DESPORTO

 
28 de julho 2016 - às 08:07

ELEIÇÕES NO FUTEBOL ARTUR "REAPARECE" PARA ENTRAR DE NOVO NO JOGO

* Dirigente estranha o facto de ainda não estar marcada a renovação de mandatos pela Mesa da Assembleia Geral 

 

Derrotado por Pedro Neto em 2011, por 48 votos contra 27, o empresário e dirigente desportivo Pedro Artur Almeida está de novo disposto a concorrer à presidência da Federação Angolana de Futebol.

Pela Mesa da Assembleia Geral, António França "Ndalu" ainda não convocou a data das eleições, mas Artur Almeida já deu a conhecer publicamente a sua vontade para superar o actual líder da federação que naquele ano deixou o cargo de embaixador angolano na Zâmbia a favor do organismo reitor do futebol no País.

E, mostrando que está preparado para a sua pretensão, Artur Almeida quando deu publicamente a cara disse estranhar o facto de a data do pleito não estar ainda anunciada, mesmo sabendo-se que o Ministério da Juventude e Desportos já comunicou que em todas as instituições desportivas se faça a renovação de mandatos.

Como disse "é  um pouco estranho este silêncio, na medida em que o próprio Ministério da Juventude e Desportos fez sair um documento instrutivo de como os clubes, associações e federações deviam realizar os respectivos actos eleitorais, de forma a conformarem-se com a lei. E isto passa, necessariamente, por eles fazerem as eleições".

Artur Almeida não teme uma outra derrota diante do ou dos candidatos que concorrerem e deixou claro que "o que me motiva a voltar à carga é a letargia que o futebol está votado e, sobretudo, a desestruturação organizada que estamos a ver no nosso futebol. É uma desestruturação completa e acho que há aqui um descaminho completo daquilo que é a realidade futebolística a nível mundial. Precisámos de encontrar o caminho certo para isso".

Em 2011, aquando da sua campanha, prometeu que se vencesse Pedro Neto, os Palancas Negras poderiam ser campeões africanos no CAN de 2017, isto é no próximo ano. O seu rival venceu e Angola nem sequer está apurada para a competição cuja fase final decorrerá no Gabão.

A este respeito colocou o dedo na ferida como se diz :"Penso que as coisas pioraram absolutamente. No passado as coisas já estavam mal e hoje estão péssimas. E não sou eu que o digo, é a opinião pública que o diz. E, aliás, os resultados também são visíveis, e acho que temos de fazer alguma coisa no sentido de mudar o quadro".

Auto-confiante afiançou ser "uma das pessoas que pode dar um rumo diferente ao nosso futebol",  devido aos conhecimentos que tem do futebol nacional.

A pensar nisso, mas sem ainda gastar todos os trunfos que virá a tecer diante do eleitorado, caso seja admitido a concorrer e fazer campanha, Artur Almeida garantiu já ter novas ideias para a federação servir da melhor forma o nacional no plano organizativo, financeiro e competitivo. 

"Queremos contribuir para melhorar com opiniões bastante válidas e construtivas. Estamos a trazer uma matéria de contribuição para melhorar, porque não estamos a vir aqui apenas para dizer aquilo que está mal. Não! Estamos a trazer uma solução para o futebol, com coisas palpáveis. Temos um projecto que toda a gente pode ter acesso e vai perceber, de facto, que é aquilo que o futebol de Angola precisa", sublinhou.

Um outro ponto forte do seu projecto de candidatura tem a ver com a carteira de formação de dirigentes, técnicos e escalões de jovens, pois, é apologista de que os clubes devem apostar decididamente na formação. "A aposta nos escalões de formação. Os clubes devem prestar maior atenção aos seus talentos e potenciá-los para as equipas de seniores. Só desta forma poderemos pensar em equipas e selecções fortes no futuro", defende.

No plano das provas internas Artur Almeida considera que a federação tem de reformular os campeonatos infanto-juvenis até aos seniores, mas, adiantou que a instituição tem de organizar o campeonato porque o modelo actual está ultrapassado.

"Podemos perspectivar a criação de uma entidade independente que venha gerir os campeonatos nacionais. E estou a falar aqui concretamente da criação de uma Liga Profissional", esclareceu ainda  Artur Almeida, para quem a federação deve criar um quadro regulador do futebol, acompanhar esta regulação e, ao mesmo tempo, cuidar das selecções nacionais. 

"Quando falo que a FAF deve cuidar das selecções nacionais, estou a fazer referencia às selecções jovens, nomeadamente as de sub-12, 15, 18 e 20, até a selecção de honras. Esta sim deve ser a preocupação da federação. O resto fazem as associações e os clubes e demais entidades que vão gerir o futebol profissional", explica.  "Tudo isso obriga a organização, estruturação e uma visão estratégica na gestão do dia-a-dia do futebol que, às vezes não está a acontecer, porque as pessoas não estão muito interessadas a fazer", explicou.

Em relação ainda à sorte dos Palancas Negras nas diversas frentes em que têm estado engajados e fracassado, sobretudo para o CAN de 2017, Artur Almeida não está surpreendido e promete dias melhores. "Já prevíamos este cenário, iríamos perder os jogos, porque não tivemos uma boa performance na nossa participação. Portanto, era uma morte praticamente anunciada".

O aspirante ao cadeirão máximo da federação lamentou que " é pena que ninguém teve o antídoto certo para, na altura, evitar que aquilo acontecesse", e, por esta razão, ele considerou que a federação cometeu um erro grosseiro ao afastar o então seleccionador Romeu Filemon do comando técnico, numa fase em que acredita ter sido crucial em relação aos propósitos da equipa nacional.

Ele aconselha que" quando se tira um treinador da selecção, em vésperas de um jogo qualificativo, isso só pode ser prenúncio para muita coisa negativa acontecer. E foi o que aconteceu. Hoje estamos na cauda de 125 selecções nacionais. Alguma coisa não está bem e toda a gente sabe o que não está mal, mas temos de ter a coragem de humildemente mudar as coisas e dar o tratamento devido, de que se almeje um futuro melhor para o futebol nos próximos tempos".

De resto, Artur Almeida está atento aos movimentos que devem levar à convocatória da Assembleia Geral que marcará a data das eleições e oficializar a sua candidatura à Comissão Eleitoral a ser criada. 

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