MUNDO

 
17 de March 2021 - às 16:55

ELEIÇÕES NOS EUA, ASSALTO AO CAPITÓLIO E A TOMADA DE POSSE DE JOE BIDEN

É impossível contabilizar o número de notícias produzido durante o único mandato do Presidente Donald Trump, recentemente apeado, de forma muito triste, do poder da mais do que confirmada maior potência nuclear do planeta. Foram tantos os erros cometidos pelo até então presidente republicano mais votado na história, que o mundo questionou se o que se estava a passar nos Estados Unidos era um daqueles milhares de filmes dramáticos de ficção resultantes da criatividade ímpar dos cineastas de Hollywood ou se se estava dante de mais uma obra teatral bem elaborada pelos brilhantes mestres das academias mais famosas do mundo.

 

O PRESIDENTE. O “ADEUS ENGASGADO” DE DONALD TRUMP

MOMENTOS MARCANTES E DECISIVOS
PARA O FUTURO DEMOCRÁTICO NO MUNDO

A verdade é que, para além da massacrante história da pandemia da Covid 19, o mundo viu-se quase que hipnotizado especialmente pelas notícias provenientes dos Estados Unidos, mormente as relacionadas com as eleições presidenciais, os escândalos protagonizados permanentemente por Donald Trump, que acabaram por terminar, tal como se previa: com sangue, suor e lágrimas. O “Assalto”, a tentativa de golpe de Estado, a entrada violenta de milhares de manifestantes no Capitólio - o tal edifício – símbolo da liberdade e democracia dos Estados Unidos- entornou o “caldo” da incoerência, da fragilidade e da vergonha de um Estado habituado a ser o pai exemplar, criador dos bons hábitos e costumes tão amplamente difundidos e aclamados pelo mundo inteiro.
Donald Trump foi, sem dúvidas, o principal instigador desta “revolta” que acabou mesmo por matar cinco cidadãos norte-americanos seguramente seus eleitores.
Não podemos, jamais, esquecer tais episódios ocorridos na maior potência industrial; hoje por hoje, transformada num exemplo típico de um gigante doente, entorpecido por vícios só comparáveis aos que ocorrem nas chamadas “Repúblicas das Bananas”.
E foram cidadãos norte-americanos que descobriram a maior parte dos nomes feios com que, pejorativamente, terão sido adjectivados os países com os quais jamais souberam lidar por serem exactamente considerados “inferiores”. A esmagadora maioria não pertence aos seus círculos geo-estratégicos expansionistas. Ou, no mínimo. nega-se a estabelecer laços com os Estados Unidos devido às históricas questões ideológicas que ao longo dos anos se foram estabelecendo, quer sob o domínio da esfera da antiga União Soviética ou ao não menos expansionista regime chinês.
Já agora, é de todo interesse, conhecer o que é isto de República das Bananas? Vamos lá: “República das Bananas” é um termo pejorativo dado um território, normalmente latino-americano, politicamente instável, submisso a um país rico e frequentemente com um governante corrompido e opressor, revolucionário ou não, ou por uma junta militar”. Atenção: também podemos colocar neste saco alguns países africanos, especialmente pela fragilidade das suas instituições, péssima liderança política e, sobretudo, saqueados pelos seus governantes.
De acordo com a Wikipédia, estas “repúblicas das bananas”, normalmente têm classes sociais estractificadas, incluindo uma grande e empobrecida classe trabalhadora e uma plutocracia que compreende as elites de negócios, política e militares”.
Até rebentar esta sucessão de vergonhas em solo de Lincoln, Kennedy ou Roosevelt, já se fazia prever que a maior parte das notícias provenientes dos Estados Unidos não seriam, de todo, boas para o planeta, uma vez que muitos analistas políticos já diziam que com a chegada ao poder, Donald Trump poderia ser, sim, o presidente mais conflituoso instalado na Casa Branca, para onde levou uma das famílias mais alargadas, cheia de escândalos, grande parte dos quais não só preencheram a Sala Oval como outros aposentos mais intimistas.
“Quando o poder conduz homens para a arrogância, a poesia lembra-o de suas limitações. Quando o poder estreita as áreas de interesse do homem, a poesia lembra-o da riqueza e da diversidade de sua existência. Quando o poder corrompe, a poesia limpa”- John Kennedy, Presidente dos EUA. Donald Trump foi um poderoso comunicador, treinado e amplamente conhecido como magnata no sector. Teve sempre uma poderosa estação televisiva ao seu dispor e utilizou a era digital como ninguém, até que, também nesta área, foi derrubado, proibido e vergonhosamente corrido pelas mais poderosas plataformas.
