DESPORTO

 
29 de julho 2017 - às 07:45

DESORGANIZAÇÃO ANGOLA ARRANCA COM "TROPEÇO" NA CORRIDA AO CAN DOS CAMARÕES

Os Palancas Negras não iniciaram com o "pé direito" a corrida para a fase final da Taça de África das Nações. Na primeira jornada do Grupo I referente às eliminatórias, a selecção orientada pelo técnico brasileiro, Beto Bianchi, perdeu, por pesados 3-1, em Ouagadogou, com os Cavalos do Burkina Faso

 

Como se sabe, depois da fase das eliminatórias, ao cabo dos 144 jogos, que começaram em Março e término previsto para Novembro de 2018, apenas se qualificarão à fase final os primeiros classificados dos doze grupos, pelo que os Palancas Negras deviam arrancar já a ganhar para depois não dependerem de terceiros. Os primeiros três pontos ficaram assim desperdiçados.

Por um lado porque a selecção angolana se revelou ineficaz, ficando numa situação que a obriga agora a trabalhar e encarar com seriedade o seu próximo jogo diante do Botswana, entre 19 e 27 de Março de 2018.

Por outro lado porque houve vários outros factores, antes e durante o jogo, que resultaram na derrota dos Palancas Negras, sobretudo os de cariz desorganizativo, como a falta de disponibilidade financeira para a realização de um estágio onde defrontariam equipas ou selecções fortes.

 Durante a preparação em Portugal, segundo o presidente do Conselho Jurisdicional da FAF, Sérgio Raimundo, a Selecção enfrentou condições deploráveis que, mesmo criticadas pelos jogadores, equipa técnica e dirigentes, não mobilizaram a alta estrutura que superintende o desporto no país, nomeadamente o Ministério da Juventude e Desportos, a acudir a situação aflitiva dos Palancas Negras.

Na ocasião, o dirigente chegou a desabafar que "a Selecção não é da federação, é do País e vai para uma competição em representação da Nação, é preciso que se apoie muito mais este grupo, que se dê o suporte  necessário, porque é o nome e a imagem do país que está em jogo", mas tal apelo não teve o acolhimento merecido.

Esperava-se por um outro tipo de incentivo mas, em vez disso, o ministro da Juventude e Desportos, Albino da Conceição, em reacção atirou, com justificações que fundamentou, a "bola" para o lado da direcção da federação, no sentido desta reunir meios materiais e verbas possíveis para suportar a campanha dos Palancas Negras, quer nos estágio, quer nos jogos das eliminatórias à fase final.

"Os recursos são poucos e temos estado a atribuir apenas o que é possível. Temos uma Federação Angolana de Futebol e esta deverá fazer outros esforços junto de patrocinadores para apoiar a selecção nacional", disse o ministro poucos dias antes do importante jogo com o Burkina Faso.

 E por falta de melhores condições, a Selecção jogou apenas com a equipa do Grupo Desportivo da Mealhada da 3ª Liga Portuguesa e com os juniores da Académica. 

O Burkina Faso ganhou a Angolana, por 3-1, porque fez bem o seu "trabalho de casa", em campo e com apoios institucionais, porque a meta é vencer o Grupo I e obter o apuramento à fase final nos Camarões.

O técnico português Paulo Duarte, ao serviço dos Cavalos do Burkina Faso, teve tempo, por exemplo, para estudar e comparar a composição e capacidade actual dos Palancas Negras. Visionou cinco jogos em vídeos da selecção angolana.

Dias antes do jogo disse que " Angola é o nosso primeiro adversário para as eliminatórias, temos a obrigação de conhecer a sua estrutura actual, não têm mais sete a oito jogadores das equipas anteriores",  e depois da terceira posição conseguida no CAN disputado deste ano (2017) no Gabão reuniu um grupo forte para ganhar.

Até à próxima jornada restam nove meses e nesse lapso de tempo, o comportamento da Selecção  pode  ser melhorado, sobretudo  para relançar o optimismo na qualificação, quando defrontar o Botswana, em jogo da segunda jornada, a disputar-se em Luanda.

 Os Palancas terão a obrigação de ganhar e esperar preferencialmente por uma derrota do Burkina Faso diante do Bostwana, ou por um empate, para poder continuar a sonhar com hipótese de qualificação nas quatro jornadas que restarem.

O Botswana está perfeitamente ao alcance se for levado em conta o historial dos nove anteriores jogos das duas selecções. Desde que em 1984 ambas selecções começaram a defrontar-se, Angola leva vantagem no cômputo geral. 

 Em 1984, aquando do 18º aniversário da independência dos tswaneses, os angolanos derrotaram por 3-1. Nos anos seguintes os restantes desfechos foram por 4-0, em 1995), (1-0, em 2007), (2-0, em 2013) todos favoráveis a Angola. Em 1995 (1-2) favorável ao Botswana. Empates  foram, por 1-1, em 2004 e 0-0 nos anos de 2005 e 2014, respectivamente. 

A Mauritânia pregou a primeira surpresa do Grupo ao ganhar, fora de casa, ao Botswana, por 1-0, com golo apontado pelo avançado Abdellahi Soudani, jogador que o seleccionador angolano e seus pupilos devem já levar em conta.

 O próprio treinador do Burkina Faso, Paulo Duarte, elogiou os Palancas Negras, dizendo que "Angola e sabia que a selecção renovou a sua equipa praticamente a 80 por cento e constatei que é uma equipa com potencial jovem técnico muito elevado".

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