ECONOMIA & NEGÓCIOS

 
1 de dezembro 2016 - às 19:12

ECONOMIA ANGOLANA OS 41 ANOS DE INDEPENDÊNCIA

Há 41 anos, Angola tornou-se independente e alcançou um desenvolvimento económico, social e cultural capaz de a diferenciar no contexto africano

 

No período de 1975 - 1991 a economia angolana foi caracterizada por planificada, em que o estado planeava o sistema económico, com base na produção prévia e racionalizada. Portanto, o governo estabelecia as metas de produção e distribuição de bens e serviços.

Entre 1991-1995 o panorama económico era focado para o sector petrolífero, que foi definido como o sector estratégico para alavancar a economia nacional, uma vez que o preço do barril em alta era oportunidade para crescer as suas posições de lucro, visto que as margens eram crescentes. Daí a importância de se aproveitar a vantagem proveniente destes grandes encaixes financeiros que são situacionais e temporários, pois a economia é dinâmica. Na altura apresentava uma conjuntura favorável e hoje é adversa. Neste contexto, era visível a ausência de políticas que permitiam estimular e dinamizar os sectores primário e secundário de forma a diversificar a economia nacional.

O desafio para a classe empresarial, centrava-se em perspectivar novas estratégias de fomento a actividade e inserir o tecido empresarial nos variados sectores da economia, não descurando a competitividade, a nível da região.

Neste processo, a Lei nº 20/91 de 8 de Junho autorizou o Banco Central à emissão e circulação de notas de valor facial de Nkz 100, Nkz 500, Nkz 1.000, Nkz 5.000. Estas notas coexistiram até a publicação do Aviso nº 3/93 de 29 de Janeiro, tornando as cédulas reimpressas nulas e sem valor liberatório.

Desta forma, o dinheiro tinham as denominações: 100, 500, 1.000 e 5.000 10.000, 50.000, 100.000 e 500.000 novos kwanzas. 

Com o acordo efectivo de paz, em 2002, o país alcançou um desenvolvimento económico relevante, e no espaço de uma década a economia cresceu a um ritmo mais acelerado que a média africana. A partir de 2002 registou-se um forte investimento em infra-estruturas públicas (estradas, pontes, barragens, energia, comunicações etc) de forma a potenciar o desenvolvimento do sector não petrolífero.

No período de 2002 á 2014 a economia foi caracterizada pela diversificação e neste período o país alargou o espectro a um conjunto de áreas prioritárias, designadamente  agricultura, com particular enfoque na  produção de cereais, pecuária, agro-indústria, indústria transformadora e o restabelecimento da rede de logística e de distribuição. O clima de investimentos era positivo, quer a nível do aperfeiçoamento dos instrumentos legais, a nova lei de investimentos, quer com o alargamento da base de funding. Pela primeira vez, o país recorreu ao mercado intencional de  dívida com a colocação de eurobonds, graças ao aumento da credibilidade no mercado financeiro internacional, e a melhoria do rating  soberano. 

O alargamento das fontes de financiamento é um factor chave no processo de  diversificação da economia nacional. A bolsa de valores foi aguardada com muita expectativa por parte dos agentes económicos que viram o  leque de oferta alargado, tendo deste modo, uma nova fonte de financiamentos dos seus projectos de investimento no mercado nacional.

O país deu sinais de aperfeiçoamento do sistema bancário. segundo o último estudo da consultora Delloitte and Touch, o sector mostrou-se capaz de continuar a crescer, apresentando evoluções significativas no ambiente regulamentar e na prática bancária. O crédito a economia cresceu 69,5 % face ao ano anterior, em termos de concessão de crédito e de acordo com a publicação do Banco Central, os particulares detêm a maior fatia com 43% do crédito concedido ao sector privado, seguindo-se o sector do comércio quer a grosso quer a retalho com 18,7%. Seguem-se os sectores da construção e transportes, com 8% e 6% respectivamente.

Esta movimentação no sector financeiro deriva das oportunidades de negócios que a economia nacional apresentava, derivados de um conjunto de indústrias e negócios que se instalaram no país, com efeito positivo nas taxas de bancarização que têm vindo a aumentar significativamente.

Entre 2014-2016 Angola vive um período de crise financeira devido a redução do preço de barril de petróleo que influenciou significativamente o nível de captação de divisas, de modo que existem dificuldades em garantir a sustentabilidade da despesa pública e a manutenção das reservas internacionais líquidas, visto que a moeda nacional, que se mantinha estável desde Setembro de 2015, em torno dos 135 kwanzas por dólar americano, tem vindo a sofrer uma depreciação.

Diante deste panorama o executivo adoptou um conjunto de medidas estratégicas para combater a crise e  destacam-se as seguintes:

- Acelerar a diversificação da economia: O desafio passa pela diversificação da  base  económica, que integra a agenda pública de reforma estrutural definida desde 2011, que prevê uma estratégia de desenvolvimento do sector privado. A recente lei do investimento privado faz alguns ajustamentos que vêem melhorar do ponto de vista de operacionalidade para o investidor. A actual lei tem um pórtico de incentivos interessantes para o investidor, no caso de investimento interno no valor de 50 milhões de KZ e para investimento externo (100 milhões de Kz).

- Maior rigor na gestão de recursos: Pretende-se com esta medida melhor a aplicação dos recursos, assentes nas prioridades do OGE e a eliminação de despesas que podem desestabilizar as contas públicas.

- Maior atenção especial às assimetrias no desenvolvimento das diferentes regiões do país:  A concepção de politicas públicas que visem criar condições de atracção de (IDE) para o interior do país são de todo importantes e concorrem para redução das assimetrias e desequilíbrios regionais 

-Apoio financeiro externo: O alargamento das fontes de financiamento é um factor chave no processo de  diversificação da economia nacional, dai a necessidade de se encetar acordos financeiros com entidades externas para apoiar o processo de diversificação.

-O corte dos subsídios aos combustíveis: Os ajustes do preço dos combustíveis visam optimizar a carga de subvenções, devido ao efeito associado da baixa da receita petrolífera. O ajuste irá permitir ao executivo garantir o financiamento do Plano Nacional de Desenvolvimento 2013-2017, que recaem sobre a aplicação de políticas centradas na promoção do crescimento económico e de criação de condições básicas à execução dos principias projectos nacionais, tendo em conta a actual situação de crise.

Por outro lado, permite aumentar a qualidade da despesa pública, em linha com as recomendações recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, de forma a canalizar estes fundos para programas de apoio social.

- Maior liberdade na venda de divisas aos cidadãos e às empresas para fazerem face a despesas no exterior. O objectivo é reduzir a pressão do câmbio no mercado informal e a tranquilizar o mercado oficial.

O conjunto de medidas aprovadas pelo governo são oportunas e acertadas para vencer a crise, porque são acções  que visam reduzir custos do Estado, aumentar a capacidade de produção interna e projectar para exportação, desenvolvimento do pais em outras regiões do país. 

Nestes 41 anos de independência são visíveis os avanços da economia, as evidências de crescimento do sector económico  através de iniciativas empresariais e comerciais, assim como controlo do comércio informal são indicadores importantes de desenvolvimento económico no país, que o qualifica como uma das maiores potencias a nível da África subsariana, quer ao nível do crescimento do produto, como no índice de realização de investimento público e privado. 

Copyright © Figuras & Negócios - Todos os direitos reservados strong>

Contato
Home
Acervo Digital