Mais umas palavras de John Kenndy tornam-se oportunas para, minimamente, tentar perceber as “lambanças” feitas pelo republicano Trump quando se trata de falar sobre a verdade imperial com que se deve sustentar qualquer regime que se defina como democrata, sem que seja contaminada constantemente pela mentira, a hipocrisia e o cinismo. “O grande inimigo da verdade é, muito frequentemente, não a mentira (deliberada, controvertida e desonesta), mas sim o mito - persistente, persuasivo, e irrealista” - disse o 35° presidente dos Estados Unidos e considerado uma das grandes personalidades do século XX. Eleito em 1960, Kennedy tornou-se o segundo mais jovem presidente do seu país, depois de Theodore Roosevelt. Ele foi presidente de 1961 até ao seu assassinato em 1963.
Mas , pelo que se sabe, Donald Trump estudou os actos de JFK, mas , depois do que aconteceu no Capitólio, existem muitas dúvidas de que tenha alguma vez levado a sério outros políticos históricos como Abraham Lincoln , o 16.° presidente dos Estados Unidos (de 4 de março de 1861 até ao seu assassinato em 15 de abril de 1865). “Sem
Liberdade da sabedoria, não há liberdade de expressão; sem a liberdade de pensamento, não há liberdade pública”- Palavras, no mínimo sensatas ditas e levadas a sério…Terá mesmo faltado sabedoria à Donald Trump, mas coisa que jamais lhe faltou é a liberdade de pensamento e um conflito enorme com a verdade. Que o digam os administradores do Twitter e do Facebook que, mesmo no finalzinho do seu mandato, bloquearam as suas contas.
Mike Pence, a própria Primeira Dama Ivana Trump e muitos dos seus secretários decidiram, ao longo do seu mandato, desligar-se de um homem que, nos derradeiros dias da sua desastrada presidência, acumulou erros que custaram a imagem do seu próprio país, onde nasceu o seu império empresarial um pouco por todo o lado espalhado pelo mundo.
Triste e desamparado, Trump foi notícia desde que sucedeu a Barack Obama. Passados cinco anos, continua a ser protagonista de milhares de artigos muito pouco favoráveis à sua forte personalidade; uma imagem testada até ao último minuto em que decidiu sair da Casa Branca, exigindo que o fizesse pelo todo-poderoso Air Force One.
Muito antes de se saber quem havia de se aliar à Trump na corrida eleitoral, muitos influentes do partido republicano desataram a criticar a postura do Presidente. Duas destas figuras que declararam “guerra” à Trump foram o ex-presdente George Bush Jr e o seu secretário para a Defesa, General Collin Powell. Estes acabaram mesmo por não votar nele; pelo menos é o que disse publicamente o segundo…
Numa entrevista à CNN, Powell reafirmou mesmo que Donald Trump “afastara-se” da Constituição e que representava um perigo para a democracia norte-americana. “Não posso, de maneira nenhuma, apoiar o Presidente Trump este ano”, declarou, acrescentando que iria, sim, votar em Joe Biden. “Vou votar nele”, afirmou na entrevista, sublinhando que estava “próximo” de Biden em assuntos sociais e políticos.
Collin Powell terá sido a figura republicana mais contundente nas sua negativa avaliação sobre o mandato de Donald Trump que, como se sabe, nem sequer se predispôs a dar as boas vindas ao seu sucessor à Casa Branca e muito menos assistir à cerimónia de empossamento de Biden.
Soube-se que preferiu ficar a 1600 quilómetros de distância do Capitólio, na sua mansão de Mar-a-Lago, na Florida, ameaçando criar um clima festivo de despedida do edifício com dezenas de pessoas a apoiá-lo, ainda como Presidente em exercício. Foi tão caricata esta última viagem de Trump! De acordo com a CNN, ele teria dito aos conselheiros que não queria adiar a viagem para depois da tomada de posse de Joe Biden, pois, se isso acontecesse, teria de sair da Casa Branca já como ex-Presidente, e só poderia usar o avião Air Force One mediante uma autorização do seu sucessor.
