DOSSIER

 
26 de novembro 2015 - às 19:16

DESPORTO OS GANHOS E AS DERROTAS SOMADAS NOS 40 ANOS

Em quarenta anos de Angola independente, o desporto  tem se revelado como um dos sectores da vida social que muitos ganhos e alegria  proporciona e, neste capítulo, o realce vai para o facto de, em termos de participações internacionais e realizações de eventos desportivos, ajudou  a projectar e capitalizar a imagem do nome e a bandeira do país no exterior no período em que quase  uma das "imagens de marca" da nação era vista do estrangeiro como sendo apenas guerra civil que só terminou a 4 de Abril de 2002, com a assinatura dos Acordos de Paz , na cidade do Luena, Moxico

 

Estado angolano, nos quarenta anos, criou políticas para o desporto e para este fim nomeou dirigentes para a execução deste segmento da vida social. Reza assim na história desportiva que o cidadão Manuel Augusto foi o primeiro responsável do sector do primeiro Governo, com o cargo de coordenador do Conselho Superior de Educação Física e Desportos. Ele desapareceu após o 27 de Maio de 1977.

 O seu substituto foi Hermenegildo Vieira Dias, seguindo-se Rui Mingas, Osvaldo Serra Van-Dúnem, Marcolino Moco, Sardinha de Castro, Justino Fernandes, Marcos Barrica e Gonçalves Muandumba.

 Assim institucionalmente a projecção que o desporto nacional teve no país e no estrangeiro contou, em quarenta anos, com o impulso das regras definidas por estes oito ministros, o que não teria sido possível se internamente, esse mesmo Estado não criasse meios humanos e de infra-estruturas para os ganhos que foram notórios.

 Mas também é verdade que a partir de certo momento o país registou um acentuado decréscimo em termos do que se poderá denominar aqui de "população desportiva",  porque de 1975 até ao ano de 1990 houve um grande "boom" na massificação e prática desportiva que, no entanto, refreou no seguimento dos Acordos de Paz de Bicesse em 1991. Hoje basta notar em todas as modalidades quantas equipas fazem o campeonato e quantos clubes movimentam todas as categorias.

 Logo após a independência, a referida grande adesão à prática desportiva registou-se sobretudo em Luanda, onde figuras como os professores Victorino Cunha, Espírito Santo, Matos Fernandes, João Cruz e outros mais fizeram de locais como a antiga sede da JMPLA, no então bairro Caputo, campo do CDUA, Coqueiros e muitos clubes, lugares de "ponto de partida" para a prática de um desporto de tipo novo, diferente do que se fazia no período colonial.

Em 1978 o país aderiu ao Comité Desportivo dos Exércitos Amigos "SKDA", onde chegou a assumir a vice-presidência para o continente africano e este facto estimulou para que 1979, quatro anos depois da independência, o então secretário de Estado para a Educação Física e Desportos, Rui Mingas exarasse um despacho de criação das federações desportivas dada a necessidade de consolidar a referida grande explosão desportiva e a urgência do país filiar-se nas federações internacionais. Desta forma, poder  participar e competir, pois, urgia fazer conhecer o nome e a bandeira do país além fronteiras.

 Até 1991 foram, pois, muitos os ganhos em muitas frentes desportivas no estrangeiro, devido à actuação das mais variadas selecções desportivas nas diversas modalidades e atletas. 

 Para que conste, o país obteve a sua primeira medalha de bronze para o desporto angolano, conquistado no atletismo, na disciplina de Triplo Salto, durante os Jogos Olímpicos de Nairobi (Quénia) e é fundado o Comité Olímpico Angolano para também Angola poder participar nos Jogos Olímpicos de Moscovo, evento em que, a excepção dos Jogos Olímpicos de Los Angels, nunca mais parou de estar presente.

No desporto-rei a  Federação Angolana de Futebol foi criada a  9 de Agosto de 1979, liderada por Eduardo dos Santos e, sucessivamente, até  hoje Luís Gomes, José Fernandes, Armando Machado, Justino Fernandes e Pedro Neto, e o Girabola, assim baptizado pelo jornalista Rui de Carvalho, dá também o seu pontapé de saída, ganho pelo 1º de Agosto. 

Em 1983, começa a ser disputada a Taça de Angola, para apurar as equipas angolanas que, por direito, representam o País na Taça da Confederação Africana de Futebol, onde Angola ainda não conseguiu conquistar nenhum troféu. O primeiro estreante foi o 1º de Agosto frente ao Cannon de Yaoundé, mas quer a equipa militar, quer o ASA, 1º de Maio e Interclube apenas se destacaram até hoje até às meias finais. Na Liga dos Campeões as equipas nacionais não conseguiram ainda subir ao pódio.

Os maiores feitos do futebol angolano até hoje foram  a primeira presença na fase final do CAN, em 1996 na África do Sul, liderada pelo técnico Carlos Alhinho, a presença na fase final do "Mundial" da Alemanha, com Oliveira Gonçalves, a conquista do CAN de sub-20, em Addis Abeba, também com esse treinador, e a realização da fase final do CAN de 2010, no país.

