RECADO SOCIAL

 
2 de maio 2016 - às 08:17

DESRESPONSABILIZAÇÃO GERA O CAOS

O que temos agora para resolver é,por exemplo, descobrir-se aonde é que, como por milagre, terão sido qualificados como defuntos”  cerca de quatro milhões de dólares da Saúde, segundo revela uma certa imprensa muito nervosa com a situação dos hospitais especializados. Alguém se deu conta que há seis meses não existiam vacinas contra o tuberculose nas maternidades? O ministro, que andou pela OMS durante anos, sabia? Acho que não. Se lhe tivessem feito chegar este “certificado de óbito”, certamente não aceitaria o cargo… 

 

Todos podemos recordar e aplaudir as milhentas de coisas boas que o país e os seus governantes foram capazes de produzir ao longo de quatro décadas, como também fizemos fé, até como compromisso de honra aos heróis de todas as conquistas sociais que a paz trouxe, de que o espírito crítico generalizado impera, justamente pela insensatez, incoerência e falta de responsabilidade de muitos destes mesmos governantes. 

Alguns foram destituídos dos seus cargos e com um atestado de  incompetência na mão, evidenciado pela má gestão dos recursos colocados à sua disposição ao longo dos seus mandatos que sempre raiaram à mediocridade ou a simples cobertura do compadrio. 

Outros permaneceram no poleiro pelo simples facto de se terem aliado e subjugado aos núcleos de famílias tradicionais da mais alta estirpe. Outros ainda, apesar de terem exibido sinais de evidente riqueza proveniente do descontrolo (propositado) apadrinhado por grupos de mafiosos, andam por aí até que alguém um dia se lembre deles e lhes faça recordar o que devem aos bancos, aos seus eleitores distraídos com umas mesadas de massarocas, sobretudo ao estado, a quem deviam servir e não colocá-lo numa situação económica e financeira tão fragilizada, tão à mercê das instituições financeiras internacionais, que até o cidadão menos informado do país começa a desconfiar das suas boas intenções.

… Nos últimos meses, Angola protagoniza manchetes confrangedoras. O resumo que os mais cépticos fazem destas notícias  bastante péssimas para quem, ao longo de quarenta anos, esteve à procura de uma luz de esperança de desenvolvimento do sector da saúde do país, é que ele  teima em permanecer numa situação degradante. Poder-se-ia esperar de tudo num sector carente de recursos, de um orçamento  com cifrões razoáveis para que funcionasse, mas não. A morte, a desolação e a dor de milhares de famílias pobres continuam a ser “decretadas” mesmo em hospitais públicos considerados de referência no nosso meio doente, mergulhado num ambiente sem higienização e humanização, completamente entregue às boas “vontades” dos médicos e enfermeiros, a maior parte dos quais é considerada como autênticos heróis, sem que se apeguem permanentemente ao juramento de Hipócrates, mas sim ao chamamento do patriotismo.

No meio de uma demissão sanitária de um cargo ministerial, eis que surgiram situações epidémicas não só indesejáveis para o comum dos mortais, como para a própria sobrevivência política dos que mandam no Executivo. Ora, foi chamado um excelente médico para tentar minimizar as dores da Saúde, exercendo o cargo de ministro, mas… o homem nem sequer tinha luvas, seringas e medicamentos. Encontrou os cofres dos hospitais e postos de saúde dos “escangalhados” em estado de coma, as morgues com lotação esgotada, os funcionários  com uma vontade enorme de despachar os corpos para os cemitérios, enfim, jamais vi um ministro tão desapontado com o quadro deixado por outro que, de repente, desapareceu de circulação depois de mais de dez anos de cadeira ou …na maca.

O que temos agora para resolver é,por exemplo, descobrir-se aonde é que, como por milagre, terão sido qualificados como defuntos”  cerca de quatro milhões de dólares da Saúde, segundo revela uma certa imprensa muito nervosa com a situação dos hospitais especializados. Alguém se deu conta que há seis meses não existiam vacinas contra o tuberculose nas maternidades? O ministro, que andou pela OMS durante anos, sabia? Acho que não. Se lhe tivessem feito chegar este “certificado de óbito”, certamente não aceitaria o cargo… 

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