O homem queria sair em grande… mas não conseguiu. Não houve a tal festa de despedida com os seus apoiantes e a participação de militares. “Não há outros exemplos, na História moderna, de presidentes dos EUA que tenham faltado à tomada de posse dos sucessores. Os três casos anteriores a Trump aconteceram no século XIX (John Adams, 1801; John Quincy Adams; 1829; Andrew Johnson, 1869)”, escreveu a CNN, alertando para um facto importante: a decisão de Trump apresentava outro tipo de problemas numa era nuclear em que os presidentes dos EUA transportam com eles os códigos para o lançamento de um ataque.
Entretanto, a cadeia norte-americana explicava uma semana antes do dia da tomada de posse de Joe Biden que que, tanto Trump como ele, teriam perto de si – separados por 1600 quilómetros – um ajudante de campo transportando a mala de 20 Kg onde estariam as instruções e os códigos nucleares. No dia 20 de Janeiro, “ Às 12h em ponto, a mala que acompanha Trump será desactivada”, acrescentou.
…Não foi por falta de aviso que se chegou ao extremo de um presidente incitar um ataque violento à casa principal da democracia americana. Powell foi um dos que deu voz à enorme massa inteligente de personalidades que se investiu contra as atitudes do Presidente. Como principal oficial militar e diplomata do país em governos republicanos, considerava-se um homem insuspeito. Em entrevista à CNN, ele há muito tempo classificara Trump como “um perigo para a democracia” e citou que as mentiras e insultos afectaram imagem do país para o mundo.
No dia 07/06/2020, a France Presse despachava um artigo onde, resumia-se o seguinte:“Colin Powell votará no democrata Joe Biden”!. Na CNN, declarava:"temos uma Constituição. Temos de segui-la. E o presidente se afastou".O também expresidente do Estado-Maior Conjunto dos EUA, foi um dos que fazia parte de uma série de altos oficiais militares aposentados a criticar publicamente o tratamento de Trump aos massivos protestos antirracismo que agitam os Estados Unidos desde o assassinato de George Floyd, um homem negro desarmado sufocado durante sua prisão por um policial branco em Minneapolis, Minnesota.
"Estamos num ponto de virada", disse Powell na altura, criticando os senadores republicanos por não enfrentarem Trump. "Ele mente sobre as coisas. E se safa porque as pessoas não o responsabilizam", disse ele, acrescentando , por outro lado que o presidente também estava contra a OTAN. “Estamos retirando mais tropas da Alemanha. Eliminamos nossas contribuições para a Organização Mundial da Saúde.
Não estamos felizes com as Nações Unidas", afirmou.
Entretanto, debaixo desta enorme torrente de críticas duras, é evidente que os meses derradeiros do mandato “trumpista” terá passado muito mal, pois várias gritos de alerta para o descalabro se ouviram inclusive dentro da Casa Branca. Stephanie Grisham e
Rickie Niceta, duas das principais assessoras da primeira-dama MelaniaTrump, renunciaram após os incidentes violentos no Capitólio. Também pediu demissão o viceconselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Matt Pottinger e outros funcionários do alto escalão do governo americano teriam pedido demissão, incluindo o conselheiro de segurança nacional Robert O'Brien, segundo fontes ligadas à Casa Branca.
Enquanto isso, na sede da presidência dos Estados Unidos, algumas malas eram apressadamente feitas, a nível externo o mundo assistia um presidente a ver as suas contas bloqueadas ou suspensas, por tempo indeterminado, no Facebook, Twitter e Instagram.
Erin Schaff, in POOL/EPA, escrevia que o próprio patrão do Facebook, Mark Zuckerberg revelara a propósito que as contas de Donald Trump no Facebook e Instagram ficariam suspensas por tempo indeterminado e “pelo menos durante duas semanas”. A suspensão decretada na noite de quarta-feira, depois dos confrontos no
Capitólio, previa uma duração de 24 horas, mas o líder da maior rede social do mundo decidiu alargá-la”, lê-se no artigo de Schaff que cita Zuckerberg nos seguintes termos:“acreditamos que os riscos de permitir que o presidente continue a usar o nosso serviço durante este período são simplesmente enormes(…)”.
O multimilionário de 36 anos disse ainda que os “eventos chocantes” das últimas 24 horas tinham demonstrado que o presidente “pretende usar o tempo que lhe resta” na Casa Branca para “minar a transição pacífica e legal de poder para seu sucessor eleito,
