PAÍS

 
2 de maio 2016 - às 07:16

ECONOMIA A DIVERSIFICAÇÃO TAMBÉM PASSA POR AQUI!

A grande novidade é a convergência destas três correntes da “nova economia política” o que nos permite (re)construir um paradigma e falar de uma economia a três dimensões (E3D) em que os factores imateriais são decisivos.

 

O que haverá em comum entre a internet, informação, imaterial, intangível, identidade, inteligência, inovação, invenção, imaginação? 

Estaremos nós na rota de um novo código de linguagem e significação, de uma economia dos ícones, de uma (i)conomia?

Assiste-se, de forma mais ao menos acelerada e um pouco por todo o mundo, e com especial significado nas regiões periféricas, pelo impacto e significado que pode assumir, à recomposição das cadeias de valor em jogar um papel decisivo as “novas economias”, tais como:

• a economia do imaterial (os ícones).

• a economia circular (os 4Rs)

• e a economia das redes colaborativas (a partilha de recursos ociosos).

O advento da economia do imaterial e as novas cadeias de valor. O advento da economia imaterial é uma grande oportunidade para as convencionais cadeias de valor materiais”. A economia do imaterial é uma oportunidade, e um contributo efectivo à sustentabilidade, para as regiões mais pobres em recursos materiais. Com essa intencionalidade, a par de preocupações de “conservação e memória”, sucedem-se os exemplos das pretensões de muitos países e territórios, pelo reconhecimento, por parte da UNESCO, de património imaterial, como são os casos do “fado” e do “cante alentejano” em Portugal e …

A economia circular e a recomposição das cadeias de valor. “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Tal como a economia do imaterial, também a economia circular transforma radicalmente as cadeias de produção e valor. A sinergia toma progressivamente o lugar da entropia (os 4 Rs). Os resíduos transformam-se em recursos e estes em actividades e rendimentos. Na mesma linha, a “economia dos bens adquiridos” transfere-se gradualmente para uma “economia de serviços prestados” e nesta transição a economia dos intangíveis passa a ter uma importância fundamental no desenho e na redefinição da cadeia de valor da mercadoria.

Um bom “guião” da economia circular (os 4 Rs) é a “Agenda 21” que é um plano de acção para ser adoptado global, nacional e localmente, por organizações do sistema das Nações Unidas, governos e pela sociedade civil, em todas as áreas em que a acção humana impacta o meio ambiente. Desta forma, para que consigamos atingir estes objectivos, devemos ter em mente e exercer os 4 Rs – Reduzir, Reutilizar, Repensar e Reciclar:

 

• 1º: Reduzir a produção de lixo e objectos desnecessários. Reduzir também significa usarmos produtos mais duráveis, controlarmos o uso excessivo de água, luz, gás, enfim, evitarmos qualquer tipo de desperdício.

Veja-se o propagandeado esforço que o Executivo Angolano, nomeadamente através dos governos provinciais, tem feito para levar os cidadãos a reduzirem a produção de lixo e a “ordenarem” melhor o seu depósito. Infelizmente, ficamos com a sensação que é um “esforço” inglório, também pelo facto de não se vislumbrarem esforços semelhantes, e efectivos, nos âmbitos dos outros Rs.

Muito tem contribuído para que Angola seja, à vista desarmada, um imenso depósito de lixos(s): a importação de máquinas e veículos em fim de vida e sem se acautelar a sua posterior manutenção. A somar a isto ainda temos a importação maciça de produtos chineses, reconhecidamente de má qualidade, logo de elevada e rápida “mortalidade” e inoperância manifesta. Estas e outras inabilidades, fazem do país um cemitério barato para lixos e sucatas que os outros (já) não querem. Quem lucra com isso?;

 

• 2º: Reutilizar o que fabricamos e evitarmos o uso de “materiais descartáveis”, a menos que sejam necessários à protecção da nossa saúde. Desta maneira, devemos aproveitar roupas e móveis, trocar, vender e doar tudo aquilo que não tem utilidade para nós, mas pode ser usado por alguém.

Entre nós, mesmo com uma crise às costas, mantemos níveis de consumo deveras consumistas (desculpem a redundância), muitas vezes exemplos requintados de falta de humildade, tanto de cidadãos como de instituições públicas e privadas… A algumas até podemos designar como “ignóbeis” manifestações de riquismo (que é diferente de ser rico), em infindáveis exercícios de “show off”.

