteira do N’Tó/Yema contra a coligação FNLA/Exército Zairense, derrotada e a partir do morro do Tchizo, em Cabinda, contra a unidade da FNLA que se encontrava nas margens do rio Lucola à entrada da cidade.

Tem formação em artilharia pesada, exerceu funções de Comissário Político em diversos escalões, desde pelotão, companhia, batalhão, brigada e comissário da 2ª Região PolíticoMilitar Cabinda, entre 1977/78.

Enviado para a então União Soviética de 1978 a 1982 na Academia Superior Lénine de onde para além da formação militar trouxe o título de Master em Ciências Históricas.

De 1982 a 1983, participou nas operações militares no centro do país, Kwanza Sul, Huambo, e Bié com posto de comando no Huambo.

De 1983 a 1986, desempenhou as funções de Comissário Provincial do Moxico e Presidente do Conselho Militar Regional da 3ª Região Político Militar.

É General na Reserva.

Praticou futebol e karaté estilo Shotokan, tem como passatempo a leitura, o xadrez, e equitação. Para além do português, fala inglês, russo e espanhol.

Fonte: Ministério da Defesa Nacional

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