Joe Biden”. Na mesma publicação, Zuckerberg é citado como tendo dito que as declarações de Trump foram removidas porque podiam provocar mais violência.
“Nos últimos anos, permitimos que o presidente Trump usasse a nossa plataforma de acordo com nossas regras, às vezes removendo conteúdo ou rotulando as suas publicações, quando estas violavam as nossas políticas. Fizemos isso porque acreditamos que o público tem direito a ter um acesso o mais amplo possível ao discurso político, mesmo ao que é polémico. Mas o contexto actual agora é fundamentalmente diferente e envolve a utilização da nossa plataforma para incitar uma insurreição violenta contra um governo eleito democraticamente”, acrescenta-se no artigo publicado por Shaff.
Quanto ao processo de destituição de Trump, segundo esclarece o G1, do grupo Globo, caso ele seja considerado culpado, essa vai ser uma situação inédita no país. Revela que existem vários cenários que podem ocorrer no culminar deste processo de
“Impeachment”:1.- Trump será condenado por incitar a insurreição no caso dos invasores do Capitólio. 2.-Embora não perca os seus direitos políticos, os senadores darão um recado político aos EUA num momento de crise no país.3.- Perda do mandato e dos direitos de ex-presidente: se isso ocorrer, Trump não poderá receber a aposentadoria pelo cargo no valor de US$ 200 mil por ano nem se candidatar novamente à Casa Branca — apoiadores querem que ele concorra novamente em 2024.
Com esta segunda “vaga” de acusações, Trump acaba por levar dois processos de destituição no lombo, desta vez baseado num facto mais forte: "incitamento à insurreição".
Lembram-se do “assalto ao Capitólio?”. Pois é. Nem com uma campanha liderada pelos mais fortes mídias norte-americanos e filiais espalhadas pelo mundo inteiro será esquecido. O mal está feito e perdurará. Para que os seus estragos sejam menores, talvez se deva apostar na construção de uma nova geração de políticos, completamente libertada do colo da elite hipócrita e oportunista instalada.
Ana França, jornalista, faz lembrar num artigo que, quer os democratas como os republicanos estão mais próximos agora do que no anterior processo de ‘impeachment’ de Donald Trump. “Pelo menos agora há várias vozes republicanas a pedir publicamente o afastamento do ainda Presidente dos Estados Unidos, entre elas a de Liz Cheney, o maior nome, até agora, entre os republicanos, a juntar-se aos democratas no seu intuito de concretizar esta destituição”, afirma-se no artigo. E mais: dentre cerca de vinte republicanos que possivelmente vão votar à favor da destituição de Trump, encontra-se o senador Mitch McConnell, curiosamente líder da maioria do Senado.
Importa salientar que, ainda de acordo com as notícias veiculadas na altura, a decisão de avançar para um segundo processo de ‘impeachment’ ao mesmo Presidente (a primeira vez na história que isso acontece) surge depois de o vice-presidente dos Estados Unidos,
Mike Pence, ter rejeitado a possibilidade de usar a 25ª emenda para retirar Trump do cargo, algo que, mesmo que Pence pusesse em marcha, iria de certo embater contra a vontade do ainda Presidente. Este, note-se, não parecia disposto sequer a falar do que se passou no dia 6 de janeiro, quando uma multidão de apoiantes invadiu o Capitólio, confrontos que causaram a morte a cinco pessoas e deixaram um lastro de desordem, medo e destruição pelos corredores de um edifício que só tinha sido atacado uma outra vez antes: em 1812, por uma potência estrangeira, a Inglaterra, que tentava suprimir precisamente a liberdade dos norte-americanos à autodeterminação.
Sobre o tristemente célebre “Ataque” ao capitólio, os representantes do povo não têm dúvidas: “o Presidente Trump ameaçou gravemente a segurança dos Estados Unidos e das suas instituições governamentais. Ameaçou a integridade do sistema democrático, interferiu na transição pacífica de poder e colocou em perigo um ramo do governo. Com isso, traiu a confiança dos americanos no Presidente, com prejuízo manifesto para o povo dos Estados Unidos". É isto o que se lê na argumentação a favor do 'impeachment' que no momento em que publicámos este artigo já se encontra na Câmara dos Representantes.

