RECADO SOCIAL

 
26 de agosto 2019 - às 11:01

DESARMAMENTO: OUTRA GUERRA!!

Continuamos assustados. Com medo de atravessar as ruas, os becos; de irmos aos bancos, aos serviços, às escolas e universidades, hospitais; continuamos com receio de regressarmos aos campos, vilas  e cidades do interior porque, sinceramente, a batalha do desarmamento vitorioso dos civis em posse ilegal de armas de guerra tarda em acabar.

 

Dados recentes da Polícia Nacional  dão conta que o processo de desarmamento da população civil, que iniciou em Março de 2008, permitiu a recolha de 110 mil e 572 armas, mais de 68 mil carregadores, 766 mil e 399 munições, bem como 161mil e 834 explosivos.Citada pela Angop, a nossa polícia revelou  que  "por posse ilegal de armas de fogo, foram abertos mil e 945 processos-crime, mil e 900 julgados, mil e 822 condenados, 78 absolvidos e mil e 45 casos em instrução preparatória".Só? Espantoso!

Já se passaram mais de dez anos, desde que foi despoletado este processo de desarmamento. Lembro-me como eram apresentados  os balanços, mais ou menos regulares, sobre as operações desencadeadas pela Polícia Nacional. Umas com mais ou menos "trungungo", mas a polícia lá ia sossegando a população e esta aplaudia.Algumas delas eram publicitadas como se ainda estivéssemos em guerra declarada contra os terroristas internos, rebeldes armados até aos dentes, ou coisa que se pareça...

Hoje, o quadro mudou?. Não! Continuamos assustados. Com medo de atravessar as ruas, os becos; de irmos aos bancos, aos serviços, às escolas e universidades, hospitais; continuamos com receio de regressarmos aos campos, vilas  e cidades do interior porque, sinceramente, a batalha do desarmamento vitorioso dos civis em posse ilegal de armas de guerra tarda em acabar.  

Daí a existência de um   estádio permanente de insegurança pessoal. Cada um dos vinte e quatro milhões com os seus pesadelos. Uns, sentem-se perturbados com o vizinho da frente ou com o parente ex-militar; outros, temem que o primo desmobilizado se revolte e sinta vontade  de estraçalhar os miolos do mais próximo. Os dados quanto ao desarmamamento da população em posse ilegal de armas de fogo, não são muito apaziguadores.E mais: quem for apanhado com uma ou várias armas de fogo, julgado e condenado, apanha uma mísera pena de dois a seis anos de prisão efectiva.E consta que se for bem comportado, pode sair ao cabo de uns mesitos para, cá fora, voltar a ter oportunidade de armar-se em "rambo" no povoado, onde, não raras vezes, é acolhido como "herói", um "ciente" corajoso!

A boa notícia é que  o Ministério do Interior decidiu recrudescer esta "batalha"  do desarmamento e neste contexto teve até uma decisão porreira:  que se construam   depósitos provinciais das armas que vão sendo recolhidas para posteriormente serem destruídas. Claro que os  cidadãos acolheram  com satisfação esta ideia, mas não deixam de torcer o nariz quanto à sua praticabilidade nos tempos que correm. Querem que as armas sejam apreendidas e imediatamente destruídas, num curtíssimo espaço de tempo. E porquê? Porque a própria polícia já terá reconhecido que existem muitas armas  "desviadas" de vários locais de sua propriedade para o mercado negro. Não é novidade que, por exemplo, no famoso mercado "Roque Santeiro" não se tenham  vendido apenas fisgas ou alicates. Vendiam-se armas de fogo  e tudo indica que terão existido outras "praças" em que tais negócios proliferavam e prosperavam...

Por isso, é preciso fazer uma introspecção muito séria no seio de várias instituições detentoras do "privilégio" de utilizarem armas de fogo. Feliz ou infelizmente, algumas estão ligadas às empresas de  segurança privada, quer sejam de entidades colectivas, como individuais. Só falta ver basukas e lança-mísseis em posse de algumas delas, tal é a capacidade de fogo que certas armas  detêm. 

 

Carlos Miranda

carlosimparcial@gmail.com.

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