LEITORES

 
29 de julho 2017 - às 07:02

DEPOIS DA SIC, QUEM VEM A SEGUIR?

Sou de opinião que quem tem poder pode e deve exercê-lo como bem entender, mas não pode coarctar os princípios de liberdade e de democracia tão bravamente conquistados em certos estados como Angola, que sacrificou a vida de milhares dos seus filhos para que eles constituíssem uma realidade.

 

Sendo totalmente ignorante quanto às regras que envolvem o “jogo”, em princípio iminentemente comercial das estações televisivas, escrevo estas breves linhas para tentar chamar à reflexão a maka do “desaparecimento súbito” de um canal de TV (a SIC Notícias) nas grelhas de programação de dois dos mais consumidos servidores no nosso país, primeiro na ZAP e mais recentemente na DSTV.

Não sei realmente de quem partiu a ideia, mas desconfia-se que o tal canal, por sinal o que mais tem colocado os nervos do governo angolano e do partido no poder completamente esfrangalhados devido às suas arrojadas reportagens críticas do “sistema”, foi obrigado a sair de cena por força do dinheiro investido pelos habituais alvos das suas reportagens.

Como tudo vale cifrões traduzidos em  dólares ou euros, fico a coçar a minha careca, questionando-me se se for esta a verdade então estaremos diante de uma solução compreensível em dois sentidos: o primeiro é que declara-se, embora com uma certa delicadeza, que o governo liderado pelo partido no poder pode fazer o que quiser no que diz respeito à imprensa, quer seja pública ou privada. Segundo, tendo rios de dinheiro e detentor de uma influência política e económica junto de alguns servidores instalados legalmente no país, o governo pode acordar num dia mal disposto e correr com todos os canais televisivos cuja orientação editorial seja adversa ao seu modo de agir e estar, facto que não é novidade nenhuma no mundo.

Sou de opinião que quem tem poder pode e deve exercê-lo como bem entender, mas não pode coarctar os princípios de liberdade e de democracia tão bravamente conquistados em certos estados como Angola, que sacrificou a vida de milhares dos seus filhos para que eles constituíssem uma realidade.

Se o governo acha que o tal canal televisivo detido por accionistas da antiga potência colonial (curiosamente, também por uma parte angolana), anda a meter a colher em assuntos que não lhe dizem respeito ou que tem feito passar uma série de reportagens, inclusive carregadas de falhas em termos da própria feitura do material “explosivo”  contra si, penso que não deveria chegar a este ponto.Banir um canal televisivo, fechar um jornal ou uma rádio já nem sequer está na moda em países orientados pela ditadura. Talvez a tal SIC tenha pecado em alguns momentos do seu percurso, divulgando informações contra o governo e repetidamente ter negligenciado a divulgação das fontes ou feito o cotraditório. Todavia, alguns observadores, nomeadamente “tugas”, consideram esta palmatória demasiado cruel e um tanto de inoportuna para os tempos que correm…

Por mim, o governo lá sabe o que faz. Sabe como defender-se. Só que, pela reacção, sobretudo nas redes sociais, da maioria dos consumidores dos pacotes, quer da DSTV como da ZAP, a inexistência dos canais da SIC (apenas restou a SIC Mulher, Radical e Caras para entretenimento), terá sido um aviso para outras empresas do ramo. “Quem sair da linha, já saberá qual será o caminho”, dizem indivíduos afectos ao poder.

Ora, está aberto pelo governo ou seus mandatários da acção proibitiva um clima de suspeição quanto a implementação dos princípios de liberdade de imprensa e de expressão que o MPLA defende, hoje mais do que nunca, numa altura em que se prepara, uma vez mais, para entrar na corrida pela manutenção do poder nas eleições gerais de Agosto próximo.

Quem deve estar com a cara transformada numa fronha mal arrumada são os accionistas da referida estação televisiva portuguesa defensores de uma linha editorial menos “agressiva” com o governo  de Angola, onde provavelmente detinha um número de clientes importante para o seu orçamento debilitado pelos tempos não menos bons da comunicação social privada portuguesa.

Jorge Guilherme K. Nobre

Huambo

 

TIRADAS DA IMPRENSA

“Um homem não pode fazer o certo numa área da vida, enquanto está

ocupado em fazer o errado em outra. A vida é um todo indivisível”.

-Mahatma Gandhi

 

“Quando vires um homem bom, tenta imitá-lo; quando vires um homem mau,

examina-te a ti mesmo”.

-Confúcio

 

“Os homens tendem a acreditar sobretudo naquilo que menos compreendem”.

-Michel de Montaigne

 

“O mundo pertence aos optimistas: os pessimistas são meros espectadores”.

-Dwight Eisenhower

 

BOCAS SOLTAS

Se tudo correr bem, o primeiro satélite angolano (ANGOSAT 1) será lançado em órbita ainda este ano, apesar da grave crise financeira que o país actualmente atravessa.Trata-se de um projecto governamental arrojado, superiormente orientado pelo ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, José Carvalho da Rocha, que sempre soube gerir os seus silêncios, priorizando sobretudo as acções práticas. A construção do projecto já estava na ordem dos 80 por cento no ano passado e em breve o país poderá comemorar a entrada do seu funcionamento. Mas pouco se sabe sobre o ANGOSAT 1, facto que deverá forçar o próprio ministro e seus pares a abrirem-se mais para os milhões de angolanos sedentos em ver mais uma conquista no meio da selva africana em termos de novidades espaciais. Acompanhemos as “dicas” de alguns leitores anónimos, a maior parte dos quais nem sequer sabe o que é isto de ANGOSAT 1:

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“Isto pode ser mesmo considerado um acontecimento ímpar na história espacial dos países menos desenvolvidos. Não percebo bem o que é e para que servirá o dito satélite no quotidiano das nossas vidas, mas pelo que tenho ouvido é mais um projecto milionário que vai custar os olhos da cara do contribuinte”.

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“Trata-se de mais um exemplo de preseverança de quem está a dirigir o país. Se no tempo das “vacas gordas” apostou na construção do satélite e o Estado vem agora dizer que neste tempo dos apertos financeiros vai mesmo fazer o seu lançamento, é porque está a dar sinais que as oportunidades de negócio  devem ser aproveitadas em qualquer momento”.

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“ Lançamento de satélite”? Trata-se de uma coisa que não me diz respeito; quero ouvir falar de coisas mais básicas como a luta contra a fome, a pobreza e outros males que enfermam a nossa sociedade, através da produção, distribuição e comercialização de alimentos. Isto, para mim, não interessa e ponto final!”

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“Eu acho que  desde  o início da sua implementação, poucas pessoas acreditavam que o nosso governo apostasse tão alto no sector das telecomunicações.Com o lançamento do ANGOSAT 1, espero que o quadro do funcionamento do sector se modifique radicalmente.Resumindo, é uma aposta válida, sim senhor!” 

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