 

ASSALTO AO CAPITÓLIO
UM GOLPE DEMOLIDOR
À DEMOCRACIA

A invasão ao Capitólio foi, sem dúvidas, uma autêntica vergonha nacional. Tratou-se efectivamente de um facto noticioso que assustou o mundo inteiro, produzindo variadíssimas interpretações. Por mais suavizadas que fossem tais reflexões, elas desembocariam numa análise política a todos os títulos negativa para os Estados Unidos: foi tão mau, tão ridícula a acção dos manifestantes pro-Trump que o império acabou mesmo por destapar as fragilidades de um sistema político que tardou em responsabilizar a sua liderança.

 

No rescaldo deste episódio triste, a maior parte dos analistas chegaram à conclusão que o que aconteceu no Capitólio foi mesmo um “golpe demolidor à democracia”. As primeiras notícias do dia do assalto davam sinais alarmantes de que algo estava a decorrer de forma anormal num debate em que se discutia o futuro do próprio presidente.
Um debate que foi interrompido à paulada nas vidraças, trepadas às janelas e varandas e muros; furtos em gabinetes de congressistas e senadores, ao gabinete da própria Presidente da Câmara, lutas corpo-a-corpo com os guardas da Nação e… um rescaldo cruel: morreram cinco pessoas, foram detidas mais de duzentas pessoas e ficaram feridas outras dezenas.
A polícia do Capitólio clamava incessantemente por socorro diante das investidas de apoiantes de Trump. Eram membros de movimentos racistas, armados e desejosos de sangue, violência e destruição de tudo o que cheirasse à defesa dos direitos cívicos e das minorias raciais, tribais, religiosas, imigrantes originários de África e da América Latina.
De acordo com os relatos iniciais da CNN, a Câmara dos Representantes teve de ser imediatamente evacuada e, inclusive, o próprio vice-presidente Mike Pence teve de ser retirado às pressas do Capitólio. “Os líderes da Câmara dos Representantes e do Senado também foram retirados para um local seguro. Os manifestantes terão tentado forçar a entrada na Câmara dos Representantes e a CNN adianta que a polícia colocou-se à frente das portas que dão acesso à Câmara baixa do Congresso. Os agentes da polícia tiveram de empunhar as suas armas”, comunicava-se na altura.
O “filme” provavelmente produzido por apoiantes muito próximos ao presidente que perdera quase tudo em termos de imagem, prosseguia fora da sede erguida há séculos para falar de tudo, menos de tentativas de golpe de Estado ou algo semelhante. As imagens testemunhavam cenas só vistas em estados ditactoriais. Muito cassetete e gritos lancinantes de socorro da própria guarda nacional, por alguns momentos quase que totalmente impotente diante dos ataques sistemáticos dos violentos “manifestantes”.
“Os Congressistas e Senadores receberam indicações para se esconderem debaixo de mesas e cadeiras no interior do Capitólio. Também lhes foi pedido para usarem máscaras de gás após ter sido dispersado gás lacrimogéneo no interior do Capitólio”-
