ECONOMIA & NEGÓCIOS

 
2 de outubro 2016 - às 05:29

ECONOMIA EUROPEIA LEVA À CONTINUAÇÃO DA POLÍTICA DO BCE

O Banco Central Europeu vai continuar a investir os ganhos com os juros das obrigações que tem vindo a comprar. Uma política que irá prolongar-se até, pelo menos, 2020, de acordo com o governador do Banco da Holanda, Klaas Knot

 

programa em curso decorre até Março do próximo ano e representa um investimento mensal de 80.000 milhões de euros.

Na reunião de Setembro, do Conselho de Governadores, ficou decidido manter as taxas de juro. A referência, dos empréstimos aos bancos, fica em 0%, enquanto os depósitos continuam a 0,4%.

Apesar desta política, a inflação não tem tido a evolução desejada. Os banqueiros não prevêem o estabelecimento da taxa de 2% antes do final da década.

Pelo terceiro mês consecutivo, em Agosto diminuiu o recurso da banca portuguesa às verbas do BCE – o recurso é o mais baixo desde Abril de 2010. O montante desceu para 23.135 milhões de euros, menos 73 milhões.

A Autoridade Bancária Europeia (EBA) considera que os bancos da União Europeia «cumprem largamente as futuras exigências de capital». A análise, referente ao final de 2015, conclui que as necessidades ascendiam a 400 milhões de euros, enquanto em 2011 eram de 25.000 milhões de euros.

Não divulgando as instituições, a EBA rastreou 227 bancos, dos quais cinco portugueses. Os maiores bancos não têm precisões, mas os mais pequenos, e em número reduzido, têm algumas.

Economia portuguesa não cumpre - De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, o crescimento económico em Portugal continua a divergir da previsão do Governo. Em Agosto, em termos homólogos, a economia subiu para 0,9%, enquanto em 2015 se situara em 0,8%. Todavia, este resultado traduz metade do objectivo para a totalidade de 2016. Em cadeia, a progressão passou para 0,3%, contra 0,2%.

No segundo trimestre, em termos homólogos, a progressão foi de 0,9%, taxa idêntica a do trimestre precedente. O organismo estatístico português justifica esta performance com a procura interna, que passou de 1,7 pontos percentuais para 0,6 pontos percentuais.

Por outro lado, alterou-se a relação entre importações e exportações. A procura externa líquida representou 0,2 pontos percentuais, contra -0,7 pontos percentuais, nos primeiros três meses do ano. Ou seja, embora aparentemente salutar, esta performance traduz a quebra do consumo das famílias (mais 1,7% face ao período idêntico de 2015 – a taxa mais baixa desde o quarto trimestre de 2013) e menor investimento.

O INE informa que apenas a actividade intelectual evoluiu positivamente, embora continue negativa, passando de -3,9% para -0,7%. A principal actividade de investimento, a construção, recuou de -3,9% para -4,9%.

A Grécia pode voltar a conhecer uma situação muito complicada, uma vez que a dívida continua muito elevada, no entender do FMI. Esta organização diz estar longe de participar num plano de apoio.

O FMI prevê que um novo plano implique uma transferência de 86.000 milhões de euros. Recorde-se que este país conhece três planos de resgate, em cinco anos, sendo o último viabilizado em Agosto de 2015.

No segundo trimestre, o PIB grego cresceu 0,2%, em comparação em cadeia, divergindo em 0,1 ponto percentual face ao previsto. Em termos homólogos, o recuo foi de 0,9%, enquanto a expectativa era de -07%.

Por outro lado, o presidente da Comissão Europeia quer voltar a debater a retirada de algumas despesas na contabilização para o défice, aligeirando as exigências do Pacto de Estabilidade. A organização encontra-se dividida. Jean-Claude Junker tem opinião contra o titular da pasta do Euro, o letão Valdis Dombrovskis. Conta com o apoio do francês Pierre Moscovici (Assuntos Económicos e Financeiros) e da belga Marianne Thyssen (Emprego e Assuntos Sociais).

O vice-presidente da Comissão Europeia para o Investimento, o finlandês Jyrki Katainen, manifestou-se crente de que Portugal e Espanha vão conseguir evitar a suspensão das transferências financeiras dos fundos estruturais, caso não consigam a consolidação orçamental. Cortes serão parciais, referiu. além de que não iriam afectar compromissos financeiros já estabelecidos.

Os dois países ibéricos têm de apresentar, até 15 de Outubro, o relatório que comprove a aplicação de medidas para cumprir com as obrigações, no âmbito dos procedimentos por défice excessivo. De Lisboa garante-se que tudo está a decorrer com normalidade e que não haverá medidas excepcionais. Por seu lado, em Espanha ainda não há Governo, mantendo-se em funções um executivo provisório de transição.

A vontade de punição, plasmada por Jyrki Katainen traduz a dualidade de critérios com que a Comissão Europeia e os Estados aplicam aos diferentes membros – o que tem sido usado como ilustração do falhanço do «projecto europeu».

Enquanto sobre Portugal e Espanha recai a ameaça de incumprimento do Pacto de Estabilidade, sobre a Alemanha ninguém estende uma acusação, por incumprimento das metas do excedente externo. Recorde-se que Jean-Claude Junker já justificara a não aplicação de sanções a França, por incumprimento dos compromissos por que «a França é a França».

O Instituto de Estudo Estatístico (IFO), da Alemanha, prevê que o excedente externo alemão chegue aos 278.000 milhões de euros, em 2016. Ou seja, a balança de transacções correntes será a maior do mundo.

Assim, o excedente representará 8,9% do produto interno bruto, quando o limite está fixado em 6%. A Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional têm apelado ao Governo germânico para que tome medidas favoráveis ao crescimento do consumo interno. Todavia, Berlim não adopta qualquer procedimento que responda às recomendações.

O conjunto dos (ainda) 28 Estados da União Europeia representa 23,8% do PIB mundial, de acordo com o Eurostat. Deste modo, o bloco europeu fica acima dos Estados Unidos da América (22,2%), China (13,4%) e Japão (5,9%).  

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