ÁFRICA

 
6 de março 2017 - às 12:21

DLAMINI ZUMA NA HORA DO ADEUS "A UNIDADE É O LEGADO DA UNIÃO AFRICANA"

Dlamini Zuma falou nos desafios económicos e sociais do continente, evocou as consequências do Brexit e das eleições nos EUA e sublinhou que a unidade do continente não deve ser posta em causa

 

A Presidente da Comissão da União Africana inaugurou os trabalhos da 30ª Sessão Ordinária do Conselho Executivo, em Addis Abeba, capital da Etiópia. Num discurso de abertura Dlamini Zuma falou nos desafios económicos e sociais do continente, evocou as consequências do Brexit das eleições nos EUA e sublinhou que a unidade do continente não deve ser posta em causa.

 Naquele que foi um dos últimos discursos enquanto presidente da Comissão da União Africana, Dlamini Zuma não poupou palavras e aproveitou a ocasião para enviar alguns recados. Numa mensagem clara e dirigida a Marrocos, que regressa ao seio da UA exigindo como contrapartida a saída da República Árabe Sarauí Democrática, Dlamini Zuma lembrou que a solidariedade entre povos é fundamental.

“Independentemente das decisões que tomarmos nesta cimeira, temos de manter a unidade do continente e da União Africana”, reiterou.

Todavia, o facto de o Parlamento marroquino ter aprovado, uma semana antes, em Rabat, o acto constituinte da União Africana que reconhece as fronteiras da República Árabe Sarauí Democrática, fez renascer a esperança do povo sarauí.

No seu discurso, a então presidente da Comissão da União Africana fez alusão ao flagelo do terrorismo que ameaça a estabilidade e a paz no mundo. “Os conflitos actuais não deixam nenhum país de fora, a proliferação de armas ameaça a paz no mundo e o dinheiro que é gasto em armamento devia ser utilizado na promoção do desenvolvimento”, sublinhou.

Dlamini Zuma reconheceu igualmente os perigos e as consequências da globalização que culminou num “proteccionismo desmesurado”, dando como exemplo o Brexit e os resultados das eleições norte-americanas. “Os países optam cada vez mais por medidas protecionistas. Há cada vez mais licenciados desempregados, os ricos estão cada vez mais ricos e a classe média está ameaçada”, acrescentou.

Contudo, lembrou que este pode ser o momento para o continente africano se afirmar no mundo e ser mestre do seu próprio destino. “O sector das tecnologias e dos transportes podem ser o caminho para alcançar esse progresso”, concluiu.

Na altura do adeus, Dlamini Zuma optou pela generalidade ao falar dos conflitos que ameaçam a estabilidade no continente. Ela não fez, em qualquer momento, referência à crise política na Gâmbia e cuja mediação da CEDEAO evitou que o país mergulhasse numa guerra civil. De fora ficaram também o Burundi e o Sudão do Sul, que vivem ambos conflitos a que a União Africana tem sido acusada de fechar os olhos. 

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