Esta foi uma das “comunicações” mais graves provenientes do Estado mais democrático do mundo...Para piorar ainda mais o cenário, aconteceu o que jamais se previra: uma mulher foi baleada no peito em Capitol Hill e acabara por morrer já numa unidade hospitalar depois de ser evacuada pela tropa ali estacionada e fortemente armada.
Mais tarde, soube-se que alguns militares ou polícias teriam sofrido lesões importantes.
Ao mesmo tempo (não se sabe ao certo se fora tarde demais) a 'Mayor' de Washington DC, Muriel Bowser, declarava o recolhimento obrigatório a partir das 18 horas locais.
Entretanto, soube-se que , dali pra frente, manteve-se uma guarda mais consentânea com a situação dramática do período “antes, durante e depois “ da tomada de posse de
Joe Biden, amplamente prejudicado pelas atitudes do seu antecessor.
Enquanto ainda decorria o triste episódio, Kevin LaMarque digitalizava para a Reuters as reacções do futuro Presidente Joe Biden. Numa conferência de imprensa em Wilmington, no estado do Delaware, ele considerou de imediato que o acto dos manifestantes foi uma "insurreição"."Ameaçar a segurança de oficiais eleitos, não é um protesto. É uma insurreição", referiu Biden, citado pela agência noticiosa inglesa."O mundo está a ver. Como muitos outros americanos, estou chocado e triste por a nossa nação, que é há tanto tempo um farol de luz e de esperança na democracia, ter chegado a um momento tão negro", acrescentou o presidente eleito.
Foi nesta altura que Biden apelou ao ainda presidente Donald Trump para intervir: “as palavras de um presidente importam; não importa quão bom ou mau esse presidente seja. No seu melhor, as palavras de um presidente podem inspirar. No seu pior, podem incitar. Por isso, peço ao presidente Trump para falar na televisão nacional, cumprir o seu juramento e defender a Constituição e exigir que este cerco acabe", disse visivelmente indignado.
Biden diria naquele momento acompanhado pelo mundo inteiro que o trabalho que o esperava na Casa Branca nos próximos quatro anos seria fundamentalmente o da reconstrução da democracia, num sinal claro que o regime estava , nesse sentido, completamente de rastos. "O trabalho neste momento e o trabalho nos próximos quatro anos deve ser restaurar a democracia - com decência, honra, respeito e o Estado de direito", fez notar.
Depois de as coisas aquecerem de tal forma, houve um grande suspense, mas lá surgiu Trump na Tv para apelar aos “seus”: “voltem pra casa!”. No Twitter, escreveu: "Por favor, apoiem a nossa polícia do Capitólio e as nossas forças da autoridade. Eles estão realmente do lado do nosso País. Mantenham-se pacíficos!".
Aconselhou tarde e más horas…O “caldo” estava entornado! Ele tinha incitado às pessoas para que fossem manifestar-se e deu no que deu. Em variadíssimos discursos , a ideia foi peremptória e o tom duríssimo, arrogante e definitivo: Trump nunca iria reconhecer a derrota eletoral. Entretanto, no mesmo dia, as reacções dos políticos de diversas matizes não se fizeram esperar.

