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12 de dezembro 2012 - às 20:42

Disfarce da angolanização

 

Começam-se a tornar repetitivas as reclamações, dos cidadãos comuns, dos meus alunos e do meu próprio núcleo de amigos, sobre a invasão dos muitos estrageiros no nosso mercado de emprego.

Já aqui tivera dito que sou contra a ideia formatada de que Angola sirva de bálsamo às crises alheias, mas também é verdade que o país precisa de pessoas competentes que nos consigam transmitir tecnologia e know-how.

Mas esse  intercâmbio deve estar assente em bases claras e que resulte em benefícios tangíveis para o país e para a qualificação dos recursos humanos nacionais, o que, de certa forma ainda é uma miragem.

Afinal é comum, em certos empregadores estrageiros, a resistência em dar formação aos seus funcionários, em passar a tecnologia de ponta e com isso valorizar o quadro nacional.

Em detrimento disso, muitos preferem trazer os seus compatriotas, mais  por uma questão de solidariedade do que de eficiência e competência. 

Há ainda outros que vendem a imagem que só com estrangeiros, e de preferência provenientes da Europa ocidental, os seus negócios poderão andar e ter a merecida respeitabilidade. Puro engano!

Contudo,  essas atitudes de certos empresários estrangeiros e de alguns nacionais,  não devem servir de impedimento de emacipação dos quadros nacionais no mercado de trabalho, como força activa válida. Pois, devemos ser ousados e criativos na nossa ambição, sobretudo em aumentar a nossa competência, em termos qualitativo e quantitativo.

Para tal, os primeiros passos devem ser de índole política, isto é, combater a mais gritante falsificação que frequentemente as companhias estrangeiras têm estado a utilizar, que, pela prática, parece que só não é vista pelo Executivo.

Já se torna enjoativo e até arrogante os anúncios de certas empresas, que no Jornal de Angola vão solicitando pessoas para determinados cargos, apenas lincenciados e com 10 anos de experiência profissional.

Não é compreensível que num país como Angola, que somente agora começa a dar os primeiros passos a nível de formação académica de nível superior, seja este um dos requisitos para empregar um cidadão nacional.

Não se aceita que um país com uma taxa de população bastante jovem, seja exigido 10 anos de experiência profissional para se ser candidato a uma vaga de emprego.

Com esses pressupostos, as multinacionais conseguem "fintar" a lei de angolanização e com isso "mandar vir" mais estrangeiros, que, afinal, já levam 50 anos de avanço a nível de formação superior e de emprego, mas a braços com uma crise economica, viram-se para o continente berço, África. 

Visto que estamos num mundo globalizado, para o bem e para o mal, é com muitas dessas práticas que teremos de co-habitar.

Por isso, deve partir dos jovens recém-licenciados a iniciativa de se superarem, com línguas e cursos profissionais que vão enriquecer os seus curricula e não estarem formatados aos ensinamentos básicos das universidades.

Também das próprias instituições, que os forma, exige-se a adopção de programas académicos virados para a empregabilidade, tal como já acontece em quase todo o mundo, com o programa de Bolonha, onde o interesse não é formar mais intelectuais, como no passado, mas sim profissionais capazes de pegar de estanca no mercado de trabalho.

Se a nossa mentalidade estiver virada para este sentimento e com políticas sensatas, então a angolanização nos diversos sectores da nossa economia será uma realidade.

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