Em 1982, Angola participa pela primeira vez no Campeonato do Mundo de Hóquei em patins realizado em Barcelos (Portugal) onde ficou em 11º lugar, com uma selecção integrada por  Tony e Evaristo (guarda-redes), Cândido Teles e Carlos Fragata (defesas), Beto e Santana (avançados), abrindo assim caminho para as sucessivas presenças que se registam até hoje. Graças a essas participações, o país ficou com o registo de ter organizado em África o primeiro campeonato do Mundo de clubes e de selecções, em 2011 e 2013.

No basquetebol, onde a primeira conquista do Afrobasket, em 1989, em Luanda, é onde estão as proezas de maior destaque nos 40 anos de "Angola Desportiva" Afrobasket. Por conta do poderio que os angolanos conseguiram ter no continente, há o grande registo de, em  1992, terem disputado pela primeira vez os Jogos Olímpicos com a selecção de basquetebol sénior masculina. 

Atrás do basquetebol seguramente outras grandes conquistas que se seguiram aconteceram no andebol a nível da equipa sénior feminina do Petro de Luanda e da selecção nacional do mesmo escalão que se tornou uma representante já habitual de África nos campeonatos do mundo e Jogos Olímpicos.

Da selecção masculina há apenas a destacar, até hoje, a sua primeira participação, em 2005, no Campeonato do Mundo, depois de várias tentativas fracassadas que vinham desde o ano de 1979, como pretendiam os sucessivos elencos federativos presididos por Francisco António de Almeida, Hélder Moura, Marcelino Lima, Sardinha de Castro, Juca Figueiredo, José Cardoso, Hilário de Sousa, Archer Mangueira e Pedro Godinho.

A recente realização da primeira Volta a Angola em bicicleta, neste ano de 2015, veio provar, todavia, que apesar dos ganhos citados, a verdadeira independência só é efectiva quando o país recebe visitantes que constatam a realidade de se poder circular a vontade nas entradas, sem perigo de minas, tiros ou emboscadas.

E o desporto que é o ciclismo tratou de proporcionar isto neste ano em que o país comemora 40 anos do fim do colonialismo e 13 a contar da deposição das armas da guerra civil.  

No capítulo das infra-estruturas desportivas o país ainda não está realizado. É claro que foram erguidos nos últimos sete anos alguns recintos (basquetebol e futebol), mas não são ainda suficientes. Se desde 1981, altura em que o país organizou os Jogos da África Central, o investimento nesse sentido tivesse continuidade o desporto nacional estaria melhor servido.

De resto, sem desprimor para outras modalidades e agentes desportivos (atletas, treinadores e dirigentes) é consensual que há naipe de figuras que a longo destes 40 anos de independência estiveram mais nas luzes da ribalta pelo que fizeram e deram a ver, a jogar, a orientar, a dirigir.

Por esta razão Victorino Cunha tem o seu nome registado em vários feitos do desporto angolano, mas é no basquetebol onde se destaca. Foi o primeiro técnico a conduzir a selecção nacional de basquetebol sénior masculina a um título continental, numa altura em que o conflito interno pairava sobre o país. É instrutor da Federação Africana de Basquetebol Associado (FIBA).

Jean Jacques da Conceição é o único angolano no "hall of fame", local que serve para homenagear as maiores figuras do basquetebol mundial ao lado de nomes como Sabonis, entre outros.

Oliveira Gonçalves com a sua agenda debaixo do braço conduziu a selecção nacional para o primeiro título continental em sub-20 e consequente presença no mundial na mesma categoria.

Justiniano Araújo foi o primeiro ciclista angolano a correr por uma equipa europeia. Participou em voltas internacionais exibindo a bandeira de Angola.

Akwá  muito cedo abandonou o futebol, como jogador e seguiu carreira política exercendo o cargo de deputado na Assembleia Nacional. É uma das grandes referências do futebol angolano e herói da qualificação ao Campeonato do Mundo de 2006, ao apontar o golo decisivo diante do Rwanda. 

Mantorras não foi o mais internacional de todos os futebolistas angolanos, mas foi o mais mediático. Nenhum futebolista nacional mereceu tanto destaque, na imprensa internacional, como o rapaz do Sambizanga. Esteve às portas de bater recorde de vendas no Sport Lisboa e Benfica, caso a sua transferência para o Arsenal se efectivasse. 

João Ntyamba deixou o seu nome em vários percursos mundiais. É uma das principais referências angolanas além-fronteiras, particularmente quando se fala de atletismo. Um dos seus maiores feitos foi liderar, embora por pouco tempo a maratona nos Jogos Olímpicos de Sydney2000.

Palmira Barbosa é a principal figura da selecção nacional de andebol que conquistou vários títulos africanos e marcou presença em mundiais e Jogos Olímpicos. Hoje ainda perguntam por si quando Angola vai disputar qualquer prova internacional. “Onde anda Palmira, o que ela faz agora”, são as perguntas frequentes, sobre aquela que foi apelidada de rainha de África.

De resto, podem aqui ser também, registados os nomes de Kaissara (hóquei em patins) Manuel Gomes (boxe), Demarte Pela (Luta) Antónia de Fátima (Judo), Ndunguidi Daniel e Jesus (futebol), José Sayovo (paralímpico) e outros. 

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