ECONOMIA & NEGÓCIOS

 
5 de novembro 2016 - às 12:32

DIAGNÓSTICOS DIFÍCEIS PARA A EUROPA

Os dados da instituição estatística europeia (Eurostat) e do Fundo Monetário Internacional (FMI) não mostram a mesma Europa. Dados de organismos nacionais mostram igualmente divergências. Ainda assim, o estado da economia do bloco não é alarmante.

 

O FMI está apreensivo quanto à evolução da economia mundial. A instituição prevê uma desaceleração, de 3,1% este ano, contra 3,2% em 2015. Porém, para 2017 espera 3,4%.

Nas Perspectivas Económicas Mundiais, o FMI aponta para um crescimento de 1,6%, menos seis décimas face às previsões de Julho.

Espanha e Alemanha, em progresso de 0,5 pontos percentuais e 0,1 ponto percentual, respectivamente, vão empurrar a Zona Euro para 1,7%, contra 1,5% da estimativa anterior. Para Portugal aponta para 1% - o oitavo ano consecutivo a crescer abaixo da média da Eurozona.

O FMI prevê para Portugal o regresso aos défices externos em 2017, devido à estimativa de que a economia registe o segundo pior crescimento na Europa.

Só Itália fica atrás de Portugal, evoluindo 0,9%. O Reino Unido, a braços com o Brexit, deverá progredir 1,1%.

Apesar da instabilidade relativa à falta de Governo, a Espanha deverá crescer três vezes mais do que Portugal. Este país regista a maior revisão em alta no conjunto do mundo.

O Conselho de Governadores do Banco Central Europeu defende a continuação das compras de activos, de modo a estimular a economia. A instituição pretende que a taxa de inflação progrida até aos 2%.

O anúncio desmentiu o rumor de que iria reduzir 10.000 milhões de euros nas compras mensais. O plano da instituição, de Dezembro de 2015, contabiliza o total de 80.000 milhões de euros até Março de 2017.

O BCE aumentou as compras de dívida portuguesa. Em Setembro, compraram-se títulos no valor de 1.022 milhões de euros. A instituição tinha reduzido as aquisições em Julho e Agosto.

Dados provisórios do Eurostat, relativos a Setembro, mostram uma subida da inflação de 0,4%, na Zona Euro, constituindo o ponto mais elevado desde 2014. Em Agosto, a progressão foi de 0,2%. Em Setembro de 2015, verificou-se uma deflação de 0,1%.

O Governo alemão projecta um crescimento da economia de 1,8% este ano, a melhor taxa desde há cinco anos. A previsão anterior era de 1,7%.

Para o próximo ano, Berlim reduz em baixa a perspectiva, passando de 1,5% para 1,4%. Em 2018 espera um avanço de 1,6%.

«A recuperação da economia alemã é sólida», garante o ministro alemão da Economia. Sigmar Gabriel considera que o Brexit tem tido impacto limitado no bloco europeu.

Porém, o desemprego na Alemanha aumentou, contrariando previsões, em Setembro. O Brexit tem sido visto como a razão desta performance. Porém, a taxa manteve-se em 6,1%, o patamar mais baixo desde a reunificação.

Portugal sem segundo resgate - A agência de notação financeira Moody’s considera reduzida a hipótese de um segundo resgate a Portugal, uma vez que o financiamento do Estado é confortável e o risco de instabilidade política é diminuto. Esta instituição prevê que o défice se situe em 2,7% do produto interno bruto (2,5% estabelecido com Bruxelas).

Todavia, assinala existir pressão sobre o rating. Assim, mantém a notação em Ba1, o primeiro patamar do chamado «lixo», que se fixou em Julho de 2014. A Moody’s considera que as finanças portuguesas estão a melhorar, embora de forma reduzida.

Por seu turno, o The Wall Street Journal considera que aumentam os receios de novo resgate, devido a elevado endividamento, à fraca recuperação económica, abaixo do esperado, e à previsão do investimento.

Por seu turno, a Grécia viu libertados, pelo Eurogrupo, 1.100 milhões de euros do memorando de entendimento, relativo ao terceiro resgate. O país cumpriu os 15 requisitos previstos no programa financeiro, de 2015, de 86.000 milhões de euros.

 

Alguns sinais positivos - A produção industrial portuguesa cresceu 0,5% em Agosto face a Julho, de acordo com o Eurostat. Na Eurozona aumentou 1,6% e no conjunto do bloco 1,4%.

A economia portuguesa registou, em Junho, um excedente externo de 1,2% do PIB, em comparação homóloga. O Banco de Portugal justifica a performance pela poupança das sociedades financeiras, das empresas não financeiras e das famílias – 3,2%, 0,6% e 0,8%, respectivamente.

A instituição considera que a soma (4,6%) foi mais do que suficiente para responder às necessidades públicas, situadas em 3,4% do PIB.

«Os activos financeiros líquidos das administrações públicas aumentaram 2,3 pontos percentuais do PIB, devido ao efeito positivo neste rácio da variação do PIB e das variações nos preços dos activos financeiros e dos passivos, que mais do que compensaram as necessidades de financiamento deste sector», informou o Banco de Portugal.

Relativamente ao conjunto da economia, em Junho a posição financeira líquida, face ao mundo, foi de -105,6%, contra -108,4% no final do trimestre findo em Março. Mantém-se «a tendência de melhoria observada desde o início de 2014, apenas com uma breve interrupção no início de 2015».

Portugal registou o terceiro maior excedente externo da Zona Euro, em Julho, de 8.400 milhões de euros, segundo o Eurostat. Em cadeia, o excedente recuou de 15.200 milhões de euros e em variação homóloga caiu de 10.300 milhões de euros.

Na Eurozona a Itália registou um excedente de mais de 9.000 milhões de euros e a Grécia de 1.430 milhões de euros. Fora da moeda única, a tabela é liderada pela Dinamarca, com 1.780 milhões de euros.

A taxa de poupança das famílias da Zona Euro aumentou de 12,6%, no primeiro trimestre, para 12,8%, no segundo período – a taxa mais elevada desde o quarto trimestre de 2011. De acordo com o Eurostat, a taxa de investimento das famílias subiu para 8,6%. A taxa de investimento das empresas progrediu 22,2% e os lucros por acção situaram-se em 40,6%. 

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