MUNDO REAL

 
29 de outubro 2015 - às 18:36

DIÁLOGO E INCLUSÃO PARA CIMENTAR A PAZ

Preservar a paz e a estabilidade deve, por isso mesmo, envolver todos nós mas, a meu ver tal deve ser por via do diálogo e da inclusão, diálogo para a discussão dos diferentes pontos de vista e para reduzir a barreira entre os mais abastados e os mais pobres e, também, num ambiente onde não se excluam, à partida, as vozes discordantes.

 

Vivemos tempos que nos devem levar a uma profunda reflexão e cada um de nós deve reflectir sobre o futuro do país. Angola vive, felizmente, em paz, alcançada após anos de conflito interno, um momento que nos permite, enfim, andar pelo país, conhecer e redescobrir a nossa terra.

Do ponto de vista económico, os ganhos se evidenciaram mais nos anos em que Angola teve um crescimento notável, inclusive de dois dígitos, ao mesmo tempo que os agricultores têm agora a possibilidade de desenvolver o seu trabalho, embora, lamentavelmente continuam, na maior parte dos casos, a praticar uma agricultura de subsistência (mas prometo abordar esta questão numa próxima edição).

Mais do que qualquer ganho a paz nos permitiu olhar o país de outra forma, ou seja, discutir o país, o futuro e dar outros passos num ambiente diferente daquele que se viveu em tempos. Foi possível realizar eleições periódicas, o que, por si só, independentemente dos resultados, é um exercício que permite mudar consciências.

Em meio às questões que se colocam no que toca à preservação da paz, acresce-se ainda a penosa crise económica mundial agudizada pela queda do preço do barril de petróleo que ronda os 50 dólares, um valor que prejudica imenso as economias dependentes do crude, como a nossa. São tempos difíceis para todos, para os governantes e governados, e que exigem de todos sapiência e resiliência, até porque, como diz o velho ditado, “em casa onde não tem pão todos ralham e ninguém tem razão”. 

Diante desta realidade, num momento em que cidadãos publicamente defendem um ambiente de verdadeira democracia e melhores condições sociais para as franjas mais pobres mas em que ao mesmo tempo o Governo reitera que há um imenso trabalho feito que as melhorias no campo social são notáveis com destaque para os números da economia é obvio que deve ser encontrado um meio-termo e que se privilegie o diálogo.

Não podem existir monólogos e nem diálogos surdos.

O verdadeiro diálogo exige vontade de ambas as partes, disponibilidade total e que se abandonem preconceitos. Precisamos preservar a paz, até porque temos exemplos claros a nível internacional, dos quais poderia citar muitos mas vou referir apenas o conflito Sírio, cuja consequência mais visível para o mundo é a crise de refugiados, de pessoas que fogem desesperadamente de um cenário de paz, deixando tudo para trás, para garantir a sobrevivência. Também temos um exemplo claro, do Quarteto para a Paz na Tunísia (Prémio Nobel da Paz 2015), que incluiu diversas organizações da sociedade civil no país e que conseguiu reunir as diversas correntes e forças políticas para discutir a nação e garantir a paz, após uma revolução. 

Preservar a paz e a estabilidade deve, por isso mesmo, envolver todos nós mas, a meu ver tal deve ser por via do diálogo e da inclusão, diálogo para a discussão dos diferentes pontos de vista e para reduzir a barreira entre os mais abastados e os mais pobres e, também, num ambiente onde não se excluam, à partida, as vozes discordantes. É este o caminho que nos pode conduzir para um ambiente de entendimento e uma plataforma que garanta um maior desenvolvimento ao país.

Obviamente que o que refiro aqui pode parecer utópico diante do contexto actual mas as ideias servem para isso mesmo, para alertar e para servir de base para as discussões e, inclusive, entendo que existem outras correntes, outras opiniões que também merecem ser discutidas e analisadas.  

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