 

JOE BIDEN TOMA POSSE COMO 46.º PRESIDENTE DOS EUA
"É UM NOVO DIA
PARA A AMÉRICA"

O democrata Joe Biden tomou posse no passado dia 20 de Janeiro como 46.º Presidente dos EUA, após ter feito o juramento de funções perante o presidente do Supremo Tribunal, John Roberts, nas escadas do Capitólio, em Washington.

Joe Biden - que sucedeu a Donald Trump, após ter vencido o republicano nas eleições presidenciais de 03 de novembro - prestou juramento na escadaria oeste do Capitólio, numa cerimónia sob um forte dispositivo de segurança, após o violento ataque ao Congresso por uma multidão de apoiantes de Donald Trump.
É um novo dia para a América", escreveu Biden, 78 anos, três horas antes da posse como Presidente, na sua conta da rede social Twitter, momentos depois de ter assistido a uma cerimónia religiosa em Washington, acompanhado da mulher, Jill, e de Kamala Harris, que também toma hoje posse como sua vice-Presidente.(…)
Faltavam alguns minutos para as 12:00 locais quando Joe Biden, de 78 anos, colocou a mão sobre uma edição da bíblia de 1893 para jurar defender a Constituição, perante o presidente do Supremo Tribunal, John Roberts, e perante o olhar de Kamala Harris, que minutos antes tinha tomado posse como sua vice-Presidente.
No seu empossamento, Biden afirmou: "Este é o dia da América, o dia da democracia, um dia de história e de esperança".O novo Presidente lembrou que os Estados Unidos enfrentam "um aumento do extremismo político, da supremacia branca, do terrorismo doméstico, que devemos enfrentar e iremos derrotar".
Neste contexto, pediu que o país rebata a ideia de que "os factos são manipulados e, até mesmo, fabricados". Donald Trump, o seu antecessor, não participou do evento, tornando-se, em cerca de 150 anos, o primeiro Presidente do país a boicotar a tomada de posse de um sucessor. Já o seu ex-vice presidente, Mike Pence, marcou presença na tomada de posse, que também contou com os ex-Presidentes George W. Bush, Bill Clinton e Barack Obama.
Kamala Harris - No discurso da cerimónia, Amy Klobuchar, a nova líder democrata no Senado, recordou o episódio do ataque ao Capitólio, a 6 de janeiro, afirmando que a democracia resiste a todas as investidas, dizendo que é também um exemplo de que a democracia não deve ser dada por garantida.
"Celebramos um novo Presidente que vai restaurar os valores da democracia", disse Klobuchar, sem esconder alguma emoção, referindo-se ainda a Kamala Harris como a primeira sul asiática na vice-Presidência, como sinal de novos tempos de diversidade.
Referindo-se aos eventos de 6 de janeiro, o número um dos EUA pr meteu que isso não acontecerá novamente "nem hoje, nem amanhã". Momento de unificação - O senador republicano Roy Blunt, do Missouri, disse que é importante preservar as "liberdades conquistadas" e que as democracias "nunca estão terminadas", e que a tomada de posse de sucessivos presidentes mostra que as instituições são perecíveis.
(…)O novo Presidente dos EUA apelou a que seja encerrada o que classificou como "guerra civil" entre democratas e republicanos e pediu que seja assumida no país a responsabilidade de defender a verdade e derrotar as mentiras. Biden, católico praticante, ouviu ainda uma oração proferida pelo padre Leo O'Donovan, um amigo de longa data, que abençoou a nova equipa governamental, sublinhando a necessidade da "fé necessária" para ultrapassar os grandes desafios.
E a Covid-19… - O sucessor de Trump disse que este é o momento "para baixar a temperatura", para acalmar ânimos políticos desavindos, perante graves desafios. "Vamos derrotar a pandemia. Mas vamos fazê-lo juntos. Temos de o fazer juntos", prometeu Biden, recordando que a crise sanitária que se vive já matou tantos norte-americanos como a Segunda Guerra Mundial.
O estadista pediu mesmo uns segundos de silêncio pelas vítimas mortais da pandemia, colocando o problema como prioridade da sua agenda política. Alias, a cerimónia decorreu diante de um público reduzido devido aos protocolos para evitar contágios do coronavírus.
Política externa - Ainda no seu discurso, Joe Biden prometeu reparar "as alianças" tradicionais do país, que se voltará a relacionar "uma vez mais com o mundo", depois da política de isolamento do antecessor, Donald Trump.
Mas Biden também deixou uma mensagem para o exterior, dirigindo-se aos inimigos e aliados: "Seremos aliados de confiança. Seguros e fortes".O novo estadista disse acreditar que os Estados Unidos podem "voltar a ser um aliado em que se pode confiar".Depois da cerimónia de empossamento do novo homem forte da Casa Branca, Joe Biden efetuará a entrada inaugural na Casa Branca.


In Observador (adp)

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BURNA BOY, MÚSICO NIGERIANO
AS OUTRAS ESTRELAS DA FESTA...

A cantora Lady Gaga interpretou o hino nacional, num espampanante vestido vermelho, com uma imagem dourada da pomba, símbolo de paz, antes de Biden prometer defender os Estados Unidos dos seus inimigos, internos e externos.
Também Jennifer Lopez cantou nesta cerimónia, que antecede uma série de eventos festivos que se prolongam ao longo do dia e noite de quarta-feira (20.01).
E uma estrela africana abrilhantou a festa com uma das suas músicas nesta esperada festa, Burna Boy.
A canção "Destiny" da mega estrela nigeriana, estava na "playlist" da cerimónia. O "afrobeat" do cantor nigeriano constou de uma lista com outros artistas internacionais como Beyoncé, Kendrick Lamar e Stevie Wonder.
Burna Boy, compositor, cantor e rapper, é um dos músicos mais conhecidos de África a nível internacional.

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