MUNDO REAL

 
23 de dezembro 2015 - às 07:25

DIAGNÓSTICO DO JORNALISMO ANGOLANO

A comunicação social angolana há muito que precisava destes momentos, para debater a sua realidade, enfrentar os problemas de frente. Simplesmente, precisávamos falar.

 

O Fórum de Mulheres Jornalistas para a Igualdade de Género, a Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente, a Mãos Livres e a Plataforma de Mulheres em Acção, organizações da sociedade civil, juntaram-se para promover dois debates públicos que abordaram temas de vital importância para o jornalismo angolano. “O Contexto da Comunicação Social Angolana e o Futuro da Media”, apresentado pelo jornalista Victor Aleixo e “Exercício do Jornalismo e Liberdade de Imprensa em Angola”, que teve como oradora a jornalista Luísa Rogério, foram os temas em discussão.

Os objectivos dos encontros, de acordo com as notas de imprensa divulgadas pela organização, foram promover um debate sobre os temas agendados, colocar estes assuntos na agenda do debate nacional bem como recolher contribuições tendo em conta os desafios que se impõem ao exercício do jornalismo em Angola. Para mim, foi uma importante iniciativa, no âmbito do projecto “Vozes pela Liberdade de Imprensa”, que reuniu jornalistas e representantes da sociedade civil bem como representantes de instituições estatais para fazer um diagnóstico da situação da comunicação social no País e buscar soluções.

Os oradores, nas suas apresentações, foram incisivos, eu diria mesmo: cirúrgicos. Tanto Victor Aleixo como Luísa Rogério falaram dos temas com frontalidade e fizeram um diagnóstico preciso da situação. Questões como o pacote legislativo da comunicação social, a instituição da Comissão de Carteira e Ética, a formação dos profissionais da classe, dos constrangimentos impostos ao exercício do jornalismo em Angola bem como a sustentabilidade das empresas de comunicação social foram abordadas.

Os participantes, dentre os quais renomados jornalistas angolanos, também emitiram a sua opinião, focaram os problemas e sugeriram soluções. Foram verdadeiros debates!

A comunicação social angolana há muito que precisava destes momentos, para debater a sua realidade, enfrentar os problemas de frente. Simplesmente, precisávamos falar. Neste ponto lembro-me da intervenção do colega Félix Abias, no debate sobre “O Contexto da Comunicação Social Angolana e o Futuro da Media”, que fez uma intervenção longa e que justificou-se dizendo que precisava de tempo porque os debates têm sido poucos e que quando fossem mais passaria a falar menos. A sua explicação faz todo sentido.

Dos debates saíram várias sugestões que as organizações promotoras anotaram e vão levar em conta nas suas acções futuras, as observações feitas por oradores e participantes (no total dos dois debates, mais de cem) apontaram caminhos para se ultrapassar os problemas que enfrentamos e ao mesmo tempo foi um momento de partilha entre os profissionais da classe.

É verdade que os problemas são imensos, sendo que algumas questões como a instituição da Comissão de Carteira e Ética dependem da vontade política mas há também pontos que exigem acção da própria classe jornalística, inclusive maior união porque, no fundo, o que está em causa é o futuro de todos nós.

Foram momentos marcantes para mim, em que pude rever colegas, debater assuntos que me preocupam enquanto jornalista e que me levaram a uma profunda reflexão sobre o papel do jornalista, sobre o que podemos fazer mais e melhor pela sociedade porque, afinal, é esta a nossa missão, servir a comunidade na qual estamos inseridos.

Os desafios são imensos, os problemas estão identificados, agora é tempo de batalhar pelas soluções, o que implica acção por parte dos profissionais da classe. 

A realidade é esta: temos que persistir, resistir às pressões e fazer a nossa parte por Angola.  

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