Contrariamente ao que seria de esperar com um povo que passou por muitas privações, anos a fio – escrevo este artigo no dia da paz, 4 de Abril -, tenho assistido à tendência de todos nós nos tornarmos cada vez mais individualistas, invejosos, não solidários… onde uma das primeiras preocupações que temos é “construir o muro”, entenda-se tanto no plano físico como no social e relacional. “Construir muros” é o sinal acabado do “chega para lá”, da “não partilha”, de puras demonstrações do poder… muitas vezes associado ao que é expresso pelo antigo ditado popular “ter mais olhos que barriga”. Muita desta aprendizagem se faz com os exemplos que vêm de cima e… reconheço, que são maus exemplos (ex. Grupo Melo Xavier, entre outros);

 

• 3º: Repensar sobre nossos hábitos de consumo e repensar sobre as consequências que o consumo desenfreado gera em nosso planeta: esgotamento das reservas de água e minérios, poluição da água, do ar, do solo, além do agravamento das desigualdades sociais.

Não querendo ser exaustivos, centro-me num único exemplo, entre muitos outros possíveis, em resultado do que vou observando no país aquando das minhas deambulações. Quero referir-me a certas ocupações de solo que vão ocorrendo um pouco por aqui e ali. Tenho dado conta de áreas possuidoras de solos agrícolas de grande capacidade – solos da classe A: aluviões, espessos, orgânicos, planos e com água disponível, de elevada produtividade… - que são “assassinamente” ocupados com outros usos, nomeadamente postos de combustível, armazéns, depósitos de sucata, pseudo-indústrias, etc.. São bons – maus exemplos – disso o que vemos no Sumbe, na Catumbela na periferia de Luanda, no Huambo, etc., etc.. Será por incompetência que isso acontece? Ou haverá outras razões que a razão desconhece?;

Admiro-me, amiúde, com a indiferença com que as autoridades centrais/locais lidam com estas “maldades”, quase sempre irrecuperáveis.

 

• 4º: Reciclar os materiais usados para fabricação de novos produtos. Para que seja possível reciclar plásticos, vidros, metais e papéis, estes materiais precisam estar separados e em grande quantidade. Por isso é tão importante praticar a colecta selectiva.

Reciclar (a par dos outros Rs) quase que devia ser um preceito Constitucional tal é a tamanha importância que tem para a economia, sociedade, sustentabilidade de qualquer território, de qualquer país. Esta convicção é tanto mais forte quanto mais frágil, periférico, (in)qualificado for o país! Já em tempos escrevi que “Angola, um país com muita lata!” onde jogava com a dimensão dual e dúbia da lata. Lata enquanto “à vontade” e lata como lixodesperdício. E, de acto, somos um país com muitas latas, vidros, plásticos, cartões… tudo materiais que poderiam, deveriam, ser reciclados e, dessa forma, reduziam o lixo ao mesmo tempo que produziam riqueza – energia, novos produtos – promovendo a poupança e libertando recursos para outras áreas. Além disso, o ambiente e as actividades conexas, como o turismo, agradeceriam;

A economia de rede e partilha e as novas cadeias de valor. No caso da economia da partilha chegamos lá por meio das redes colaborativas e de uma profunda renovação do capital social, sobretudo por via do acesso generalizado à cultura digital. As redes colaborativas recuperam o capital social e os recursos ociosos que tinham sido considerados uma espécie de resíduo do capitalismo industrial e, mais relevante ainda, ultrapassam as instituições burocráticas do capitalismo por meio de redes de baixo custo. Estas redes entram em choque frontal com os mercados convencionais e as suas cadeias de valor mais lucrativas são postas em causa por cadeias de valor colaborativas e solidárias. 

O que é isto de "Economia da Partilha"? O mundo está em constante movimento. Hoje em dia, um novo fenómeno que impulsiona a mudança é chamado de "economia da partilha" ou "consumo colaborativo". Esta é uma ideia que tem vindo a ser discutida desde o final da década de 90 por economistas e empresários. No entanto, começou a ganhar forma apenas na era digital e das comunidades virtuais que dela resultaram, que nos permite afirmar que a economia da partilha está entre as dez ideias que irão mudar o mundo de amanhã. Mas por que é que isso acontece?

A crise económica, juntamente com a revolução virtual, criou o ambiente ideal para fomentar este conceito. Isso levou a que 67% dos consumidores começasse a partilhar bens e serviços. Além disso, a paisagem tecnológica, criada pelo aumento do acesso à Internet, aparelhos electrónicos baratos e, especialmente, um aumento das comunidades online, acentuou ainda mais essa necessidade.

Em Angola, à semelhança dos outros países, existem milhares de veículos (nomeadamente de mercadorias, que não são utilizados em pleno tempo. Muitos de nós estamos conscientes de que o nosso carro é usado apenas por breves instantes durante o dia. Mas quantos de nós percebemos que podemos partilhar uma grande parte dos custos, como a manutenção ou a gasolina, com alguém? Não muitos. Através da revolução virtual e o crescimento de plataformas de partilha. À medida que os consumidores se disponibilizarem a partilhar com alguém (por ex. veículos, alojamentos, …), isso está a impulsionar o crescimento da economia de partilha, que avança cada vez mais e em vertentes distintas.

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